Palavras do Abismo

O que se passou hoje é emocionante. Milhares de estudantes em Portugal, muitos mais por toda a Europa, responderam ao apelo feito por Greta Thunberg, nomeada para o Nobel da Paz que, com apenas 16 anos, convenceu uma geração inteira, e mais, a sair à rua pelo clima.

O que vi hoje nos telejornais foram miúdos informados, preocupados com o seu futuro, o futuro da Terra, com os animais, com a poluição desmedida, as espécies que levámos à extinção, os recursos que não chegam, o aquecimento global, o uso desenfreado de plástico, o aumento do nível dos oceanos, as manifestações da natureza. Eles deram uma lição - tanto pela organização desta demonstração de força, como pela compreensão do que se passa, e mais do que tudo, pela empatia.

Mostraram eloquência, sabiam os dados, os estudos, percebem a consequência do que fizemos e do que continuamos a fazer; sabem que o planeta é só um, é a nossa casa, a única casa, e lutaram não só por eles, mas por nós e por todos os que hão-de vir.

Deram uma chapada de luva branca aos adultos egoístas que só pensam no seu próprio conforto e que não são capazes de dar um passo por nada nem ninguém. Sugeriram soluções, pediram a atenção dos populares, dos governos, contagiaram com os seus cartazes e gritos de guerra, chamando a atenção para um problema que é de todos, embora muitos escolham ignorar.

Uma réstia de esperança mora agora em mim, talvez nem tudo esteja perdido. Foi emotivo assistir a isto e sinto muito orgulho. Boa, miúdos.

Foto: António Pedro Santos/lusa
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O problema não são as trotinetes em si. São as pessoas. Mas como as pessoas são 100% dos problemas do mundo, explico.

Há algumas empresas em Lisboa que fornecem trotinetes. É uma forma de deslocação ecológica e engraçada, e até aí tudo bem. Só que quem se lembrou desta ideia devia ter pensado melhor na forma como, no final do passeio, as trotinetes devem ser arrumadas. As regras diferem de empresa para empresa, e já fui consultar algumas das condições que dizem, por exemplo, que são aplicadas coimas a quem abandona as ditas cujas nas ruas, em zonas de passagem de peões ou de trânsito, mas basta olhar lá para fora para ver que isso não está a resultar.

Trabalho numa zona de Lisboa que já nem se pode considerar Centro, e no entanto não há um único dia em que não veja trotinetes abandonadas por aí. Vejo-as às portas do metro, nos passeios, e ontem, como mostra a foto em baixo, vi uma caída, abandonada e sozinha no chão, no Campo Grande, junto ao estádio do Sporting.

Na última vez que fui à Baixa, há umas semanas, vi dezenas destas coisas em poucas horas. E em algumas ruas, como na Rua do Alecrim, estavam bem no meio do passeio, impedindo a passagem de cadeiras de rodas ou de carrinhos de bebé, já para não falar dos invisuais, que devem estar contentíssimos por estes novos obstáculos surpreendentes que tornam o seu dia menos banal.

Tudo estaria muito bem se as pessoas fossem civilizadas e pensassem no próximo antes de largarem aquela porcaria em qualquer lado; mas como não são, e como toda a gente sabe que não são, as empresas têm de encontrar uma solução. Não podem lançar as ideias sem pensar nas consequências! E, claro, a Câmara também tem culpa no cartório. O que é assustador é que há 4 empresas do género a operar em Lisboa e estão mais 20 em concurso preparadíssimas para entrar no negócio.

Até agora, isto é mais uma nova forma de poluição na cidade, como se já não houvessem bastantes. O lixo dos novos tempos...

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Devido ao documentário transmitido na RTP1 (disponível aqui) algumas pessoas estão agora a acordar para a vida. Outras continuam a dormir, a olhar para o lado e a assobiar, que não é nada com elas.

