Palavras do Abismo


Já passaram vários dias desde o lançamento da campanha e provavelmente já toda a gente viu, mas há que enaltecer e parabenizar a Comunicação do Benfica, mesmo com atraso, na campanha do clube cujo mote é "Seja a família como for, o importante é haver amor".

No vídeo, vemos várias famílias - pais e filhos, casais sem filhos, famílias com mãe e mãe, ou pai e pai, com avós, padrastos e madrastas, famílias grandes, pequenas, interaciais - mostrando o que devia ser óbvio para todos - cada família é válida e é única.

Num mundo em constante luta contra a discriminação, é bom ver um clube grande e com expressão mundial a fazer este tipo de campanha, que chegue a milhares de pessoas, e que expresse os valores de vários tipos de igualdade. Deixa-me um fiozinho de orgulho, uma réstia de esperança.

É claro que este tipo de comunicação arranca sempre diarreia mental de alguém, e vi comentários do género "ainda bem que não sou deste clube de panascas", e coisas piores, mas que fazer? Há atrasados mentais em todo o lado, especialmente nas redes sociais, escondidos atrás de um ecrã, masturbadores que ficam com pau com a sua própria graça e perspicácia.

Que não nos deixemos de lembrar desta mensagem. Somos todos diferentes - temos o direito à diferença - e não nos podemos deixar atingir pelas larvas da sociedade que se alimentam do desprazer alheio. Que cada um viva a vida à sua maneira e que respeite o próximo - só isto bastaria para o mundo fosse altamente.

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Este "senhor" que se julga Deus, dono da razão, e detentor de todo o conhecimento sobre a mente e corpo humanos, diz o seguinte:

"Vi um documentário aterrador. O pior que se pode ver antes de ir para a cama. O documentário era sobre um transexual. (...)

Depois da operação, entrevistavam o fulano que se queria transformar em fulana. Numa voz estranha, deu umas respostas que tornaram óbvio estarmos perante uma pessoa débil mental. Dizia umas patetices. Mostrava-se ansioso por se tornar uma mulher. Mas aí eu pergunto: se em vez de lhe operarem o corpo para se parecer com uma mulher, por que não optaram por tratá-lo psicologicamente para adaptar a mente ao físico que realmente tinha? (...)

Depois cortou o pénis, explicando que ia aproveitar uma parte deste para fazer o clítoris. Neste ponto, não consegui ver mais e mudei de canal. (....)

Se a sua cabeça já era confusa, tornar-se-á muito mais confusa depois da operação. Nunca poderão ter uma vida familiar normal: não podem ter filhos e qual é o homem que se vai casar com uma mulher que já foi um homem? Só por caridade alguém condescenderá em fazê-lo. (...)

Se um homem pensar que é uma galinha, os médicos não vão transformá-lo em galinha."

Podem ver o texto na íntegra aqui.
 
Bem. Aterrador é ainda existirem pessoas assim. Pessoas que acham que querer mudar de sexo, sentir-se no corpo errado, é doença mental, que se resolveria com uma terapiazinha, provavelmente com uns choques eléctricos. Ou prendê-los, abrir-lhes os olhos com uns palitos, e obrigá-los a ver cenas entre um homem e uma mulher - todos no corpo certo - a cupular, como deus manda.

Aterrador são estes velhos do restelo acharem que a normalidade é apenas aquilo que conhecem, aquilo que a sociedade lhes disse que era normal e que eles aceitaram sem dizer ai nem ui; é não admitirem que as coisas não são lineares, não são a + b, que o universo, e a mente, o cérebro, os sentimentos, as emoções, não são uma fórmula matemática.

Aterrador é chamar de débil mental a quem, numa atitude corajosa que ele nunca saberá o que é, mostrar ao mundo que não temos de ser infelizes, que devemos perseguir o que desejamos, viver na pele que queremos, que não temos de ficar presos uma vida inteira às convenções e à tal "normalidade" que nos impingem.

Aterrador é dizer que ninguém vai querer uma pessoa assim. Assim como? Que foi em frente quando existem pessoas como o senhor arquitecto que acham que deviam ter estado quietinhas? Que cumpriram o seu sonho? Que decidiram ser felizes? E por não poderem ter filhos, são pessoas incompletas? O objectivo primordial da espécie é parir? Gostar de nós próprios, não conta para nada?

Aterrador é comparar um homem ou uma mulher que estão a cumprir um sonho, num processo custoso, longo, demorado e controverso, em que muito provavelmente foram criticados e ostracizados pelo mundo inteiro, com a pretensão de ser uma galinha...

Aterrador é partilhar este planeta com pessoas cuja mente ficou presa no séc. XIX e que ainda se auto-intitulam de liberais. Se cada um se metesse na sua vida, isso é que era bom. Se deixassem os outros serem felizes da maneira como são, se aceitassem a diferença, o mundo era um lugar bem melhor. Se vos faz impressão, ignorem, deixem-nos ser. A indiferença é melhor do que a promoção da opinião odiosa.

