Palavras do Abismo

Andava eu numa fase confusa da adolescência, em que não sabia se gostava mais de Backstreet Boys ou de Metallica, quando os The Prodigy se meteram lá pelo meio e deram-me novos horizontes. Abriram caminho por mim adentro com um poder que não consegui controlar, numa cena musical que na altura foi completamente inovadora. Suspirei muito com a imagem do Keith Flint. Aquela bola de fogo pronta a explodir, extravagante, enérgica, toda aquela imagem rebelde - aquele cabelo característico, todos aqueles piercings e tatuagens que me tiravam do sério e que, obviamente, influenciaram os meus gostos e aquilo que sou. Desde aquele tempo até hoje que os The Prodigy são uma das minhas bandas favoritas e o Keith é uma das figuras que tenho seguido como a um ícone.

Tive o prazer de os ver ao vivo, bem pertinho de mim, um par de vezes. E repeti, a quem me ouviu falar, que foram concertos de uma vida. Inesquecíveis. O corpo, sem pedir licença, dá o que tem e o que não tem porque eles fazem o que querem com os nossos invólucros. A sensação de esgotamento feliz e loucura ainda toma conta de mim quando penso na última vez que os vi.

Raio de geração amaldiçoada. Brilhante, demasiado brilhante para um mundo demasiado merdoso. Viver uma vida longa não é para todos e a sua escolha foi feita. Privou o mundo de si mesmo, e por isso, nós, fãs, ficamos coxos, numa obscuridade de incompreensão que prevalecerá, porque, garanto, nunca sabemos o que vai na cabeça sequer na pessoa que está ao nosso lado neste momento. Só sei que quando chegarmos ao Inferno teremos uma banda sonora do cacete.

Vemo-nos por aí, Firestarter.


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Há pouco vi esta notícia e achei maravilhoso.

O mecânico norte-americano Cross Scott, de 21 anos, viu uma mulher inanimada dentro de um carro, prontificou-se a partir o vidro para a ajudar e, vendo-a sem resposta, iniciou o processo de reanimação cardiorrespiratória. Ora o moço, sem formação alguma na área da saúde ou de suporte básico de vida, lembrou-se de um episódio do The Office, em que se faziam justamente uns exercícios de reanimação, e onde foi dito, pelos vistos acertadamente, que o ritmo ideal para comprimir o peito é ao som do “Stayin’ Alive” dos Bee Gees.

Então, entoou a canção e vá de bombear ao som da mítica canção de 1977, e não é que a senhora voltou a si momentos depois? Isto é fantástico em tantos sentidos. Em primeiro lugar, sinto-me muito melhor porque o vasto tempo que passo a ver séries pode não ser em vão... Depois, imaginar o homem a tentar salvar a mulher cantando "AH AH AH AH STAYIN' ALIVE, STAYIN' ALIVE" dá-me uma vontade de rir do caraças. E, deus meu, a ironia do nome da música! E, finalmente, porque revi um momento mítico desta série que é uma das melhores de sempre. Michael Scott forever!

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Fui ver o Bohemian Rhapsody ao cinema e saí de lá feliz. É claro que sou suspeita - os Queen são uma das minhas bandas favoritas de sempre e o Freddie Mercury é um dos mais importantes heróis que carrego junto ao peito desde criança, graças aos gostos musicais do meu pai.

Nunca seria fácil fazer um filme sobre um tema que todos conhecem, com músicas que já todos ouviram, com uma história de vida que tem sido explorada e mediatizada há décadas. Quem quer que pegasse neste filme, fizesse como fizesse, seria criticado. E é o que tem acontecido. A crítica diz, por exemplo, que este filme representa os Queen versão Disney, ou que o Rami Malek faz playback (a sério, queriam que o homem cantasse como Freddie?), e ainda que há erros temporais na narrativa. Até os há, mas às vezes, quando se realiza um filme sobre várias vidas e se tem de colocar décadas em 2 horas, torna-se necessário. E se Brian May, guitarrista dos Queen e produtor do filme, concordou com a apresentação dos mesmos, acho que o mero espectador poderá dar um pouco o braço a torcer e aceitar.

