Palavras do Abismo

Adoptei um gato. Pensava eu. À medida que o bicho foi crescendo, vi que me tinham dado gato por lebre, ou neste caso, por javali. Comecei a reparar nas crescentes presas laterais e no pelo crespo, no formato do focinho, e pensei "foda-se, adoptei um javali".

Depois de pensar no que fazer à vida, visto que seria uma crueldade manter um javali num T2 e com mais 3 gatos, resolvi deixá-lo na Arrábida, perto das comunidades de javalis que por lá andam. Um animal destes só estaria bem na natureza, e perto dos seus pares. E lá fui, despedindo-me com saudade.

Quando o despertador tocou foi o choque total - foi tão brutal que pensei que o javali me estava a atacar por tê-lo abandonado e saltei da cama pronta a correr. Antes de me aperceber que foi tudo um sonho, ainda arranjei tempo para esta imagem me vir à cabeça:


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Ah, a Assembleia. Esse bando de bois que decide o nosso destino de cu sentado, que nos espeta uma bandarilha hipotética no lombo no meio de subidas de impostos, que nos toureia, ludibriando, abanando mantos vermelhos à nossa frente para não vermos o nosso futuro terrível.

E depois há o deputado do PSD, Luís Campos 'Olé' Ferreira, o boi mais boi de todos, o que nos dá a estocada final e nos fica a ver estendidos no chão, a apontar o dedo e a rir, tirando fotos para mostrar aos seus comparsas de cabelo à beto e sapatos de vela, como um perfeito bully da lezíria.

Quando há dias decorreu a votação para o Orçamento de Estado 2019 relativa à redução do IVA das touradas para 6% e os votos foram favoráveis, o queridinho saído da era medieval mas com telemóvel na mão - vá-se lá perceber esta viagem temporal - proferiu o seguinte:

"Aí está o Grupo de Forcados do Largo do Rato. Vai dar entrada o touro!" - e largou um "Olé", antes de pôr a tocar a música das touradas que anuncia a entrada dos touros.

Epá, que classe! Que mostra valente de respeito no palco da democracia. E que risinhos, palmadinhas nas costas, provocou, por parte dos seus comparsas de patilhas e bolsos avantajados. Não sabia que aquilo era o jardim infantil, pensava que era apenas um tacho comum.

Opiniões diferentes, todos temos. Temos de viver em comunidade, de uma forma de outra, porque estamos todos no mesmo barco, este buraquinho único que vê o sol pôr-se no horizonte. Esta atitude de adolescente reprimido que ainda não saiu do armário provoca-me vergonha alheia. Estas merdas despertam o pior das pessoas. Assim sendo, quando a mulher do senhor lhe puser os corninhos, alguém devia lá estar para lhe dar um "Olé" caridoso, ou quando o seu filhote disser que é gay, dando-lhe o desgosto da sua fútil vida, alguém devia pôr a tocar o YMCA, e um gajo vestido de latex devia sair de trás da porta e enrabá-lo. Porque tudo na vida fica melhor com banda sonora e exemplos visuais, não é?

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Não fazia sentido nenhum, não existia justificação plausível. Os "artistas" (muuuito entre aspas) tauromáquicos eram isentos de IVA, e desde que o PAN se sentou no Parlamento lutava para acabar com esta mama. Finalmente aconteceu. Apoie-se ou não as touradas, é uma questão de justiça social, e sinto um orgulho muito grande deste partido que nunca se tem calado.

No Orçamento de Estado de 2019 esta alteração já vai estar prevista. Os betos mamões que se cuidem, porque isto não vai ficar por aqui. É o povo quem mais ordena, nunca se esqueçam...


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Devido ao documentário transmitido na RTP1 (disponível aqui) algumas pessoas estão agora a acordar para a vida. Outras continuam a dormir, a olhar para o lado e a assobiar, que não é nada com elas.

Eu não vi o documentário. Não vi porque me custa, porque choro, porque faço parte de grupos de defensores dos animais e já estou farta de saber o conteúdo. Sei o que se passa, e não preciso de ver e ouvir novamente os gritos e as lágrimas destes seres.

Não sei como as pessoas conseguem dormir à noite descansadas, sabendo que a comida que aparece no prato é obtida à custa do sofrimento e da dor de seres vivos, cuja inteligência e sensiência, sabemos hoje devido à evolução científica, equivale à de uma criança pequena. Não sei como conseguem ser egoístas ao ponto de pôr o seu paladar acima do modo como se tratam os outros habitantes do planeta. É uma questão de dignidade, de respeito, de sensibilidade.

