Palavras do Abismo

"Segundo esta teoria, o bater de asas de uma simples borboleta poderá influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo."

O mundo é uma consequência de cada grão de pó que nos passa ao lado e nós, gentinha, sempre convencidos que estamos no controlo...


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Quando Clare Torry foi convidada para improvisar com a sua voz num tema de Pink Floyd, nem ficou entusiasmada. Não gostava particularmente da banda, e já tinha planos. Os Pink Floyd esperaram. Quando finalmente o encontro se deu, Clare ouviu o instrumental, e fez três takes. Não quis fazer mais, pois achou que nada mais tinha a oferecer ao tema. Perante a passividade da banda, abandonou o estúdio, e nem pensou que o tema fosse algum dia ser editado. Eles não estavam passivos, estavam maravilhados. Clare só soube que o tema fazia parte do "The Dark Side of The Moon" quando viu o CD numa loja, e o seu nome nos créditos. Sem saber, fez parte da História. Participou num dos melhores discos que o mundo já conheceu, e emprestou a voz a um dos temas mais belos de sempre, que emociona, impressiona, comove, toca, revolve-nos por dentro. Em 2013 "The Dark Side of the Moon" fará 40 anos. Esteve mais de 13 anos consecutivos no top de vendas e contribuiu muito para a minha felicidade ter nascido numa década e num milénio em que posso desfrutar dele. E cada vez que o ouço, ainda solto um "foda-se", como se fosse a primeira vez.


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Irrita-me profundamente quando certas pessoas não dão valor àquilo que têm. Têm mais sorte, saúde e são mais ricas do que três quartos da população deste mundo. E é só blá blá blás e queixumes de tudo e de mais alguma coisa. Nunca estão satisfeitas com nada. Pensam sempre dois degraus acima, sem ver se aquele por baixo do pé está seguro. E pelos vistos de nada servem as nossas palavras, a nossa presença, o nosso apoio incondicional. Essas pessoas sentem-se sempre sozinhas. E fazem-nos sentir sozinhos também. Como se fossemos invisíveis ou não importássemos. Não contamos para as contas do universo. Estamos só de passagem. Somos o degrau debaixo do pé. Quando menos se espera já estamos a ser pisados novamente.


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O pior dos dias felizes é ter termo de comparação. Saber o que é ter dias maus. Ter esses fantasmas sempre a pairar, como que a dizer: "espera aí que já vais ver como elas te mordem". O pior dos dias felizes é saber que a qualquer momento podem acabar. Que nada dura para sempre. É sentir o peso da outra face da moeda. É o diabo a lembrar-nos que a felicidade plena e para sempre não existe. É a dúvida dos "ses" a toldar-nos a vista e os pensamentos nocturnos. Mas que se lixe. Porque eu sei que se me conseguir concentrar no aqui, e agora, no já, no imediato, no hoje, no momento, neste segundo, neste instante, sou certamente uma das pessoas mais felizes que conheço. E saber isso, mesmo com o lado negro mesmo ao meu lado, dá-me um descanso momentâneo, efémero mas forte, que me ajuda a vislumbrar o "bright side of life". E num dia negro (que eles virão, estão à minha espera para me engolir), pelo menos saberei que neste dia, a esta hora, neste já, senti-me feliz, e já valeu a pena, cumpri.


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Muitas vezes, nem os trapos o são. Os que tenho, são bem mais novos do que eu. Aliás, quase tudo o que tenho ou que me passa pelas mãos tem menos do que a minha idade. Tirando músicas intemporais, filmes de sempre que ficarão para sempre, tudo é novo, recente, e eu vou ficando mais velha. Já olho para a nova geração com a irritação que na altura, decerto, me olhavam. Já não suporto os risinhos nada abafados no cinema, os grupinhos estridentes, as vozes adolescentes que falam a gritar nos transportes públicos e que irritam toda a gente, as raparigas que já não têm qualquer pudor e querem esfregar as suas carnes a todos os que passam. Sinto-me crescida. Algo mudou. Mesmo assim, ainda sou nova. Mas vou deixar de o ser. A maneira como olham para mim também irá mudar conforme o forem as rugas na minha cara e as formas do meu corpo. O que me assusta é que os valores e o respeito também estão a mudar, e não é para melhor. Daqui a 20 anos, o que me restará? Quem estará a meu lado a atravessar a vida da mesma maneira que eu? E quando chegar a hora? Só sei que não quero estar sozinha. Velhos são os trapos, mas também seremos nós, cada um de nós, até que, como os trapos, velhos já não serviremos para nada, e a vida nos jogará fora, esperemos, respeitosamente.


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É em momentos chave que sabemos quem está connosco e quem está contra nós. Aqueles segundos em que uns baixam o olhar e fingem que não vêem, desviam o olhar para uma televisão ao fundo da sala, fingem mandar uma mensagem no telemóvel, ou simplesmente fixam um ponto na parede fingindo-se absortos. Depois há quem nos dê a mão. Ou que nos olhe de frente, fale mais alto e nos defenda. E podem ser apenas uma ou duas pessoas, não importa. Entendemos a realidade perfeitamente. Temos pena por momentos que as coisas sejam assim. Sente-se o peso nas costas do tempo desperdiçado e tudo o que se deu em prol de quem agora parece não se importar. Mas passa. E é assim que nos tornamos a pouco e pouco um pouco mais frios, gelados, blocos de gelo, icebergs. O que vale é que até os icebergs podem não vaguear sozinhos. Alguém trata de juntar aqueles que precisam um do outro.




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É incrível o facto de toda a gente parecer inocente enquanto dorme. Podemos olhar para alguém e dizer: "aquele tem ar de pervertido", "louco", "que não bate bem". Mas ninguém diz isso se essa pessoa estiver a dormir. Como se durante o sono fossemos puros e maldade nenhuma nos atingisse. Como se o outro mundo, o dos sonhos, nos protegesse deste. A dormir, todos somos bondosos, íntegros e distantes. Ou serei eu que estou a sonhar?


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