Palavras do Abismo


Já passaram vários dias desde o lançamento da campanha e provavelmente já toda a gente viu, mas há que enaltecer e parabenizar a Comunicação do Benfica, mesmo com atraso, na campanha do clube cujo mote é "Seja a família como for, o importante é haver amor".

No vídeo, vemos várias famílias - pais e filhos, casais sem filhos, famílias com mãe e mãe, ou pai e pai, com avós, padrastos e madrastas, famílias grandes, pequenas, interaciais - mostrando o que devia ser óbvio para todos - cada família é válida e é única.

Num mundo em constante luta contra a discriminação, é bom ver um clube grande e com expressão mundial a fazer este tipo de campanha, que chegue a milhares de pessoas, e que expresse os valores de vários tipos de igualdade. Deixa-me um fiozinho de orgulho, uma réstia de esperança.

É claro que este tipo de comunicação arranca sempre diarreia mental de alguém, e vi comentários do género "ainda bem que não sou deste clube de panascas", e coisas piores, mas que fazer? Há atrasados mentais em todo o lado, especialmente nas redes sociais, escondidos atrás de um ecrã, masturbadores que ficam com pau com a sua própria graça e perspicácia.

Que não nos deixemos de lembrar desta mensagem. Somos todos diferentes - temos o direito à diferença - e não nos podemos deixar atingir pelas larvas da sociedade que se alimentam do desprazer alheio. Que cada um viva a vida à sua maneira e que respeite o próximo - só isto bastaria para o mundo fosse altamente.

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Madonna Budder tem 86 anos e é conhecida não tanto pela sua devoção e fé a Deus como freira, mas sim por, com esta idade, ser uma desportista do caraças, feito que lhe deu a alcunha de "Iron Nun". Tanto que fez recentemente um anúncio para a Nike. Com 86 anos, porra.

Ela é "só" a pessoa mais velha a completar o triatlo Ironman, que já é difícil para pessoas com um quarto da sua idade, e fê-lo aos 82 anos. Já completou nada mais nada menos do que 325 triatlos ao longo da sua vida. E bem podem vir com a conversa de que deve ter treinado toda a vida, porque começou apenas aos 48 anos, e fez a sua primeira prova aos 55. "Nunca é tarde para começar" é só uma frase feita até nos depararmos com estes exemplos que o provam. Dá vontade de espetar a freira de ferro na fronha de muito boa gente que diz que é demasiado velha para começar, que já não têm idade para ter esperança de perder peso, ter menos dores, ou começar uma vida saudável.

Que mulher, que exemplo. Está numa forma de meter inveja a muita gente nova e quem me dera ter esta vivacidade e capacidade de superação se chegar à sua idade. Aliás, se as tiver com 60 já me dou por contente.

Um amigo, sabendo da minha dedicação ao exercício, apresentou-ma: "olha tu quando fores velha", disse ele. Com estes maus ossos e vértebras que Deus me deu? Quem me dera. Devoção à parte, já sei quem quero ser quando for grande.

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Começa hoje a competição. Os Paralímpicos vão representar Portugal, dar tudo de quinas ao peito, trabalhar para trazer medalhas e orgulhos, tal como os atletas olímpicos fizeram, tal como os futebolistas fizeram. Então, porque é que tudo o resto é tão desigual?

Recentemente, Marcelo Rebelo de Sousa reforçou a importância dos Paralímpicos e que o objectivo é a igualdade entre todos os atletas, mas a realidade é outra. Não falemos do futebol porque os valores e as condições para a sua prática são de um mundo à parte. Se a discussão se levantou sobre os nossos atletas não terem condições para competirem em pé de igualdade com o resto do mundo, o que dizer dos que praticam desporto adaptado?

No máximo, um atleta paralímpico de nível 1 recebe 530€ por mês. Isto para um atleta medalhado recentemente, o que corresponde a uma pequena parte dos nossos atletas. Portanto, um atleta paralímpico de topo que está entre os melhores do mundo recebe menos do que o salário mínimo, em desportos que têm mais custos do que o normal. Muitas vezes são necessárias próteses, cadeiras de rodas, roupa adaptada e outros equipamentos especiais, o que faz com que ninguém consiga viver apenas disto. Um atleta sem deficiência nas mesmas condições recebe 1.375€...