Durante o transporte, os animais são sujeitos a temperaturas de mais de 40º e a água disponível depressa desaparece. Não têm espaço sequer para se virar, vão uns em cima dos outros, pouco importando aqueles que já mal se conseguem manter de pé, que têm feridas ou lesões. Seguem assim, horas intermináveis, dias, semanas, o tempo que for preciso até chegarem ao destino. Quando o transporte tem dois andares, os animais da parte de baixo ficam cobertos de merda, o que aumenta ainda mais a sua temperatura corporal e pode dar origem a infecções. Na transladação, são pendurados pelas patas por uma grua, esperneando, levando com choques eléctricos, e gritando por ajuda que não virá. Muitos morrem antes de chegar, apenas eles sabendo a dor por que passaram. São jogados para o mar, se estiverem num barco.

Mais valia que fossem mortos à partida. Mortos em meios controlados, com anestesia, e transportados em meios refrigeados. Mas isto sai muito mais caro. E nestas coisas o lucro fala sempre mais alto. Para além disso, nos países para onde são transportados são seguidos rituais de morte próprios. Ou seja, para além de tudo o que passam na viagem, muitas vezes são mortos a sangue frio em rituais bárbaros.

Portugal é um país civilizado e não pode permitir isto dentro das suas portas. A petição do PAN para existir um limite de horas de transporte diárias e a presença de um veterinário é assim tão descabida? E ainda assim é apenas uma gota no oceano. Temos de parar de exportar para o Médio Oriente e Norte de África, simplesmente. Mas como isto escapa às leis nacionais e europeias, valem a lei daqueles países. E o lucro, sempre o lucro.

Por mais que os responsáveis joguem areia para os olhos do povo, basta estar presente num dos portos onde atracam os barcos para ver a realidade tal como ela é. A realidade é muito suja, tem lágrimas a escorrer pelos focinhos, ossos partidos, fome, morte. Não podemos ficar de braços cruzados, chega de compactuar com o sofrimento alheio. Estes animais não têm culpa da vergonha que devíamos sentir. Se não sabem o que fazer, comecem por assinar esta petição. Se querem fazer mais, procurem os grupos nas redes sociais, informem-se, a acção está por todo o lado e o maior cego é aquele que não quer ver.

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Esta mulher, que é uma política abaixo do razoável e que raramente dá uma para a caixa, deu um tiro no pé que não posso deixar passar ao lado. Para além de ser uma oportunista, de se contradizer, de ser alheada da realidade e snob, agora veio dizer que a tourada, para ela, é como um bailado.

Dito isto, só me apetece bailar na campa dela. Mas até lá tenho de analisar esta comparação de merda. Uma poia, bosta, cocó de comparação.

Ora bem. Um bailado é feito por pessoas. Por bailarinos, que passaram anos, mesmo décadas, dedicados a esta forma de arte, treinando todos os dias, passando por sacrifícios, em nome da arte. Dão o seu próprio sangue, suor e lágrimas, deixam tudo de si no palco. E não são só eles - os cenários fantásticos, o importante espectáculo de luzes, a música, o guarda-roupa, e tudo o mais - trata-se de pessoas a montar um espectáculo inesquecível para pessoas, para contar uma história através da leveza dos gestos, da beleza, da composição, do entrosamento.

Numa porcaria de uma tourada, o sangue e as lágrimas são apenas dos touros. Não há uma história a ser contada, não há ensaios diários, porque não é uma encenação. É um animal, com sentimentos, que sente medo, raiva, dor, frustração. É um ser vivo que está ali contra a sua vontade e cuja vida nunca irá terminar bem. E poderá ser ali, na arena, o local da sua morte. Pode ser em frente àquelas pessoas que pagaram para o ver desnorteado e que aplaudirão o seu sangue derramado. Soltarão olés perante a sua humilhação e baterão palmas para o ver dominado. E mesmo que o touro tenha a sorte de atingir o seu provocador de pouco lhe servirá, porque este é um jogo no qual vai perder sempre. Eles choram, as lágrimas escorrem-lhes, porque o destino deles está selado e traçado desde que nasceram.