É claro que o grande trunfo do filme é a música. Ela fala por si, e aliada a um supremo Rami Malek que, vê-se a léguas, se preparou para o papel de Freddie de alma e coração, apresenta-nos as histórias de como as grandes composições surgiam, como as ideias nasceram, como a banda as defendeu, e como Freddie as suava por todos os poros.

Não considero, ao contrário do que a crítica também apontou, que a sexualidade de Freddie tenha sido demasiado explorada, até porque o maior ênfase foi dado à sua relação heterosexual com Mary Austin - o amor da sua vida, como não se cansava de repetir - e que foi muito importante como rampa de lançamento e inspiração de um Freddie a quem faltava confiança e amor fraterno.

Mais do que uma biografia musical, o filme transporta consigo muitos valores, como a amizade profunda que uniu os membros da banda, ou o valor do trabalho e da preserverança que os fez bater o pé tantas vezes a quem os desacreditava. Também a solidão, o desapontamento, a falta de esperança, de visão, as más influências, a voz do dinheiro, têm papel preponderante.

Resta referir que, pela primeira vez em muito tempo, esteve-se bem num cinema cheio. Sem interferências, conversas paralelas, risadas parvas, este era um público realmente interessado e completamente imerso no que estava a ver. Ouviam-se alguns bateres de pés ao ritmo da música, alguns a murmurar as canções baixinho, até algumas fungadelas, mas isto diz muito acerca do filme que é, das horas de entretenimento que apresentou e do engagement que provocou. Podem ir ver, à confiança!

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Hoje é um daqueles dias em que uma pessoa não sabe se há-de rejubilar por dentro porque duas das bandas favoritas vão parar em terras lusas, ou se há-de baixar as calças e apregoar o pito aos sete ventos, numa tentativa de o alugar temporariamente de modo a compôr a carteira.

Esta tarde, com apenas alguns minutos de diferença, foram feitos dois anúncios que me puseram a suar as virilhas: os Slipknot vão ao VOA dia 4 de julho e os Tool ao Pavilhão Atlântico, no dia 2 desse mesmo mês. Uma semana dos infernos, portanto, que convém aos meninos e meninas apreciadores das sonoridades mais pesadas, em duas bandas carregadinhas de experiência.

Sendo que já tinha hipotecado a alma para comprar o bilhete para Metallica e Ghost, concerto que irá acontecer em maio, resta-me, como referido, alugar as partes podendas ou aguardar um milagre, porque, senhores, estamos ainda em outubro e 2019 já se está a compôr desta maneira. Valha-nos Satanás e o facto de irmos a tempo de pedir ao paizinho ou à avózinha a prenda de Natal...


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Aqui está uma prendinha engraçada para um fã de uma das mais populares bandas de heavy metal do planeta! Acabado com um bastidor de 13cm de diâmetro, em bambu, está pronto a pendurar. Disponível para encontrar novo dono :)

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Os Belako são uma banda que apareceu pelo meu Spotify. Ouvi algumas músicas e achei a sonoridade bastante agradável, com influência palpável dos anos 80 e que faz lembrar um pouco Joy Division, Sonic Youth ou The Clash. Tudo coisas porreiras, portanto. Estão algures ali entre o rock indie e o post-punk e dão vontade de tirar o pé do chão à primeira audição. Prometo.

Fiquei bastante surpreendida quando percebi que são espanhóis. Não é muito normal os nuestros hermanos exportarem este tipo de som, mas também os meus conhecimentos são muito limitados e provavelmente estou errada. Decerto a minha estranheza deu-se porque falam bom inglês... Foi uma boa descoberta, de qualquer maneira.

É claro que não podia deixar de destacar uma banda cuja voz principal é de uma mulher. Supreendemente, não me irrita. A voz de Lore Nekane Billelabeitia salta directamente para o meu parco repertório de gajas que suporto ouvir. Embora, atenção, toda a banda participe nos vocals. Mas gosto mais dela. A música em baixo é para ouvir de olhos fechados.

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Para mim o Natal é um bocado difícil de suportar. A época não me diz nada mas pelos meus pais faço o sacrifício de aturar a família durante 24 horas. Por entre arrufos entre alguns membros, perguntas e mais perguntas sobre como ainda estou viva apesar de não comer carne ou porque é que não casei e não tenho filhos fazem-me ferver.

