Ainda não acredito que há poucas horas conheci dois grandes ícones que marcaram a última década e meia da minha vida. É mais uma recordação "daquelas", que nunca esquecerei. Till Lindemann e Richard Kruspe, dos Rammstein, falaram comigo, toquei-lhes, partilhámos o mesmo espaço durante umas horas e fiz os possíveis para não me babar e para não os encarar como uma burra a olhar para um palácio. A cereja no topo do bolo foi o abraço bem apertado que Kruspe, espontaneamente, decidiu dar-me, com tanta força que levantei os pés do chão. O calor do seu corpo, a sua simpatia e disponibilidade são coisas que nunca irei esquecer, porque é deste material que se fazem os verdadeiros ídolos.
Só tenho a agradecer, muito, e para sempre, a quem me proporcionou este momento inesquecível.
Kruspe e companhia, hoje encontramo-nos, bem mais ao longe, no Pavilhão Atlântico.
Só tenho a agradecer, muito, e para sempre, a quem me proporcionou este momento inesquecível.
Kruspe e companhia, hoje encontramo-nos, bem mais ao longe, no Pavilhão Atlântico.
Não posso deixar de ter saudades da altura em que não tinha responsabilidades. Quando as maiores discussões eram sobre as chuteiras cheias de lama quando voltava a casa depois dos treinos. Quando só tinha de estudar e ter boas notas. Quando passava os meus dias no Alentejo, a sonhar acordada sobre a minha ida para a grande cidade.
10 anos passaram e tudo mudou. Tenho um trabalho na grande cidade, uma casa, outros amigos, outro namorado, outras preocupações. Gosto da minha vida, de um modo geral. Mas dava uma boa quantidade de dinheiro para ter um dia igual à época dos meus 17 anos. Ir jogar à bola até às altas horas da noite, tomar banho de mar a qualquer hora do dia, os meses intermináveis de férias, os passeios de bicicleta na planície alentejana, os segredos e os risinhos da adolescência, e sonhar sobre como seria a minha vida aos 27.
Querer dormir e não conseguir é das piores sensações que tenho experimentado nos últimos tempos. Tenho uma vida agitada e ocupada, e o que mais desejo, o que mais quero, é que chegue o fim do dia para me poder esticar no sofá ou na cama e dormir como se não houvesse amanhã.
A teoria é muito bonita. O que acontece é que por mais cansada que esteja passam-se horas até que consiga atingir o sono, e pior, muitas vezes nem sei o que isso é.
Como é o caso de hoje. Sou uma zombie, pálida, sem forças e cheia de dores de cabeça que na noite passada dormiu zero. A minha cama parece uma zona de guerra, tudo fora do sítio, tal não era a inquietação que me invadia.
Não há copos de leite quente que me valham, ou ler na cama, ou contar carneiros. Sei todos os truques. Nenhum me serve.
No fim das contas sinto-me uma velha. Todos estão excitados por uma festa ou concerto que vai acontecer, um jantar, uma conferência, qualquer coisa, e eu só me excito com a visão da minha querida caminha. Acho que chegou a altura de procurar ajuda médica.
A teoria é muito bonita. O que acontece é que por mais cansada que esteja passam-se horas até que consiga atingir o sono, e pior, muitas vezes nem sei o que isso é.
Como é o caso de hoje. Sou uma zombie, pálida, sem forças e cheia de dores de cabeça que na noite passada dormiu zero. A minha cama parece uma zona de guerra, tudo fora do sítio, tal não era a inquietação que me invadia.
Não há copos de leite quente que me valham, ou ler na cama, ou contar carneiros. Sei todos os truques. Nenhum me serve.
No fim das contas sinto-me uma velha. Todos estão excitados por uma festa ou concerto que vai acontecer, um jantar, uma conferência, qualquer coisa, e eu só me excito com a visão da minha querida caminha. Acho que chegou a altura de procurar ajuda médica.
Estamos em abril e no nosso país, conhecido pelo tempo ameno e pelo sol prometedor, os dias estão cinzentos, chuvosos e ventosos. Ouço a toda a hora nos corredores, nos transportes, nas redes sociais, nas ruas, nas conversas cruzadas, que as saudades do sol e do bom tempo apertam. Ora eu agradeço ao São Pedro esta benção cinzenta.
O cinza dos céus oferece-me uma melancolia poética. E como eu estou cinzenta por dentro, estou em sintonia com o ambiente. Somos só um. Eu choro, lá fora chove. Eu tenho pensamentos negros e lá fora negro está. Tenho acessos súbitos de raiva, e o céu troveja. O som da chuva faz-me companhia e relaxa-me nas noites solitárias.