Não, senhora Assunção, você não compare estas coisas. Porque no bailado ninguém se esvai em sangue, ninguém está ali contra a sua vontade, não se está ali por um motivo sádico e nada nobre. Não compare um espectáculo a uma tortura. Não compare arte à morte disfarçada de tradição. Não quero saber se de onde veio isto é normal - felizmente o que não era normal há 500 anos já não é, à excepção desta merda de chacina que nunca mais desaparece. Não ofenda a inteligência de possíveis votantes e da população em geral, você é uma figura pública e deve abster-se de vomitar obscenidades na comunicação social - para isso já basta o seu discurso normal. (Será que veste as calças de ganga para ir à tourada ou essas estão apenas guardadas para as visitas aos bairros sociais?)

Aqui.



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Hoje de manhã, como todos os dias, desloquei-me a um beco a uns metros do meu prédio, onde coloco ração para os gatos de rua. Hoje ia atrasada e vi um vizinho que nunca tinha visto. Um velho que aguardava a mulher dentro do carro e fez questão de sair para termos a seguinte conversa:

Velho Estúpido (VE): Meta isso no seu prédio! Tem de vir para aqui sujar a minha porta?
Eu: Eu metia no meu prédio, mas as pessoas tiram...
VE: Então tiram? Fazem elas bem! Agora não tem nada de vir para a frente do meu prédio meter o que não querem no seu!
Eu: Você nem sabe onde moro... E qual é o mal que lhe faz uma taça com ração?
VE: Não quero isto aqui! Leve isso e os bichos todos para a sua casa!
Eu: Levaria se pudesse! Isto faz-lhe assim tanta comichão?
VE: Faz!
Eu: Então olhe, coce essa micose no escroto! É por causa de pessoas de merda como você que o mundo está podre!
VE: Badalhoca!
Eu: Pois aqui a badalhoca manda-o ir foder-se pró caralhinho, está bem?

E seguiram-se mais trocas de mimos aos berros na rua enquanto me afastava. Infelizmente como estava atrasada não tinha tempo de lhe chamar mais nomes mas espero encontrá-lo novamente porque tenho mais no meu portfólio.

Já onde o meu namorado alimenta uma gata as pessoas volta e meia jogam a comida e a água para o lixo e destroem as coisas no local, já para não falar de outro Velho Estúpido específico que atiça os cães de caça contra os gatos e já conseguiu matar dois... perante a passividade das autoridades, que nada fazem apesar nas queixas apresentadas.

O mundo está cheio desta gentinha que se julga dona das ruas e do mundo. Não lhes faz impressão ver todo o lixo que está no chão, as sarjetas entupidas, os buracos nas estradas, o património destruído. Pequenos tupperwares com ração arrumados e limpos são a pior coisa para estes filhos da puta. Não suportam a ideia que hajam pessoas que queiram ajudar animais de rua, esses 'ratos que apenas transportam doenças'.

Esta cena repete-se por todo o lado, em todo o país. Não digo no mundo, porque sei que há países civilizados onde o respeito pela vida, seja ela qual for, existe. A estas pessoas, que na maioria são velhos de merda, só lhes digo que fico contente por a morte estar à espreita à esquina e espero que fiquem tão arreliados com estas demonstrações de respeito que lhes dê um AVC que os torne vegetais ou cadáveres rapidamente.

Se não gostam que outras pessoas alimentem animais de rua, não se metam e não atrapalhem. Não têm de participar, não têm de gastar dinheiro ou tempo, isso é comigo e com os outros cuidadores. Não se têm de preocupar com a limpeza do local - está garantida. Será assim tão difícil não meterem o bedelho? É um incómodo assim tão grande uma taça colocada a 10 metros das suas portas? Se colocassem essa energia toda para resolver problemas sérios, o mundo era tão, mas tão bom. Resumindo: estimo que morram!

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O homem decide abrir um restaurante / loja vegan e é imediatamente crucificado. Alguns dos comentários que vi incluem as pérolas em baixo, tudo isto num único post!:

. Ah e tal, isto vindo de uma pessoa que fez anúncios para a McDonald's...
. Que insensível! As plantas também são seres vivos! Se fosse eu a ele, comia pedras!
. A Amazónia está a ficar destruída pelo capitalismo do mundo vegan!
. Esses vegan têm a mania que são superiores.
. Mais uma palhaçada na cidade.