Depois de ler isto, a minha esperança é outra. O Toy é grande, a pôr a família toda mocada na noite do menino jesus. Até a avó marcha o porro. Grande ideia! Assim ninguém se chateia e ficariam demasiado ocupados a pensar na morte da bezerra para me fazerem perguntas inconvenientes. Mesmo que não alinhem, mais fica, para que eu consiga aturá-los com um sorriso parvo no rosto.

Piadas à parte, ele tem muita razão no que diz. A aura terrível que envolve a canábis tem de ser desmistificada. O álcool é uma verdadeira droga e encontra-se em qualquer supermercado, café, restaurante, estação de serviço, à mão de semear. E a canábis, uma planta com poderes curativos e sedativos, 100% natural, que nunca matou ninguém, é pintada como um monstro. Enfim, é uma grande ameaça à indústria farmacêutica... Compreende-se. Resumindo, Toy a presidente!

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Do Cardeal Copia.

 

Ou do Papa Emeritus


Ontem à noite, num concerto dos Ghost nos Estados Unidos, um fã caiu inanimado, e depois das tentativas de reanimação acabou por falecer. O resto do concerto foi cancelado (e havia pessoal indignado com isso!). É uma situação horrível, mas se é para morrer, eu escolho morrer assim. Ao pé do meu Papinha querido. Com entrada garantida pelos caminhos da luxúria pelo Inferno adentro e a segurar a mão do meu alto dignatário do descanso eterno nas trevas. Amén.
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Ninguém é perfeito. Muito menos o inglês da Catarina Furtado. Escolhê-la para apresentar o festival da Eurovisão foi um tiro no pé. Apesar de a mulher ser agradável à vista, isso não chega para não parecer que é uma russa a tentar falar inglês, completamente embriagada e sem horas de sono.

Ontem à noite passei na RTP e fiquei estupefacta. Cinco minutos bastaram para ficar de boca aberta e sentir a vergonha alheia. Por muito boa profissional que ela seja e ninguém o discute, não é admissível que não se perceba um cu do que ela está para ali a tentar dizer, desviando as atenções do que é realmente importante - a música -, tornando-se um motivo de chacota a nível europeu.

Se o problema fosse só a pronúncia não seria tão mau - ela chegou a dar calinadas na conferência de imprensa quando fugiu ao script e começou a falar das suas causas pessoais. Foi a Daniela Ruah que interveio em seu auxílio, especialmente na situação mais grave onde a Catarina disse que as mulheres eram as mais fracas - "Women are the weakest person in the world". É claro que não era isso que ela queria dizer, mas é um erro ao nível da escola primária e que incendiou os fãs do certame. Podem ver aqui a conferência, e reparem no reparo, passe a redundância, lá para os 18 minutos.

Não se fizeram tardar os comentários que dizem, entre outras coisas, para ela se preparar melhor em vez de ir para o solário, e perguntam onde arranjou esta cunha. Como mulher estudada, viajada, e até embaixadora da ONU, não estava à espera desta lacuna.

Mais uma vez, ninguém é perfeito. O meu inglês não é perfeito (embora seja melhor que o dela), mas eu não sou paga para apresentar um festival visto por milhares ou milhões de pessoas pela Europa fora. Acho que percebermos o que a pessoa está a tentar dizer será o mínimo indispensável. Compreendo a cena de ter quatro mulheres a apresentar um evento desta dimensão, mas senhores, às vezes menos é mais.

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A Islândia tem uma população que nem chega a metade do distrito de Setúbal (a baixa densidade populacional é um dos seus atractivos) mas porra, parece que tudo o que vem de lá é de excelência.

Depois da Björk e dos Sigur Rós, eis que me são apresentados os Sólstafir - mais uma vez o Spotify a fazer o jeitinho e a acertar na mouche. Foi amor à primeira audição. Sim, porque isto no amor nem temos de falar a mesma linguagem para nos entendermos. Não percebo uma porra do que dizem, mas isso não foi impedimento para me arrepiarem a espinha.

