Palavras do Abismo


"Capitão Fantástico" é, para mim, um os melhores filmes do ano transacto. Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não é um filme sobre super-heróis.

Viggo Mortensen
é pai de seis filhos e vive com eles longe da civilização. Escolheu criá-los fora da confusão das cidades, do fumo e do barulho da modernidade e aparte da ideia da sociedade em que quase toda a gente vive. Os miúdos crescem assim com um elevado respeito pela natureza, pelo próximo, com um instinto de sobrevivência sobre-humano. Têm como principais recreações os livros, as actividades físicas exigentes, a caça, e bem, ajudam-se uns aos outros, cantam à volta da fogueira, fazem trabalhos manuais, sem saberem o que é um videojogo e distanciados de todas as distracções do mundo moderno.

Observar estas diferenças entre todas as crianças de hoje em dia já é um grande must see, mas não é só isto. Um evento faz com que toda a família se tenha de deslocar à cidade, e é brutal assistir ao choque das crianças quando se apercebem do que o mundo tem para oferecer, ou para retirar. Não dormir sob as estrelas será o menor dos seus choques, o que dá origem a situações muito cómicas.

É um filme com imensas lições que nos provoca uma nostalgia sobre algo que nunca tivemos - a liberdade de usufruir do mundo a nosso bel-prazer, com o devido respeito e devoção. Faz-nos pensar, e muito.

Viggo Mortensen está fenomenal no papel deste pai que, sim, no fundo é afinal um super-herói.

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E não é que Guimarães é também o berço de boas e sustentáveis ideias? Pegaram em dois dos resíduos que, infelizmente, são dos mais deitados para o chão - as beatas dos cigarros e as pastilhas elásticas - e fizeram depósitos para os mesmos. A partir das beatas é possível fazer materiais de construção e as pastilhas podem ser transformadas em plástico.

É uma excelente ideia para o resto das autarquias imitar. É incrível a quantidade de beatas e pastilhas que são jogadas para o chão, e apesar de depender do civismo da população, acredito que grande parte os fosse depositar, nem que seja os que vão a passar por lá. No primeiro mês foram recolhidas mais de 10.000 beatas e 900 pastilhas elásticas, por isso este é mesmo o caminho.

Que se copiem estes bons exemplos e que se despertem, uma a uma, as consciências, para ajudarmos o planeta, nossa casa, e deixarmos as nossas ruas mais bonitas e limpas.

Via Green Savers

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"A nossa morte não acontece quando somos enterrados, acontece continuamente: os dentes caem, os joelhos solidificam, a pele engelha-se, os amigos partem. Tudo isso é a morte. O momento final é apenas isso, um momento".

in Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz (2011)

Os cabelos brancos que vão aparecendo, as rugas que se vão perpetuando na nossa pele, as manchas que já não desaparecem, aquela dor que já não vai embora, os dentes que nos caíram na infância e que voltam a cair mais tarde, já mais amarelos. 
A curva na coluna que se vai acentuando, os medicamentos que precisamos de tomar, a maquilhagem que muitos usam para disfarçar os sinais da idade. 
As dificuldades na visão que são cada vez maiores, uma compreensão diferente e trágica do mundo. 
A energia que já não é a mesma, os calos nas mãos e nos pés. Tudo isso é morte.
No momento em que nos finamos a nossa alma deixa de existir, mas a morte começou muito antes. Começou quando nascemos. Tudo isto é morte, mas também é vida.

 
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Sim, este título foi uma fraca tentativa de trocadilho. Karen O é a vocalista e teclista dos Yeah Yeah Yeahs, banda já com 17 anos com muitos êxitos que decerto conhecem. Pode-se dizer que são uma banda de indie rock com toques de dança e post-punk.

Karen O é americana, mas nascida na Coreia do Sul, e é uma gaja cheia de talento e também de estilo, cujo arrojo fê-la ainda mais popular. Com mãe coreana e pai polaco, a mistura saiu-lhe esteticamente bem. A sua voz é limpa, melodiosa, e ao contrário de muitas do mesmo género, tem o condão de não me irritar.

Se tivesse de escolher uma música preferida dos Yeah Yeah Yeahs talvez escolhesse esta, Maps, de 2004, que até é sobre a sua antiga relação com o vocalista dos Liars, Angus Andrew.

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Depois de décadas a fazer ponto cruz em quadros, aventurei-me nos acessórios. Estas são as primeiras peças que fiz, dois anéis. Estão tortos, mas funcionou. Com a experiência, vou lá!


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Neste período de festas e blá blá blá, o que não é uma festa são os filmes e séries. É uma pobreza. As boas séries estão em intervalo e não há lançamentos de filmes de jeito. Decidi então dar uma oportunidade a uma série diferente para ver nestes tempos mortos.

