Palavras do Abismo

Tenho uma vizinha na casa dos 60, viúva de há muitos anos, e que recentemente perdeu também um namorado para o maldito cancro. Há dias encontrei-a, feliz novamente, e lá me explicou os seus amorosos motivos. Tinha conhecido outro homem num cruzeiro e estavam a namorar.

E garantiu-me: "quem acha que o amor é diferente aos 20 ou aos 60 que se desengane. Amor é amor. Podemos conhecer-mo-nos de maneira diferente e viver uma relação diferente, mas as borboletas na barriga são as que eu me lembro de ter quando era jovem. Isso não muda. Eu julgava que o amor tinha acabado para mim, mas meti na cabeça que não havia de parar de fazer coisas, viajar, entreter-me e olha, foi exactamente num cruzeiro, a laurear a pevide, que o fui conhecer".

Contou-me mais sobre ele, que é algarvio, que adora estar com ele na casa de Quarteira e poder acordar e olhar para o mar junto dele. E garantiu-me que, seja também em que idade for, aquela fase do início da relação, em que se estão a conhecer, a impressionar o outro, a fazer surpresas, é a melhor. No dia anterior ele tinha feito centenas de quilómetros para a surpreender e tomar o pequeno almoço com ela. E a alegria dela, e o orgulho dela, o brilho no olhar, fizeram-me escrever este texto.

Não sou muito do amor (nada) nem de sentimentalismos, mas fico contente pelos outros, especialmente pelos mais velhos que não se deixam abater depois de uma vida de adversidades. Quem me dera continuar sempre assim, a cair e a levantar-me, como ela, sem parar nunca, porque parar é que é morrer. E apesar de não estar num início de uma relação, fico contente por ainda ter as borboletas sempre que o vejo, sempre que andamos à porrada ou a gozar um com o outro (isto há muitas formas de amar). Quando não me mói o juízo com merdas, claro.




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"(...) mas deviam ter tentado dizer-me isso quando aqueles primeiros cinco botões de percepção se abriram para o tecto bolorento e para aquele ar com cheiro a peúgas, para o sabor a ferro e a esgoto, para a banheira oleosa com água acastanha, para aquele solilóquio desconsolado de sussurros e ruídos."

in Eu, Lúcifer, de Glen Duncan (2003)

Ora enquanto Lúcifer devaneia neste livro engraçadíssimo contado na primeira pessoa, foram aparecendo muitas palavras novas, inclusive este "solilóquio". Apesar da estranheza o seu significado é muito simples:

so·li·ló·qui·o
(latim soliloquium, -ii)
substantivo masculino
Acto de falar sozinho. = MONÓLOGO

Faz todo o sentido. Aliás, todo o livro é um grande solilóquio. Que palavra engraçada e que vou poder aplicar tão facilmente.


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Feitos para as amigas voluntárias do Abrigo do Gato. Cada um feito com as cores do seu gato mais chegado :)


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Uma alminha com sentido de humor e com um jeitaço para detectar o insólito descobriu este balde do lixo que podem ver em cima, cuja composição é tal e qual uma certa personalidade que todos conhecem... Sim, é Donald, neste caso, literalmente, trampa.

Ora os internautas não perdoaram e as montagens já invadiram a internet. O cavaleiro andante de Putin e a prenda recebida pela Michelle é apenas uma das pérolas que andam a circular e que podem ver aqui. Vale a pena, rir ainda não paga imposto, se bem que já deu direito a despedimentos por aqueles lados... Tenham cuidado, tenham muito cuidado.





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"The Handmaiden" (título original "Ah-ga-ssi", traduzido como "A Criada") é um filme sul-coreano que não é fácil de ver e de entender. 

Tudo começa com a história de uma criada, nascida pobre e um pouco tonta, mas que desde cedo foi ensinada a roubar e a enganar. É aliciada por um conhecido a enganar uma herdeira, rica e solteira. O objectivo dele era seduzi-la para casar com ela, para logo a despachar e ficar com metade da sua fortuna. Ela, a criada, só tinha de ir trabalhar para essa misteriosa mulher, e convencê-la de que é amada por este farsante, que ele é o seu destino e a sua oportunidade de libertação - ela vive com o tio, oprimida desde pequena.

Tudo é marado neste filme. Mencionando apenas um dos aspectos, e explicando a opressão do tio... bem, ele obrigava-a a ler em voz alta desde criança durante horas a fio, até ter uma dicção perfeita e, em adulta, fazer saraus de leitura de livros pornográficos para uma audiência masculina, enquanto 'montava' um boneco de madeira. Pois. Outro dos aspectos, e bem importante, é o twist que existe a meio do filme. Basicamente, tudo o que disse no parágrafo anterior deixa de fazer sentido. O ponto mais impressionante é a relação da criada com a sua senhora, que se torna íntima de um modo muito doentio. Mas... só vendo se entende.