Eles existem desde 1995 e é pena que só os tenha conhecido agora. Quer dizer, já tinha ouvido algumas coisas aqui e ali, mas não lhes tinha dado a devida atenção. Foi com esta música em baixo, Ottá (que signigica 'medo'), que me conquistaram definitivamente. Parece que trazem agarradas à voz e aos instrumentos a beleza interminável das paisagens da Islândia, o poder crescente do fogo dos vulcões e a melancolia saudável do gelo infinito. É um daqueles casos que o sítio de onde são é palpável e até visível através da audição. Mais em baixo, outra música do mesmo álbum e com imagens que talvez ajudem a ilustrar esta influência que não consigo colocar melhor em palavras.

Eles são muito versáteis - até começaram por ser uma banda de heavy metal, mas agora estão mais numa onda de post-rock. Convido-vos a ouvir e a seguir nesta viagem onde serão transportados para longe, sem pagar nada.


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Ontem foi noite de ver os Machine Head no Coliseu de Lisboa. Eles avisaram que seríamos apenas nós e eles - sem bandas de abertura, uma setlist extensa que abrange toda a carreira, tudo para tornar a noite uma grande festa. E foi, absolutamente.

Foram horas a dar tudo - nós e eles. Nós, cá em baixo, libertando testosterona (sim, eu até eu!), suor, berros, energia, tornando-nos frequentemente numa bola negra perfeitamente sincronizada e caótica. Eles, uns gajos porreiros que estão nisto há décadas, que fazem o que fazem quase de olhos fechados e que são dos músicos mais profissionais que existem e fazem-nos frequentemente sentir especiais.

Não é para meninos - é dos concertos mais energéticos de sempre. Está-se ali para exorcizar demónios, e isso não se faz de braços cruzados. Contudo, tal como é prática corrente nos concertos de metal, o companheirismo e respeito são palavras de ordem que também fazem parte da magia e do orgulho de pertencer a esta classe, os metalheads.

Que voltem assim que quiserem e puderem, que iremos sempre recebê-los de braços abertos, nódoas negras, e o sorriso mais sincero no rosto.










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Logo dos The Beatles bordado em branco sobre quadrilé preto, colocado em moldura preta tamanho 20x15cm e com 3cm de espessura. Disponível para encontrar dono(a)! :)


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A Michelle apareceu-me nas sugestões do Spotify, que como sabe que gosto pouco de ouvir gajas, apenas me sugere as melhores. Michelle é uma das melhores. Imediatamente fez-me lembrar uma versão feminina do Leonard Cohen, e só pela lembrança saudosa do falecido já me soube pela vida. Não se pode dizer que a sua voz é rouca, mas também não é limpa nem cristalina - se o fosse não estaria aqui a ser mencionada. É assim para o entaramelado, ali algures entre o estar bêbeda e num estado medidativo, mas atento, com algo de masculino.

As suas músicas são simples, a atirar para o melódico e carregadinhas de uma melancolia dark apenas impulsionadas por teclado, guitarra e sintetizador, num estilo a que chamam slowcore rock e lo-fi pop. Ela, no seu site, diz-nos que as suas canções são trágico-cómicas, melódicas, sentimentais, e com uma sombra de glamour. Caracteriza o seu mais recente álbum como mantendo a tradição do realismo negro combinado com humor em baladas íntimas entregues com letras cortantes e fatalistas. Vá, eu concordo com tudo.

Pelos vistos a senhora é bastante conhecida na Europa de Leste. Ela é Canadiana, mas os seus pais são emigrantes russos e, tendo o Russo como primeira língua, admite que as suas maiores influências são de lá. Até emprestou as suas músicas a alguns filmes feitos no Leste. O seu background até é cinematográfico - trabalhou 10 anos como realizadora antes de enveredar pela música. Este gosto pela imagem está patente nos seus trabalhos, nos videoclips, nas capas dos discos, nas fotografias.

Esta "Party Girl" foi a tal música que me apareceu primeiro no Spotify e que me levou a entrar no estranho mundo de Michelle. Teve uma capacidade imediata de me acalmar, e só por isso é de valor.