Escolhi "Divorce", uma série de comédia dramática com Sarah Jessica Parker, e gostei imenso. É sobre um casal de meia idade que se vai divorciar, após a mulher ter traído o marido. Muito está por trás dessa aventura conjugal, e muitas pessoas vão ser afectadas. Eles têm dois filhos, família e amigos, todos com muito para opinar e meter o bedelho. Para mim, a melhor personagem é a do marido, um homem de modos antiquados que vive no seu próprio mundo e que não consegue acreditar que foi trocado por um 'franciú' com quem a mulher teve relações 32 vezes (sim, ele insistiu bastante em saber o número).

Por trás da categorização de comédia, a série é muito mais do que isso e é um espelho mais próximo da realidade do que aquilo que parece à primeira vista. Mostra de modo cru as consequências das acções nas relações, a mudança das dinâmicas familiares, a luta pelo poder na relação e os trâmites que o fim de um casamento duradouro e com tantas ramificações implica.

É uma série jeitosa para se ir vendo e cada episódio tem menos de meia hora, por isso vê-se num instante. O casal é impecavelmente interpretado por Sarah Jessica Parker e Thomas Haden Church.


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"- Até digo mais, quando falamos de coisas eternas somos todos nascituros. Adiante: repare como um rabo nos pode fazer crer na ressurreição, mais do que as epístolas de S. Paulo. Só temos um cu protuberante porque nos erguemos das quatro patas para a verticalidade e nos tornámos este macaco sem pêlos, de rabo saliente e nádegas hemisféricas. Sem essa erecção da postura, se não andássemos com apenas duas patas, não libertaríamos as mãos, não haveria polegar oponível, não haveria necessidade de um cérebro maior."

in Jesus Cristo Bebia Cerveja, de Afonso Cruz (2012) 

nascituro
adjetivo, nome masculino
1. que ou o que há de nascer
2. DIREITO diz-se de ou ser humano concebido, mas que ainda não nasceu

Tudo faz sentido. O rabo fez-nos nascer e crescer para a vida. Sem os seus músculos fortes para nos aguentar de pé seríamos como primatas. O cu é um elemento fundamental para explicar porque somos o que somos, tem o seu papel importantíssimo na evolução. Celebremos o rabiosque com esta nova palavra porque, sem ele, éramos todos nascituros.


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A minisérie de 5 episódios tem o nome da personagem principal - Mildred Pierce - e conta com Kate Winslet no papel principal, numa das melhores interpretações que já lhe conheci.

A história acompanha o percurso desta mulher ao longo dos anos. Tudo começa durante a Grande Depressão, nos anos 30, e Mildred e a sua família vêem-se em dificuldades depois da vida confortável que tinham. Depois de se separar do marido, com duas filhas para sustentar, e sendo uma mãe extremamente protectora, engole (dificilmente) o orgulho e começa a trabalhar como empregada de mesa.

Depois, assistimos aos altos e baixos constantes da vida desta mulher corajosa, mãe extremosa, amante, trabalhadora e talentosa. Kate Winslet está abismal num papel que foi feito para ela. Tanto na parte física, onde os seus traços clássicos encaixam perfeitamente nestas produções de época, como no talento, onde interpretar esta mulher forte lhe assenta que nem uma luva.

A fotografia é fantástica, assim como o argumento e tudo o mais. Guy Pierce também merece distinção e Evan Rachel Wood, no papel da filha mais velha nos últimos episódios, está tão perfeita no papel de miúda mimada que nos apetece dar-lhe dois pares de estalos. Grande série, boa a hora que ma aconselharam.


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Conversa entre pitas no balneário do ginásio:

"Nunca me tratam por Ana. É sempre por Margarida!"
"Assim podes assumir outra identidade. Qual é o teu primeiro sobrenome?"
"Mendes."
"Podes fazer um perfil no Facebook como Ana Mendes que ninguém vai saber que és tu!"
"Acho que sou prima do Shawn Mendes, ihihihi."
"Ai, não, assim não podem casar!"
"Podemos, podemos, agora o casamento entre primos já é legal!"

A primeira coisa que fiz foi procurar quem é o Shawn Mendes - podia ser que estivesse a perder alguma coisa de especial, mas não. É apenas um miúdo desenxabido com músicas de ir ao rabo.

A segunda foi procurar esta imagem, porque se 2016 foi o ano das mortes de muitos dos nossos artistas preferidos, 2017 pode ser o ano da Trissomia 21.


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"Encolhi os ombros, num fingimento descontraído. Embora me sentisse mesmo à vontade naquela boleia, como se a minha ocupação do mundo pudesse ser inconsútil."

in As Raparigas, de Emma Cline (2016)

Queria tanto saber o que esta adolescente estava a sentir naquele banco do pendura, mas não fiquei totalmente esclarecida com a definição. Imagino que se sinta inteira com o mundo e com aquele lugar, como se fossem ligados e inquebráveis. À vontade na sua posição e em harmonia com os acontecimentos. É como eu e o brigeiros, somos inconsúteis, chegadinhos, inseparáveis, somos um só.

in·con·sú·til
adjectivo de dois géneros
1. Feito sem costura. ≠ CONSÚTIL
2. De uma só peça.


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