É triste quando um jovem empresário abre um espaço e gera ódio. Ironicamente, devido a um estilo de vida onde o ódio e a morte ficam lá fora. As pessoas não têm realmente nada que fazer. E eu também não, e por isso digo:

. Ainda bem que as pessoas mudam. A capacidade de mudança é uma das coisas que nos tornam humanos. É assim a evolução, o crescimento, a maturidade. Ainda bem que conforme crescemos e aprendemos adoptamos novos hábitos, mais responsáveis, neste caso. Eu comi carne durante 29 anos. Bendita a hora em que deixei de o fazer. Informei-me, mudei. É assim tão difícil perceber? Muitos me ouviram louvar as maravilhas do bitoque, agora ouvem-me igualmente mas em relação ao tofu. O passado é passado, aprendi com ele, ele está cá para me lembrar do que fiz mal. Evoluí. Porquê o ódio?

. As plantas não sofrem. É um argumento de merda utilizado pelas entidades que estão no topo da cadeia alimentar. Lamento desapontar-vos, mas as plantas não têm sistema nervoso e como tal não sentem. E esta, hein?

. A Amazónia está a ser destruída pela pecuária. Todos os dias são desbravados terrenos na Amazónia para se poder plantar soja para alimentar o gado (alimento que vai servir de alimento para os comedores de carne, ironicamente) e para a pastagem. A ideia de que os vegans estão a destruir a Amazónia dá-me vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.

. Os vegan são realmente superiores. Eles importam-se mais com o planeta e com o sofrimento dos animais do que com eles próprios, do que com as suas papilas gustativas. Estão a construir um mundo melhor para as gerações que ficam - um mundo que só poderá continuar a existir a médio prazo se todos mudarem os seus hábitos alimentares e de consumo.

Todo este ódio deve ser um mecanismo de defesa para continuarem a viver a vida que querem, a comer o que querem, sem qualquer remorso. Se se metessem na sua vida, já era uma ajuda. Se não espalhassem o ódio, já era uma ajuda. Mas hoje em dia as pessoas não respeitam nada, porque é que haviam de respeitar uma opção de vida com a qual não têm nada que ver? Há milhares de restaurantes "normais", lojas "normais", supermercados, onde podem fazer a sua vida "normal", mas o mundo desaba e é "uma palhaçada" quando alguém investe num pequeno local na cidade onde o sofrimento animal não entra. A carne provoca ansiedade, eu sei, mas tentem respirar fundo e deixar os outros viver tranquilamente.


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Esta montra. Não consigo perceber o que se passa na cabeça de quem encenou esta cena de amamentação com uma porca e os seus bacorinhos mortos. Achou que era engraçado? Provocador? Que era uma forma genial de chamar clientes?

Acima de tudo, é uma mãe com os seus filhos mortos. Como se estivessem a mamar, como se estivessem vivos e a alimentar-se. É mais do que sádico, é triste. E não, não se trata do choque apenas para os que não comem carne. A pessoa que a partilhou comigo come carne, e outras a quem mostrei também, e todas mostraram asco.

Matar outros seres vivos para a alimentação é uma coisa, fazer disso um circo macabro é outra. É como se uma agência funerária pusesse na montra um cadáver duma mulher com o seu bebé a mamar. "Ui, que comparação" vão dizer os que se acham os chefes da pirâmide alimentar. Para mim, são todas vidas que acabaram. Seria a promoção do negócio ao mesmo nível.

Não faça parte de uma sociedade que se vangloria perante a piada da morte. Não pague para que isto aconteça. Tratam-se de animais que está provado terem emoções e uma inteligência comparável a uma criança pequena. Já morreram para saciar o vosso palato, provavelmente em condições miseráveis; vangloriar este tipo de piadas é completamente escusado.
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Está em cima da mesa a questão de acabar com a utilização de animais selvagens nos circos. Para mim, essa prática nunca devia ter começado. Para muitos, é a indignação total. Já li coisas como:

  • "No Zoomarine, no Jardim Zoológico e nas touradas ninguém toca", por Miguel Chen (Circo Chen)
  • "E os cães e os gatos nas casas das pessoas, não estão também em cativeiro? Vão soltá-los?", por uma cota indignada
  • "Qual é a piada de ver circo sem animais?", por um agrobeto com patilhas
  • "E os animais que são mortos para a alimentação? Quando é na mesa ninguém se indigna!", por um gordo rabugento com bigode
  • "Não vejo qual é o problema, sempre foi assim!", por senhora com permanente e casaco de peles

Começando pelo início. Senhor Chen, se dependesse de mim essa merda toda acabava. Tudo o que implica tirar os animais do seu habitat natural e usá-los para proveito humano, é para acabar. Nunca devia ter começado. Se tivermos a oportunidade de acabar com isso só mostra que o humano está disposto a aprender com os erros e a corrigi-los. Sim, temos de começar por algum lado, e o seu caso é dos mais graves. Tem animais selvagens que pertencem às florestas, aos desertos, às montanhas, fechados em pequenas jaulas que transporta pelo país todo, que "ensinou" (leia-se, obrigou, por quais vias só podemos imaginar) a fazer truques, para que lhes batam palminhas e lhe encham os bolsos. Super, mega, errado.