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Não sei quantas vezes já os vi. Venham cá as vezes que vierem, irei sempre vê-los. Ou até deslocar-me lá fora, como já fiz. Irei, mesmo que venham com as muletas e em cadeira de rodas. Porque foram a primeira banda de metal que ouvi - a partir do momento em que me emprestaram o Black Album na escola a minha vida nunca mais foi a mesma. Foi por eles e através deles que o metal se apoderou de mim e fez de mim a pessoa que sou hoje. Foram a porta de entrada para um mundo do qual me orgulho de pertencer, onde se encontra muita da família que eu escolhi. Foram a chave para um modo de vida que me assenta que nem uma luva. Foram essenciais para me descobrir.

Ainda mal tinha maminhas e já sonhava vê-los de perto, tinha fantasias com o James e os cadernos da escola preenchidos com juras de amor eterno. Se eu dissesse a essa adolescente que iria tê-los pertinho, pertinho, pertinho, ali ao alcance de alguns braços, ela iria salivar e chorar baba e ranho.

Irei vê-los sempre. E ontem fui. Desde a última vez que os vi têm o cabelo mais branco e alguns quilos a mais. Eu também já tenho alguns brancos, e uns quilos a menos. Todos mudámos, mas somos exactamente os mesmos. Eles continuam a ser uns putos que sabem o que estão a fazer e que se divertem em palco. Eu continuo a olhar para eles com aquele brilhozinho nos olhos. O público continua a esgotar os lugares por onde eles passam. Eles continuam a gostar de nós, de tocar para nós, e a dizer que somos o melhor público do mundo. E às vezes até acho que somos.

A empatia entre Metallica e Portugal é velhinha mas bem firme. É uma história de amor que acredito que só acabe quando todos morrermos - nós e eles. Eles mudaram o mundo, mudaram a música, e quer gostem deles ou não, quer já estejam fartos ou não, terão de admitir que a música é o que é hoje porque eles existem.

Quanto ao concerto de ontem. Os jovens que ponham os olhos neles. Um palco no meio do recinto - proporcionando uma grande proximidade - uns quadrados por cima do palco a passar vídeos que contam histórias e uns pequenos drones que apareceram por lá para dar uns efeitos foram as únicas coisas necessárias para um espectáculo do caraças. Não estou a criticar as bandas que andam com uma parafernália de coisas atrás, camionetas de luzes, efeitos, confetis, realidade aumentada - cada um faz o que quer e cabe tudo na definição de espectáculo - mas há qualquer coisa na simplicidade que nos liga mais à música e uns aos outros.

Terem tocado Xutos e dedicado o momento ao Zé Pedro. Eles não tinham de o fazer. Andam por cá desde antes de eu nascer. Nem precisam de tocar para viver. E no entanto dão-se ao trabalho de aprender músicas locais e de saber mais sobre as bandas dos países que visitam, e isso para mim é humildade. Ser uma das maiores  bandas do universo - senão a maior - e fazê-lo, torna-os ainda maiores.

Irei sempre. E ficarei com saudades deles, todas as vezes.










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Há uns tempo atrás escrevi aqui sobre a Dolores O'Riordan, e citando as minhas palavras:

"É uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar no mundo, e penso ser a única mulher de quem posso dizer isso."

Tendo em conta a minha preferência machista por vozes masculinas, a Dolores era uma das poucas excepções. Acho mesmo que foi a única voz feminina que ouvi desde a adolescência até aos dias de hoje. Felizmente tive a sorte de a ver ao vivo antes da sua súbita morte, a esta hora ainda por explicar.

Tenho pena, mesmo muita pena. Era um talento do caraças e tinha ainda muito para viver. Mulher forte, arrojada, líder, única, com personalidade, e cheia de rock para dar.


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Considero o Paulo Furtado, aka, The Legendary Tiger Man, um dos melhores músicos não só nacionais, como internacionais, e acho que tem sido subvalorizado ao longo da carreira, que já vai bem longa. Se ele tivesse nascido noutro país acredito que reconhecimento não lhe faltaria.

O seu último trabalho, Misfit, foi lançado há alguns dias e depois de o ouvir em loop durante algum tempo posso dizer que gosto imenso. Tem uma boa vibe, com muito, muito, rock n' roll e com aquela vertente blues que ele tão bem incorpora. O álbum foi gravado no Rancho de La Luna, no deserto californiano, e se fechar os olhos consigo sentir a vibração árida desértica muito facilmente. É um disco com personalidade, profundo, mas que nos faz mexer bem à superfície. É impossível ouvi-lo parado.