Eu não vi o documentário. Não vi porque me custa, porque choro, porque faço parte de grupos de defensores dos animais e já estou farta de saber o conteúdo. Sei o que se passa, e não preciso de ver e ouvir novamente os gritos e as lágrimas destes seres.

Não sei como as pessoas conseguem dormir à noite descansadas, sabendo que a comida que aparece no prato é obtida à custa do sofrimento e da dor de seres vivos, cuja inteligência e sensiência, sabemos hoje devido à evolução científica, equivale à de uma criança pequena. Não sei como conseguem ser egoístas ao ponto de pôr o seu paladar acima do modo como se tratam os outros habitantes do planeta. É uma questão de dignidade, de respeito, de sensibilidade.

Durante o transporte, os animais são sujeitos a temperaturas de mais de 40º e a água disponível depressa desaparece. Não têm espaço sequer para se virar, vão uns em cima dos outros, pouco importando aqueles que já mal se conseguem manter de pé, que têm feridas ou lesões. Seguem assim, horas intermináveis, dias, semanas, o tempo que for preciso até chegarem ao destino. Quando o transporte tem dois andares, os animais da parte de baixo ficam cobertos de merda, o que aumenta ainda mais a sua temperatura corporal e pode dar origem a infecções. Na transladação, são pendurados pelas patas por uma grua, esperneando, levando com choques eléctricos, e gritando por ajuda que não virá. Muitos morrem antes de chegar, apenas eles sabendo a dor por que passaram. São jogados para o mar, se estiverem num barco.

Mais valia que fossem mortos à partida. Mortos em meios controlados, com anestesia, e transportados em meios refrigeados. Mas isto sai muito mais caro. E nestas coisas o lucro fala sempre mais alto. Para além disso, nos países para onde são transportados são seguidos rituais de morte próprios. Ou seja, para além de tudo o que passam na viagem, muitas vezes são mortos a sangue frio em rituais bárbaros.

Portugal é um país civilizado e não pode permitir isto dentro das suas portas. A petição do PAN para existir um limite de horas de transporte diárias e a presença de um veterinário é assim tão descabida? E ainda assim é apenas uma gota no oceano. Temos de parar de exportar para o Médio Oriente e Norte de África, simplesmente. Mas como isto escapa às leis nacionais e europeias, valem a lei daqueles países. E o lucro, sempre o lucro.

Por mais que os responsáveis joguem areia para os olhos do povo, basta estar presente num dos portos onde atracam os barcos para ver a realidade tal como ela é. A realidade é muito suja, tem lágrimas a escorrer pelos focinhos, ossos partidos, fome, morte. Não podemos ficar de braços cruzados, chega de compactuar com o sofrimento alheio. Estes animais não têm culpa da vergonha que devíamos sentir. Se não sabem o que fazer, comecem por assinar esta petição. Se querem fazer mais, procurem os grupos nas redes sociais, informem-se, a acção está por todo o lado e o maior cego é aquele que não quer ver.

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A capa de junho da revista National Geographic está a dar que falar, pelas melhores e piores razões. Quanto à parte positiva, é uma composição genial, que na sua simplicidade consegue passar a ideia do que se passa.

No entanto, estamos a falar de um dos maiores flagelos dos nossos tempos - o plástico nos oceanos. São 8 biliões de quilos de plástico que, todos os anos, vão parar ao fundo do mar. As consequências são gravíssimas para a vida de todos nós, afectando a biodiversidade, a vida marinha, o ambiente e, consequentemente, afecta muitas mais áreas.

Temos de cuidar da nosso planeta, da nossa casa, para que ele vá aguentando todo o mal que lhe fazemos e para que continue a ser habitável para todas as espécies, incluindo a humana. E cabe a cada um de nós preservá-lo.