Quanto aos indignados do sofá, os guerreiros da opinião social facebookiana:

- Os gatos, cães, hamsters, etc, que eu saiba, não são animais selvagens. Podem ser domesticados e criam laços com os humanos sem que seja necessário chicoteá-los e mantê-los em jaulas. Se comparam uma coisa com a outra são apenas estúpidos. Tentam encontram justificações onde não as há. É claro que há donos e "donos", e existem animais que mais valia estarem nas ruas do que com donos de merda, mas isso é outra discussão.

- Se a ideia de piada para si é ver dromedários a correr dum lado para o outro, ver ursos a fazer malabarismo e tigres equilibristas, sugiro que enfie um pau de vassoura no cu e vá fazer parkour para a Marina de Vilamoura vestido de panda. Alguém baterá palmas e será ainda mais divertido, para além de super in.

- Eu não como carne, mas a tentativa de comparar a necessidade de entretenimento humano à custa dos animais que passam toda a vida em cativeiro em extrema infelicidade, a matar para comer em ambiente controlado mete-me nojo. Não é que eu goste (por alguma razão deixei a carne), mas até quem tem uma opinião extrema sobre o assunto detecta a comparação de merda.

- O "sempre foi assim" é das coisas que mais me irrita. Porque a senhora escreveu aquilo no seu computador, ou no seu telemóvel, nas redes sociais, que são coisas recentes. Pensei que ela morava na caverna, porque "sempre foi assim". Pensei que andava descascada, tapada com parras nas mamocas e na xaroca, porque "sempre foi assim". Tinha foto de um carro, mas pensei que se deslocasse a pé com a sua trupe conforme as estações do ano e em busca de alimento, porque "sempre foi assim". Pensei que não ia ao cabeleireiro e à manicure e se que deixava ao deus-dará, porque "sempre foi assim". Pensei que comunicava com sinais de fumo, porque "sempre foi assim". Mas afinal quem alega que "sempre foi assim" são aqueles que mais se aproveitaram da evolução e que têm nojo de comer com as mãos e que preferiam perder um dedo do que o iPhone.

Se ainda não assinaram a petição por um circo sem animais, podem fazê-lo aqui. Vamos dar um passo em frente, aproximar-nos dos países mais evoluídos e mostrar respeito pelo planeta que nos alberga. Serão encontradas soluções para todos os animais. Por todo o mundo, eles estão a ser devolvidos à natureza por fases, e os que se encontram em situações mais críticas ficam em santuários onde podem viver tranquilamente. Podemos evoluir. Não precisamos de maltratar outros seres vivos para nosso entretenimento. Não nos podemos esconder perante o argumento da racionalidade. Isso não justifica tudo. Não somos superiores como pensamos. E todos merecemos ser livres.


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Este gajo é um autêntico atentado à democracia, ao bom senso, à evolução e a tudo o que nos faz humanos. Mas uma coisa é brincar com a própria pilinha - outra coisa é brincar com o planeta.

Já não basta vir dizer, e fazer os outros pacóvios acreditar, que o aquecimento global é um mito, como agora veio permitir que os caçadores importem as cabeças de elefante para os Estados Unidos. O Obama tinha-o proibido, numa tentativa de refrear a caça destes animais em perigo de extinção, e agora o cabelo de trampa tinha de vir fazer merda.

Os seus filhinhos riquinhos e chorões que adoram caçar devem ter chorado muito, e o paizinho lá deixou que eles possam trazer os seus troféus para casa. Porque não há nada que os faça sentir mais machos e mais poderosos do que acordar de manhã e olhar para o cadáver de um dos animais maiores do mundo. Dá-lhes aquela tesão matinal que a uns é provocada pelo mijo, e a outros pela testosterona em alta que resulta de matar um animal com as próprias mã... ups, não, com uma espingarda, a uma distância segura. Machões.

Desde 1978 que os elefantes constam da lista dos animais em perigo, mas que se foda! O único ser vivo que importa é o humano, principalmente aquele cuja masculinidade se mede pelo tamanho da pistola e que as agarra pela pussy.