A vergonha passa os limites quando o atleta é de nível 2, ou seja, ficou entre o 4º e o 8º lugar (recebe 386€ mensais) ou nível 3, quando fica entre o 9º e o 12º lugar (225€). É absolutamente ridículo. Todo o mundo vai estar a olhar para eles sem desconfiar que recebem trocos em troca da dedicação e do trabalho de uma vida. Ainda mais valor temos de lhes dar, porque fazer mais com menos já por si é talento passível de medalha.

Força Paralímpicos! Todos nascemos para brilhar!


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"Ah e tal, é necessária proteína animal para a manutenção e crescimento muscular..." - diz quem não percebe nada disto, ou quem simplesmente só está bem a maldizer as opções dos outros sem se informar convenientemente. Como em todos os tipos de dietas, o que é preciso é escolher os alimentos adequadamente e aconselhar-se junto de quem sabe (médicos, nutricionistas, atletas...) para progredir e ter saúde.

Ora aqui este amigo das fotos em baixo é o Kendrick Farris, halterofilista americano de 30 anos presente nos Jogos Olímpicos (o único halterofilista homem dos Estados Unidos presente nesta edição), e sim, é vegan. Aqueles músculos não se devem a comer frango. Pelos vistos, Kendrick apaixonou-se por outros alimentos ricos em proteína, como feijão preto, que insere em quase todas as refeições. E desde que se tornou vegan, até subiu uma categoria de peso e detém o recorde americano de levantamento de peso, ganho no apuramento para o Rio 2016. Eu diria que ele consegue "puxar carroça".

Eu não sou vegan (assim o aspiro, mas por enquanto "só" excluí a carne da minha vida) mas mesmo assim lido diariamente com bocas e comentários estúpidos. O que é engraçado, porque depois perguntam-me como consegui eliminar a gordura corporal tão rapidamente enquanto me lançam mau olhado.

Obrigado Kendrick, e a todos os outros atletas vegan e vegetarianos, que ajudam a desmistificar algumas mentiras impostas pelos interesses económicos; e por proteger o meio ambiente e os animais, todos os dias. Mais sobre a sua história aqui.




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"Estou velha para isto", "já não tenho idade para aquilo", são expressões que por vezes me saem naturalmente em algumas situações, mas depois deparo-me com coisas como esta e vejo que não é bem assim. Esta mulher, Ernestine Shepherd, é uma heroína. É a bodybuilder mais velha do mundo (reconhecida pelo Guiness Book of World Records), com 80 anos. E antes que digam, "ah e tal mas deve ter começado muito cedo"... não. Começou a fazer exercício aos 56.

Está numa forma invejável e mete muitas e muitas mulheres mais jovens a um canto, tanto no aspecto como na determinação e força de vontade. Quem me dera chegar à idade dela nesta forma. Levanta-se todos os dias às 2h30 da manhã, corre 130km por semana, mantém uma dieta muito controlada e tem uma força de vontade de uma deusa inquebrável.

Depois da morte da irmã, Ernestine entrou em depressão, tinha ataques de pânico e ansiedade. A vida era triste e mal saía da cama. O exercício tirou-a desse estado e fez dela a mulher forte de corpo e mente que é hoje. Como podem ver pelo vídeo, é também fonte de inspiração para muitas mulheres mais velhas que já não acreditavam que podiam ficar em forma e superar a adversidade. Quem me dera poder transmitir esta força e a certeza de que são capazes às mulheres da minha família que practicamente já deitaram a toalha ao chão.

Que mulher, que exemplo.








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Vivemos numa era em que quando não é usado Photoshop isso é notícia. Infelizmente assim o é, a busca da perfeição é incessante e interessa mostrar menos rugas, peles mais perfeitas, menos sinais, tirar a celulite, as gorduras e as estrias, e por aí fora.

Mas pelo menos o motivo da notícia é produto nacional. A revista GQ diz que não conseguiu melhorar os abdominais do Cristiano Ronaldo no Photoshop. Estava tudo lá, no sítio. Não é dito se lhe retocaram a fronha (eu diria que sim), o cabelo, ou os dentes, não interessa. O six-pack está intocado, como deus lhe deu e ele trabalhou.

O que é nacional é bom, e ao natural.


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