Palavras do Abismo

Há um senhor cego, que anda pelos transportes públicos muito elegante, de fatinho. Até a sua "vareta" é muito high-tech - o homem dá-lhe uma sacudidela subtil e aquilo estende-se como se tivesse vindo do Inspector Gadget.

Ele lá vai andando, muito senhor de si e confiante, completamente habituado ao seu caminho e às suas andanças, mas há pessoas que, quando reparam que é cego, tentam ajudá-lo. Se o metro não pára em frente dele, elas tentam encaminhá-lo para o sítio certo, por exemplo, ou dizem-lhe algo como "tem escadas à sua frente!". E o homem, de todas as vezes, responde:

EU SEI!!!!

Isto num tom peremptório e algo furioso, como se estivesse farto (e deve estar) que o tentem ajudar quando ele não precisa. Até abana a cabeça em tom de desagradado incómodo, e aposto que até tenta revirar os olhos que não lhe vejo. Às vezes até fico a reparar nas pessoas que o tentam ajudar, só para as ver saltar de surpresa quando ele lhes responde assim e rir-me à socapa.

Por um lado compreendo que não deve querer ser tratado como um coitadinho quando não o é, mas o homem deve ter ultrapassado o limite da paciência para parecer um urso pardo zangado.


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Há vícios muito estranhos, este é só estúpido. Cheryl Prudham é uma inglesa que não aguenta estar sem ter um bebé nos braços, e quando o mais novo já está crescido, pumba, já pôs outra sementinha lá para dentro. Preferia que ela não tivesse filhos e fosse viciada no cavalo, porque assim brincava apenas com a sua vida. Assim, lá vai parindo, pondo mais alminhas no mundo ao desbaratado. Já lá vão 13 e, segundo ela, mais estarão por vir.

Compreendo que em algumas sociedades parir equipas de futebol é super normal, e que há pessoas que sempre tiveram o desejo de ter uma família grande, mas quando a justificação é um vício que não consegue parar, é apenas assustador. É imoral, é incorrecto, é parvo. E se não tiver homem na altura para lhe fazer mais filhos, admite recorrer a um banco de esperma.

Com isto tudo, recebe 800 e tal euros por cada miúdo, o que lhe dá uma pequena fortuna por mês, motivo (também) pelo qual está a ser criticada. É apelidada de "rainha dos benefícios" na Inglaterra e ela e o ex-marido enfrentam um processo em tribunal por roubo de dinheiro dos parquímetros (porque quase 50 mil euros por ano em benefícios não são suficientes!). Enfim, pessoa estranha e estúpida.


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José Sá é jogador do FC Porto, mas neste caso podia ser de um clube qualquer que pouco importa. O que conta é que é um jovem, uma cara conhecida, um exemplo para as gerações mais novas, e não se coibiu de, num sábado à noite, ir ajudar a Legião da Boa Vontade.

Distribuiu comida pelos mais necessitados, não hesitou em dar dois dedos de conversa e até recebeu umas lambidelas dos amigos de quatro patas destas pessoas.

Estes gestos não têm clube. Estes gestos fazem falta, especialmente quando vêm de quem não tem falta de nada. Porque é como costumo dizer - quem mais tem, menos dá. Quem é abastado está afastado da realidade. A falta de noção e de empatia pelas necessidades dos outros é gigante. Por isso quando um jogador popular sai à rua, sem seguranças ou polícia, sem a revista Flash atrás com uma equipa de maquilhadores, há que louvar. E aqui seja louvado.

Só por ter dado a conhecer esta associação e por meter a mão na massa (do pão) já merecia tirar o lugar ao Casillas.

Via Notícias ao Minuto





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Os barbudos não são pessoas estranhas per se. Estranhos são aquilo em que se tornam depois de fazer a barba. Os pelos faciais estão na moda e é só ver moçoilos a seguir a tendência. Nada contra! Até gosto bastante de ver, mas, gajas, tenham atenção.

Vocês, que estão em novas relações, e começaram a andar com um barbudo, certifiquem-se que se estão a apaixonar pela pessoa que ele é e esquecem o estilo que ele está a mandar com aquela barba. Simplesmente porque elas escondem tudo e mais alguma coisa. Ainda há dias um colega de trabalho, que era uma pessoa normal com barba, tirou-a e ficou mais feio que um eventual bebé do Luisão com o Maxi Pereira.

Por isso, amem muito, mas mais por dentro do que por fora. Porque um dia ele pode tirar a barba e, pior do que ser feio ou esconder as maiores borbulhas do mundo, cicatrizes e crateras, pode ter uma suástica no queixo, e depois aí será tarde para o vosso coraçãozinho passar impune!