Não sei se estou mais triste ou revoltada. Odeio este homem, tudo o que ele representa, todas as suas decisões de merda, mas acima de tudo, odeio que meta a raça humana - os homens, leia-se  - no topo do mundo com ele como Deus. Família nojenta, vão todos para o caralhinho que vos foda.

Notícia aqui.



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É uma notícia que passou ao lado de muita gente. O governo vai distribuir mais de 100 toneladas de açúcar para alimentar abelhas sobreviventes dos incêndios. De acordo com os comentários que li isto é impopular, porque "primeiro estão as pessoas", e não sei se ria se chore.

Para estes génios que estão em primeiro lugar no topo da evolução, informo que sem abelhas não há pessoas. E elas já estão em perigo. Logo, nós estamos em perigo.

As abelhas são as maiores responsáveis pela polinização e, logo, pela reprodução e perpetuação das espécies vegetais. São elas as maiores obreiras das florestas e das culturas agrícolas. Para os espertalhões que dizem não comer vegetais e que querem é hambúrgueres, lembrem-se do que comem as vaquinhas. Sem abelhas, não há hambúrgueres. Não há nada.

Já dizia o Einstein, esse gajo com mania que era esperto, que sem abelhas o humano desaparecerá da face da terra em menos de 4 anos. E elas já estão a desaparecer, devido às catástrofes climatéricas e ao uso de produtos tóxicos na agricultura. É mais um tiro no pé da raça humana.

Por isso, tiro o chapéu a esta medida. Para os que entendem que a prioridade devia ser dada ao ser humano, aqui está ela. Ajudar as abelhas é ajudar todos nós - a reflorestação das nossas zonas ardidas e termos comida na mesa depende destes insectos completamente desvalorizados.


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É um tema que o PAN tem em cima da mesa e que está a gerar muita confusão, porque agora uma mulher italiana ganhou um processo em tribunal para ter direito ao pagamento dos dois dias que teve de faltar ao trabalho para dar assistência médica ao seu cão.

Os sabichões das redes sociais, os reis super engraçados da opinião de cu-sentado, alegam que estão tristes porque lhes morreu uma barata e precisam de uma semana em casa para recuperar; outros dizem ainda que não andam a trabalhar para os outros serem calões; há também os que constatam que os animais são mais bem tratados que os humanos.

Pois eu digo que no mundo ideal, todos são bem tratados - animais e humanos. No mundo ideal, as pessoas têm bom senso para tomar todas as decisões em consciência; no mundo ideal, os nossos impostos serviriam para ajudar quem realmente precisa. Mas no mundo em que vivemos, tanto animais como humanos q são maltratados. Há pessoas que se aproveitam de baixas e rendimentos que não merecem. E os nossos impostos não vão parar aos sítios certos, e há muito filho da puta a viver deles.

Posto isto, sei que na mente destes reis é difícil "entrar" que os animais fazem parte da família. Para muitas pessoas, são mesmo a única família. As suas dores e sofrimentos são os nossos. E respeitar a família, e os animais, nem devia ser posto em causa.

Até hoje, nunca tive de faltar ao trabalho para dar assistência aos meus animais. Mas vai acontecer. Eles vão envelhecer, e maleitas virão. E eu sofrerei. E não vou conseguir ir trabalhar. O dinheiro é o menos. Se não me quiserem pagar o dia, vão em frente. Mas alguém ganhar este processo em tribunal é um alento para que os animais possam ser reconhecidos como a família que efectivamente são.


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“Preferia que esta fotografia não existisse. Mas já que existe, quero que chegue ao maior número possível de pessoas. O que começou como uma oportunidade para fotografar um cavalo-marinho adorável, transformou-se numa maré de tristeza e frustração à medida que a corrente trazia inúmeros fragmentos de lixo e resíduos. Esta fotografia é uma alegoria do atual estado dos oceanos.”

Fragmento das declarações do fotógrafo Justin Hofman, da SeaLegacy, à National Geographic. Não tenho mais palavras. É demasiado triste.


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Estamos em outubro e, perdoem-me o francês, está um calor do caralho. Cada vez faz mais calor e durante mais tempo, enquanto chove cada vez menos. É inevitável - vai haver uma grande seca.

Há bocado vi uma notícia de uma barragem em Viseu que só tem água para mais um mês. Também já tinha visto notícias a alertarem para o perigo da seca em todo o país, em especial no Alentejo, onde desde o verão é proibido, por exemplo, lavar o carro na rua, encher piscinas ou regar jardins. Incluindo na minha terra. É claro que ninguém cumpre, porque se estão a cagar. Enquanto houver, é para gastar.