Pela primeira vez, Paulo Furtado deixou de ser one-man-band e contou com a participação de Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone. O resultado é amplamente positivo. Se tivesse de escolher uma faixa seria provavelmente a primeira, Motorcycle Boy, que é uma introdução pujante que nos põe imediatamente a bater o pé. Infelizmente não tem videoclip, e deixo aqui a também belíssima Fix of Rock'n'Roll.

O álbum ainda não foi lançado fisicamente mas pode ser ouvido gratuitamente nas plataformas digitais, incluindo no Spotify.

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Tenho esta moldura fofinha disponível para um fã do grandioso David Bowie. Tamanho 9x13cm, bordada em ponto cruz, com o seu famoso raio e Rebel Rebel, uma das suas mais famosas músicas.

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Não sei porquê, nunca tinha ido muito à bola com os franceses Gojira. Até que me apareceu uma música no Spotify, qual virgem santíssima que me fez ver a luz. Essa música, "Stranded", é a mostrada em baixo.

Não é uma música tão pesada com o restante repertório da banda. A voz surge "limpinha" e a cadência rítmica repete-se melodicamente e o refrão os riffs progressivos calham que nem ginjas. Quanto à letra, adoro-a. É uma forma de amor sem nunca dizer "amor", muito simples, negra e marcante.

Por causa desta música tenho ouvido mais da banda e agora estou com vontade de os ver ao vivo. Já cá vieram e podia ter-me lembrado disso mais cedo, mas é a vida. Hão-de voltar.

Enjoy!



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O álbum novo do Marilyn Manson, "Heaven Upside Down" é um bebé de duas semanas que já tive oportunidade de ouvir umas quantas vezes. Não me entrou imediatamente, porque simplesmente não me parecida nada de novo. E não é. Mas "aprendi" que isso não é mau, uma vez que é um retornar ao MM de antigamente. As semelhanças com os primeiros álbuns são gritantes, o que poderá fazer finalmente os fãs mais antigos felizes, uma vez que consideravam os últimos álbuns um desvio algo despropositado.

Pois agora temos fartura de referências a mortes, satanás, agressividade, sangue, logo patentes à partida apenas pelo nome das músicas, em que SAY10 ou JE$US CRI$I$ são exemplos evidentes. Portanto, tudo em bom para quem gosta dessa faceta do senhor.

Em relação aos dois álbuns anteriores parece-me haver mais guitarradas, mas não só de satanás e de selvajaria ele vive - há músicas calminhas e cheias de estilo como a visceral Blood Honey - com um crescendo e um culminar fantásticos - ou "KILL4ME", em que é pedido à amada que prove o seu amor de forma menos convencional.

No que toca às letras parece-me haver um pouco menos de inspiração, confirmada quando, na "Tattooed in Reverse", ele rima 'showhorse' com 'of course' de forma completamente forçada. O que é pena, já que é uma das minhas canções preferidas no que toca ao ritmo e ao uso das teclas. Longe da frase que me continua a tocar do álbum anterior - 'We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love' ou do irónico 'You wanna know what Zeus said to Narcissus - You'd better watch yourself", também do Pale Emperor de 2015.

Os singles escolhidos para videoclip são dos tais previsíveis, e deixo aqui o mais recente "SAY10", cuja escolha de protagonista também é esperada - um Johnny Depp sujo num vídeo com referências sexuais - não há que enganar, é fórmula vencedora.

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Ainda este ano...

Moonspell em Outubro.
Mão Morta em Novembro.
Bizarra Locomotiva em Dezembro (Lisboa).

Para o ano...

Bizarra Locomotiva em Janeiro (Porto).
Metallica em Fevereiro.
Machine Head em Março.
Arcade Fire em Abril.
Moita Metal Fest em Abril.
Roger Waters em Maio.

E isto é o que eu gostava de ir. Para quem gosta, há Cradle of Filth em Agosto, em Vagos. Vai haver Rock in Rio, e ainda não há nomes. Para além de todos os outros festivais. Resumindo, estou fodida. Alguém me quer patrocinar?


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