É algo macabro, negro, tem (muito) sexo, misticismo, interpretações fantásticas, uma luz fabulosa (como tudo o que tem vindo da Coreia do Sul) e é um autêntico desafio às nossas percepções. Recomendo aos aventureiros pouco convencionais por aí.


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Esta é uma série que foi transmitida online, no Vimeo, há alguns anos atrás, e no final do ano passado a HBO pegou nela e começou a transmiti-la na TV - foi aí que deu o salto e ficou mais conhecida, e foi assim que fiquei a saber da sua existência através do TVSéries, canal onde a primeira temporada foi já transmitida em Portugal.

A personagem principal é um entregador de erva que a distribui de bicicleta pelas ruas de Nova Iorque. E a beleza da coisa é como tudo se entrelaça. Este entregador, cujo nome nem sabemos, é apenas o elo de ligação entre as personagens que compõem várias histórias. A série não é sobre ele - cada episódio gira em volta de uma ou mais figuras que se vão cruzando com ele, sejam clientes, vizinhos, transeuntes, amigos de amigos, conhecidos dos amigos, enfim, vamos vendo pequenas (grandes) histórias com cruzamentos metidos de forma genial.

Portanto, o facto de existir um entregador de erva só serve para nos apresentar estas pessoas à volta dele. Isto é feito de modo exímio, com pormenores de realização fantásticos. Já as histórias de cada um são curtas, mas marcantes, contém sempre um pequeno drama e são, acima de tudo, humanas. Podia facilmente ser a história de alguém que conhecemos. E isto tudo dá para rir, para nos enternecermos e nos entretermos facilmente. Muito bom!


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E como tenho de praticar as aplicações de ponto cruz em acessórios, mais um conjunto que fiz para oferecer a amigos - um anel em imitação de bronze com coração; um pin melancia e um pin patinha de gato; e um marcador de livros também com coração. Os "clientes" ficaram satisfeitos 🙂


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Não nos estamos hoje só a despedir de um dos melhores presidentes que a América já viu, de uma das mais carismáticas primeiras damas, de um casal terra-a-terra, de uma família humana, próxima, carinhosa, verdadeira, sem manias, como dificilmente veremos novamente à frente de uma nação. Não é só esse adeus que custa. As mascotes caninas fofas também vão abandonar os jardins da Casa Branca, e ainda por cima, Cães de Água portugueses que nos devem orgulhar.

E como o Trump não pretende ter animais (há mais de 150 anos que isso não acontecia na Casa Branca), a Sunny e o Bo devem ser os últimos a usufruir daquele espaço todo nos próximos anos. Tendo em conta as tradições familiares dos Trump, se calhar até é melhor assim, não fossem cair na tentação de lhes espetar uns tiros de caçadeira, para o jantar.

Ficam algumas fotos dos fofões, para mais tarde recordar. Adeus a todos, foi muito, muito bom, enquanto durou.

 




























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"procurou um silêncio limpo como uma folha muito limpa onde pudesse escrever uma frase mais digna e disse, um dia essa saudade vai ser benigna. a lembrança da sua esposa vai trazer-lhe um sorriso aos lábios porque é isso que a saudade faz, constrói uma memória que nós nos orgulhamos de guardar, como um troféu de vida. um dia, senhor silva, a sua esposa vai ser uma memória que já não dói e que lhe traz apenas felicidade. a felicidade de ter partilhado consigo um amor incrível que não pode mais fazê-lo sofrer, apenas levá-lo à glória de o ter vivido, de o ter merecido."*

in A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe (2013)

Depois da frustração, da profunda tristeza, do vazio dos lugares e das coisas que são criados com a ausência permanente do corpo de alguém que partiu, há-de chegar um tempo, uma altura, uma hora, em que a recordação provocará um sorriso. Será a saudade, sim, mas envolta em recordações doces, como o reconhecimento de um privilégio por termos privado com essa pessoa. A glória da partilha tomará conta de nós. É assim a a vida, e sempre será.

 *Não é gralha - o texto original é mesmo sem maiúsculas.


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Esta mulher, Edna Shepherd, está prestes a fazer 95 anos e vai ao ginásio todos os dias. Faz aulas aeróbicas, levanta ferro, pratica natação e dança. Faz mais do que muita, muita gente com um terço ou um quarto da sua idade, que arranja sempre desculpas para adiar ou faltar ao exercício.

Ela diz que o segredo desta vitalidade é uma boa alimentação e nunca parar - não aguenta não fazer nada. E para além do prazer e dos benefícios para a saúde, alega que adora a socialização e a parte melhor é quando pode abraçar elementos do sexo masculino... marota.

Sendo uma viciada no ginásio, não posso imaginar um futuro melhor para mim. É assim que quero ser, é para isto que trabalho. Para ter um presente e um futuro com a melhor saúde possíveis e com uma energia invejável. Uma grande vénia a esta senhora, que dá quinze a zero a quase toda a gente que conheço.

Via Mashable

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