Há muitas pessoas e animais que vão sofrer. As mortes vão acontecer. E não é lá longe, é no nosso país. Enquanto lá longe existe um senhor que diz que o aquecimento global não é real, vamos ver, bem perto, o gado a morrer, várias espécies animais a definhar, famílias sem acesso à água, ainda mais incêndios, património destruído, aumento das áreas áridas e não cultiváveis... Desengane-se quem achar que não vai ser afectado - mais dia menos dia todos o vamos ser.

E as pessoas continuam sem querer ver o óbvio. Onde é que se gasta mais água? Na pecuária. Para terem um bife de vaca de 450g à vossa mesa, foi gasta água equivalente a 6 meses de duches. 6 MESES! Esse bifinho, esse prazer tão momentâneo e efémero, custa quase 10.000 litros de água ao planeta. Não é ficção, não é inventado. É a pura realidade (pese embora as ridículas tentativas dos produtores de desmentir isto. Basta ter uma calculadora e fazer as contas à água consumida pelos animais durante a sua vida).

Assim, perante a evidência da seca, que seguramente vem aí, espero que as pessoas tomem decisões mais conscientes. Já nem digo para deixarem a carne - não estou aqui agarrada a utopias - mas porra, não conseguem reduzir o consumo para metade? Comer 2 ou 3 vezes por semana em vez de 5 ou 6? Já viram o que isso representaria em termos práticos? Seremos assim tão egoístas que o nosso prazer mórbido é a coisa mais importante do mundo? Não é um esforço assim tão grande e o impacto seria brutal. Está na hora de tomar as decisões acertadas, tanto por nós próprios como pelo resto do mundo. Senão, vamos pagar os juros mais cedo do que esperam.





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O PAN é um partido pequeno mas com os maiores e mais sinceros valores. É por eles que faço questão de ir votar. Os resultados alcançados nestas autárquicas são simplesmente históricos. Das 32 candidaturas, foram eleitos representantes em 78% dos municípios. Os que não chegaram lá foi mesmo por pouco.

Fico tocada por isto. Acredito mesmo que não há evolução se não respeitarmos o nosso planeta e os seres que o habitam, sejam animais ou humanos. É o partido do respeito, da empatia e da igualdade. E é muito mais do que aquilo que possa à primeira vista parecer aos mais cépticos - convido-os a dar uma espreitadela a um qualquer programa (fica o de Lisboa). As ideias são muito boas e abrangem diversas áreas importantes, da saúde, ao ambiente, energia, passando claro pelo bem-estar animal.

Fiquei especialmente feliz por ver que em municípios que ainda promovem tourada, a população ter dado o passo à frente e ter votado para eleger um representante com uma posição claramente contra tal barbaridade - mostra a vontade de mudar as ditas "tradições" que consomem dinheiros públicos que os autarcas dizem agradar a toda a população!

Sinto um bocadinho de alento. Sinto que as pessoas estão a começar a importar-se com mais do que com elas próprias. Sinto que querem dar voz a quem não tem - o verdadeiro sentido do PAN. Portanto, por hoje, faith in humanity restored.




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Li recentemente um livro de ficção cujo protagonista era o führer, e na história ele era vegetariano. Indaguei-me se isto podia ter algum fundamento real e fiz alguma pesquisa.

Ao que parece, Hitler sempre evitou a carne, mas deixou de a consumir gradualmente até 1942, altura em que seguiu uma dieta maioritariamente vegetariana. Existem vários relatos sobre o assunto, incluindo o da sua secretária, que alega que nessa altura ele começou a pedir refeições sem carne. A sua nutricionista a partir de 1943 revelou que não concordava com essa opção, e colocava carne nas sopas, às escondidas.

Outros relatos, como o de Albert Speer, dizem que Hitler fazia descrições horríveis do sofrimento dos animais para persuadir os seus pares de também consumirem carne. Também há o relato de uma jovem senhora com a qual teve um encontro, que foi fortemente criticada por ter pedido salsichas para o jantar...

Uma coisa é certa - Hitler era apaixonado pelos animais. A sua cadela Blondi era por si muito adorada, e sempre mostrou compaixão com os animais no geral. Ele até tinha a ideia (correcta) de que a população iria crescer desmesuradamente, criando problemas na gestão dos recursos naturais e achava que tinha de ajudar a repor esse equilíbrio, eliminando as "raças" humanas mais fracas.