Ainda há uns dias fui à praia e saí de lá com uma tristeza imensa e a certeza de que vamos todos parar ao buraco do esgoto. Tanto, mas tanto lixo, que as pessoas vão despejar às imediações. Até móveis, cadeiras velhas, mantas, roupas, despejadas ao acaso, mesmo havendo grandes caixotes por perto. As pessoas não querem saber, só se querem livrar do que é velho, mantendo as casas vazias para os egos gigantes ocuparem o espaço todo.

O plástico nos oceanos, tal como a capa indica, é apenas a ponta do icebergue. Há muitas coisas simples que podemos fazer para reduzir a produção de plástico, mas a missão não acaba aí. Só sendo responsáveis é que este planeta sobreviverá. Neste momento, não tenho muita esperança na sua sobrevivência. Não enquanto uma raça que se acha superior a todas as outras existir.


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O plástico é um problema. Ele domina quase todas as nossas compras. Quase tudo está envolto em plástico, sejam produtos com larga duração, sejam os de consumo mega rápido, como os iogurtes ou as garrafas de água. Mesmo que reutilizemos alguns destes recipientes até à exaustão, a pegada ecológica é gigantesca e permanecerá até muito tempo depois de morrermos. Prova disso é a imagem que se tornou viral de um pacote de batatas fritas Ruffles encontrado numa mata, que anunciava um prémio de 5.000 contos. A embalagem, de 1995, andava por ali há 23 anos e seria capaz de permanecer intacta por mais algumas centenas deles.

Os oceanos estão cheios de plástico, ocupando já uma larga parte destes, o que tem um impacto brutal no ambiente e na vida marinha. Reciclar não chega - até porque nem tudo é reciclável - a produção e o uso de plástico têm de ser reduzidos para não tornar este planeta (ainda mais) uma lixeira. Felizmente o assunto está na ordem do dia e têm existido alguns movimentos para chamar a atenção para este flagelo.

Uma das iniciativas vem de Amesterdão - foi inaugurado, num supermercado Ekoplaza, um corredor onde o plástico não entra. Todos os produtos que ali estão (e são mais de 700) são embalados com alternativas biodegradáveis, e há de tudo - carne, arroz, iogurtes, vegetais - mostrando que é possível banir totalmente a utilização de plástico. A iniciativa vai ser alargada, até ao final do ano, aos outros 74 supermercados da cadeia. Ora grão a grão, isto vai ter um grande impacto. Acredito na inspiração dos exemplos e que mais cadeias vão adoptar a ideia, ao mesmo tempo que o consumidor se habitua a um novo modo de comprar e que se consciencializa para a causa.

Em Portugal existem vários locais, especialmente lojas de compra a granel, onde não se utiliza plástico e os clientes podem até levar os seus próprios recipientes. Em grandes hipermercados também se vai vendo bons exemplos, como a área a granel no Continente, com sacos de papel. Infelizmente, no Jumbo, embora exista área a granel, são utilizados sacos de plástico.

Como tudo o que envolve o nosso planeta, a contribuição individual é fulcral. Podemos pensar que a nossa acção não vai mudar em nada o curso das coisas, mas se 7 biliões de pessoas não pensarem assim e se fizerem um pouquinho, tornar-se-á muito.


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Não tem glúten nem qualquer ingrediente de origem animal. O novo Cornetto é livre de crueldade e é mais saudável, logo, merece aqui uma vénia da minha gulosa pessoa.

Feito com leite de soja e com chocolate vegan, tem também os ingredientes clássicos, como as nozes, que caracterizam o conhecido gelado.

Não é a primeira marca a disponibilizar gelados vegan, mas é uma das marcas mais conhecidas a fazê-lo e um passarinho contou-me que vai estar disponível em Portugal.

Como todas as boas ideias, não reúne a aprovação de toda a gente... Há os leiteiros que dizem que está a ser deturpada a essência do Cornetto, outros, vegan, que dizem não apoiar uma marca que não seja 100% vegan.

Eu sou pela mudança, nem que seja devagarinho, e produto a produto, gulodice a gulodice, o mundo fica um pouquinho melhor.


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