Para além disso, não tenho nenhum sítio para ir. Tenho de representar e fazer a minha rotina diária e monótona, não ajudaria nada se estivesse um grande sol convidativo a estar lá fora - eu não posso ir. Dentro de quatro paredes o sol de nada me serve e assim sempre vou tendo as depressões atmosféricas para acompanhar as minhas.
O cinza dos céus oferece-me uma melancolia poética. E como eu estou cinzenta por dentro, estou em sintonia com o ambiente. Somos só um. Eu choro, lá fora chove. Eu tenho pensamentos negros e lá fora negro está. Tenho acessos súbitos de raiva, e o céu troveja. O som da chuva faz-me companhia e relaxa-me nas noites solitárias.
Para além disso, não tenho nenhum sítio para ir. Tenho de representar e fazer a minha rotina diária e monótona, não ajudaria nada se estivesse um grande sol convidativo a estar lá fora - eu não posso ir. Dentro de quatro paredes o sol de nada me serve e assim sempre vou tendo as depressões atmosféricas para acompanhar as minhas.
O meu olho esquerdo não pára de tremer! Já são mais de 24 horas a dar sinal, como se tivesse um pequeno olho-bebé em cima deste a dar pontapés! Já me soquei, cocei, bati, pus o dedo no olho, esfreguei, passei água fria, água morna, pingas de água. Inclusive já os fechei durante 30 segundos a suster a respiração tal como vi num site duvidoso, e nada. Parece que o meu olho está a bater à porta, constantemente, a toda a hora, e estou prestes a arrancá-lo ou a enfiar-lhe os bicos de uma tesoura.
Ainda fui à farmácia ver se havia remédio, mas esta foi a resposta: a menina precisa é de ir para casa descansar e dormir. E eu fico contente por existirem pessoas que possam ir para casa pôr o cu no sofá cada vez que se sentem cansadas, constipadas e maldispostas.
Ainda fui à farmácia ver se havia remédio, mas esta foi a resposta: a menina precisa é de ir para casa descansar e dormir. E eu fico contente por existirem pessoas que possam ir para casa pôr o cu no sofá cada vez que se sentem cansadas, constipadas e maldispostas.
Não sou nada contra as manifestações de amor em público - mostrar o amor ao mundo pode até ser bastante "fofinho". Agora num metro sobrelotado, onde não bastam os sovacos junto ao nosso nariz (é no metro que treino as apneias), as roupagens que cheiram a mofo e a queijo (às vezes ambos, ou outras coisas piores), já para não falar de pessoas que tresandam a álcool às 9h, dos bebés chorões (também já apanhei uma criança que conseguiu vomitar em cima de seis pessoas), só faltavam os beijoqueiros. Hoje um casalinho estava a beijar-se, com tudo a que tinham direito (língua, muita baba, os olhos fechados, os sons irritantes...) literalmente a 5cm da minha cara. Fazer isto no metro apinhado é estar a pedir um ménage-a-cent, porque um ménage a trois só se fosse numa carruagem praticamente vazia. As cerca de 100 pessoas apertadinhas podiam facilmente ter participado naqueles beijos e trocado saliva, o convite e as condições estavam criadas. Uma pessoa olha para todos os lados para ver onde pode pousar o olhar sem "se meter" em nada, e acaba por olhar para a ponta dos pés (tive muito trabalho em encontrá-los no meio de tanta gente), mas não se safa de ouvir os "chuac chuac" e todos aqueles sons de baba e língua, e estalinhos, argh!! Moral da história: nunca sair de casa sem o mp3.
"Não há na Terra uma mulher casta. Não há pureza nela. O seu aspecto, o seu discurso e o seu coração nunca cantam ao mesmo tempo. Parece uma coisa e parece a outra, e tudo é aparência. Com óleos escorregadios e pós brilhantes tinge os seus desígnios sombrios e pinta nela um retrato que poderíamos amar. Mas onde está o coração sincero que com uma só nota pulsa o seu verdadeiro conteúdo? Que vergonha! Não lhe peças música pura, directa e sincera. A pureza não faz parte dela. O seu coração de serpente retirou todas as suas artimanhas da serpente do Éden para poder cuspir sobre todos os homens uma baba de mentiras e artimanhas."
In "Não Abras os Olhos", de John Verdon, citando as palavras de um homem que odeia todas as mulheres e que matou a sua própria mãe.
In "Não Abras os Olhos", de John Verdon, citando as palavras de um homem que odeia todas as mulheres e que matou a sua própria mãe.
"Some of us, believed that we can make a difference,
and then sometimes, we wake up,
and we realized, we failed."
In "Detachment" (2011)
In "Detachment" (2011)