Portanto, Hitler evitava mesmo a carne. Talvez não o possamos chamar de vegetariano, mas certamente havia a intenção e o apregoar das suas vantagens. Este homem, responsável pela morte de milhões, não fazia mal a uma mosca, literalmente. Assar judeus, claro que sim, mas a natureza é sagrada!

Será que por odiar tanto os humanos, respeitar os animais e não comer carne, tenho um pouco de Hitler em mim? O que separa um louco de uma pessoa "normal" é passar do ódio às acções...







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Vamos admitir: quem tem gatos sabe perfeitamente que são eles os reis da casa. Tirem o cavalinho da chuva - podem ser vocês os seus 'donos' mas servem apenas para os servir. Aquelas ingratas bolas de pêlo fofinhas. E por isso, a Made for Pets criou esta cama para felinos inspirada no Game of Thrones. Faz sentido, já que eles são os protectores dos Sete Reinos da casa, livrando-nos de insectos e afiando as unhas nas visitas indesejadas.

Olha lá que majestosos eles ficam. Escolhi esta foto porque o gato é igual ao meu gordinho, e claro, tal como o meu gordinho, foi rapidamente expulso.

 



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Olhó pequeno pug fresquinho! Feito em ponto cruz, disponível e prontinho a entregar a novo adoptante numa moldura cor de rosa bebé 10x15cm.


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Kasatka morreu no passado dia 15 de agosto. Foi finalmente eutanasiada - estava doente desde 2008. No entretanto, foi usada como parideira e como entretenimento mórbido para quem a quisesse ver no SeaWorld de São Diego.

Foi capturada muito jovem - mal teve tempo de conhecer o oceano. A sua casa. De onde os humanos sedentos de dólares a tiraram sem se importarem minimamente com o seu bem-estar. Passou do interminável oceano, cheio de sal, espaço, alimento, liberdade, para um tanque. Teve filhos, e foi-lhe administrado Valium para aguentar a perda dos que foram transferidos para outros tanques...

Quem pagou bilhete para a ver, e às outras orcas, no SeaWorld, alimentou uma das indústrias mais negras - a do cativeiro. A que, por meros minutos de entretenimento, priva os animais de uma vida em pleno. Em nome do dinheiro, apenas e só. É apenas mais um passo na direcção da destruição do planeta - das espécies, dos habitats, e da alma humana. Os animais não estão no mundo para nos arrancar umas palminhas, e isto tem de acabar.

Quem leva as criancinhas ao Zoomarine ou aos espetáculos de golfinhos do Jardim Zoológico está a fazer precisamente o mesmo. Para vossa informação, os golfinhos não estão a sorrir. Assim parece, mas é apenas a sua fisionomia. Eles pertencem aos rios e aos mares, e vivem numa piscina. Desenganem-se os que pensam que ali eles são felizes - são apenas escravos. Podem argumentar que são bem tratatos, alimentados, que têm os cuidados de saúde de que necessitam, que para eles vai dar ao mesmo. São prisioneiros, palhaços aquáticos num circo falso que só faz feliz o estúpido humano.

Respeitem a natureza, respeitem os animais, respeitem o planeta. Não colaborem com uma indústria que, como todas as outras, só quer o vosso dinheiro. Só que aqui estão vidas em jogo. Vidas de quem não quer ter nada a ver com a nossa sede de poder.

Descansa em paz, Kasatka, e todos os animais que morreram às nossas sedentas mãos, em cemitérios coloridos disfarçados de sorrisos.
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Milhares de adeptos nos estádios e muitos mais em frente à televisão. São muitos olhos postos nos jogos que acontecem em todo o mundo. Espetar com animais fofinhos por essas casas adentro é uma forma excelente de desenvolver empatia e de servir de mostruário a animais que precisam de uma família.

E com isto em mente, o clube chileno Colo-Colo entrou em campo com cães que aguardam adopção. É mais do que louvável, é necessário. É destas atitudes que o mundo precisa. O futebol move tantos sentimentos (e muitos negativos e agressivos) e esta é a forma certa de começar um jogo - com lambidelas e a promover amigos para toda a vida sob os holofotes e câmaras.

Acredito num cenário em que as causas terão um lugar efectivo no desporto, onde as pessoas veem nos atletas heróis e exemplos a seguir e onde a alta exposição e divulgação é inevitável. Entrar em campo com crianças pela mão é muito giro, mas é só. Isto é necessário, é serviço público. Palmas e obrigado ao Colo-Colo!

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