Aterrador é você, senhor arquitecto. E se não fosse essa tacanhez e pequenez, não teria essas trombas.



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Wes Goodman era um legislador do Ohio, de direita, defensor dos valores tradicionais. Argumentava, por exemplo, que o casamento só deve acontecer entre um homem e uma mulher; declarava-se um cristão conservador; era contra o aborto, obviamente; emitia frequentemente opiniões anti-LBBT. Um gajo às direitas, republicano, impecável no seu fatinho bem passado a ferro e com o seu cabelo lambido, com aquelas fotos de família capazes de constar nos melhores calendários de Natal.

Mas claro, como podem adivinhar, no melhor pano cai a nódoa, e foi apanhado no seu escritório a levar no rabinho. É assim queridos, quem tanto desdenha normalmente quer comprar. Quem tem opiniões tão extremas acerca da sexualidade dos outros, é porque não deve estar muito seguro da sua. Vai-se a ver, e o senhor gostava de contactar jovens rapazes do partido, pelo Facebook, chegando a mostrar a sua verga pelo Snapchat.

Renunciou ao cargo por conduta inadequada, fechou o seu site (onde se podiam ler as suas ideias conservadoras que foram pelo cano abaixo) e agora deve estar a chicotear-se por não ser um exemplo de masculinidade heterossexual.

As pessoas deviam estar mais vezes caladas, porque o karma é fodido.

Mais no Independent.

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Ora já devem ter percebido, se estão atentos às notícias, que a Justiça brasileira consentiu que os psicólogos possam tratar a homosexualidade como uma doença... estando autorizados a realizar terapias de reversão sexual, sem censura ou licença prévia.

Em 1999 a Organização Mundial de Saúde, ou seja, há quase 20 anos, deixou de considerar a homosexualidade como doença. Isto é, portanto, um grande passo atrás.

Estas pessoas da "justiça" são realmente muito estranhas. Porque o que é doença é ter um cérebro tão pequeno que não cabe nada de novo desde o século passado. Doença é estar preso a convenções parvas. Doença é ser tacanho de espírito e fechar a porta à abertura e à igualdade. Doença é não aceitar que os outros podem ser diferentes de nós. Doença é achar que ser gay é uma escolha ou uma patologia. Doença é achar que o amor só pode acontecer entre um homem e uma mulher. Muitas coisas são doença, mas amar alguém do mesmo sexo não é uma delas.

O que vale é que o povo brasileiro tem um sentido de humor invejável e as palavras, tweets, piadas, fotografias, montagens, não faltaram. Ficam alguns exemplos. Porque #HomofobiaÉDoença







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Com uma simples "frase" postada no Facebook de um perfil de apoio ao fim das touradas, um acéfalo provou que:

1 - é um sádico que adora tortura
2 - é o típico agitador de cu sentado no sofá
3 - é um burro do caralho que não sabe escrever
4 - é um preconceituoso inútil, o que não me surpreende porque decerto vive no séc. XVI como demonstrado no ponto 1.

Gostava que fosses um "homemsexual", mas és só um inútil de merda. Espero que te enfiem um corno no olho do cu - isso é que seria uma festa muito brava.


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Duas alunas foram vistas a beijarem-se nesta escola. O escândalo, o horror. Um "comportamento perturbador", nas palavras dos funcionários que viram e que foram fazer queixa à direcção da Escola Secundária de Vagos.

As raparigas foram chamadas e foi-lhes dito que não podiam proceder mais a esse tipo de comportamento, sob pena de surgirem consequências. Ora essa ameaça que, em pleno século XXI faz tanto sentido como a existência de touradas e a tortura de animais em festas da terrinha, foi retaliada exemplarmente pelos alunos da escola.

Movidos pelo sentimento de empatia e de injustiça, organizaram um protesto. Fizeram cartazes, entoaram palavras de ordem, fizeram vídeos que espalharam pelas redes sociais. Porque eles sabem o óbvio - que a orientação sexual não se escolhe, e ao contrário do que acontecia nas gerações anteriores onde tudo era reprimido, não faz sentido esconder, como se fosse uma doença contagiosa e motivo de vergonha.

Agora, todos os alunos envolvidos nesta mostra de amizade e contra o preconceito vão ser alvos de processo disciplinar. Porque faz todo o sentido castigar os jovens que, não fazendo mal nenhum a ninguém, mostram espírito de união contra aquilo em que acreditam.

Muito isto nos diz, especialmente quando são os mais novos o exemplo e motivo de orgulho. Espero que os pais deles vejam este acto exactamente com orgulho, porque estão a criar como deve ser as próximas gerações, as mentes que se querem abertas e a lutar por causas e pela igualdade de direitos.

Parabéns a estas alminhas! Vocês são fantásticos!

Via Sábado.





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