Esta imagem de um Pierce Brosnan sexy e barbudo na sua nova série (The Son) é pura provocação.


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"Taboo" é uma série protagonizada por Tom Hardy, produzida por ele e também por Ridley Scott. Estou rendida. Mas atenção, nem toda a gente vai gostar disto (diria que pouca, até). De qualquer modo, nunca vi o Tom Hardy assim antes. Está porco, frio, seco, intragável, bruto, mortífero, misterioso, implacável, enfim, tudo o que uma gaja gosta num homem!

A história não é de fácil compreensão e pôr em palavras o que lá se passa também. Mas, tentando, a acção passa-se em 1814 e Tom Hardy interpreta James Delaney, um homem que foi dado como morto, mas volta a Londres após a morte do pai para receber a herança. Esta é um grande presente envenenado, porque inclui um pedaço de terra que é estratégico para a guerra que o Reino Unido está a travar com os Estados Unidos. Acontece que todos querem esta terra, e Delaney não a quer vender por nada, arriscando o seu pescoço à séria.

A maneira como ele vai sobrevivendo às conspirações é sublime, assim como o modo como trama novas e muda o jogo a seu favor. No meio disto tudo, tem uma irmã com quem mantém uma relação promíscua e as suas raízes de índio (do lado da mãe) completam a sua personagem com uma mística negra que faz todos tremer à sua passagem.

A série vai estrear no AMC no dia 26 de fevereiro às 22h10, por isso podem dar uma oportunidade à vontade. Eu já vou a mais de meio e estou completamente rendida ao Tom 'Fucking' Hardy!

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Em 2015, um avião da British Airways, que saía de Londres a caminho do Dubai, teve de aterrar depois de meia hora nos ceús devido a um cheiro absurdamente mau vindo da casa de banho.

Basicamente, alguém muito nervoso e que não gosta de voar largou uma poia tão malcheirosa e de proporções tão épicas que entupiu a sanita. Os passageiros que estavam sentados nessa zona já não aguentavam mais o cheiro nauseabundo e, após alguns minutos de análise da situação, o piloto decidiu aterrar.

Os passageiros tiveram de esperar 15 horas pelo próximo voo, o que obrigou a companhia aérea a pagar acomodação para todos eles. E este foi o dia em que a diarreia de alguém provocou grandes incómodos e enormes despesas para a British Airways. Este é o terrorismo dos intestinos. Adoro estas efemérides.

Via BBC

 
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"Triste toda a animalidade após o coito, menos duas excepções? Muito sabias tu disso, ó prestimoso grego, médico de imperadores, promotor de tonitruante latinada."

in Ronda das Mil Belas em Frol, de Mário de Carvalho (2016)

É desta forma que começa o livro de Mário de Carvalho, e logo na segunda frase três palavras que desconhecia. Tau! Vai buscar. Então é assim:

pres·ti·mo·so |ô|
(préstimo + -oso)
adjectivo
1. Que tem préstimo.
2. Que ajuda ou gosta de ajudar. = SERVIÇAL, PRESTADIO, PRESTANTE

to·ni·tru·an·te
adjectivo de dois géneros
1. [Linguagem poética] Que troveja.
2. Muito ruidoso. = ATROADOR

la·ti·na·da
substantivo feminino
1. Citação em latim.
2. Erro contra a sintaxe ou a prosódia latina.

Vá, prestimoso é fácil. Devia ter partido a palavra para a perceber. Agora o resto, não chegava lá. E assim, numa frase, se aprende tanto com este senhor que, digo-o com orgulho, já foi meu professor.


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Não, não se trata de um erro de ortografia. Passo a explicar. No outro dia estava a ver um programa do TLC, "Strange Addictions". Como qualquer programa do TLC, trata de coisas de grande importância, e neste caso era um top 10 dos vícios mais estranhos.

Vi muita coisa horrenda, tal como a senhora viciada em engolir pêlos de gatos (até os lambia), a menina viciada em comer colchões (sim, tinha uma barriga bem insuflada), o senhor que tinha uma relação amorosa e sexual com o seu próprio carro (e ele mostrou como se roçava nele para se excitar...), o rapaz viciado em insufláveis infantis (as imagens monstraram-no a dar um linguado a uma orca de plástico), a esposa que não conseguia parar de comer as cinzas do marido (estavam quase no fim), e muitas coisas boas mais.

Mas o pior, na minha opinião, aquele que não consigo compreender mesmo (não é que compreenda os outros, mas entendo o distúrbio), era o casal viciado em enfiar café no cu. O esposo relatou como lhe causou estranheza quando, ao conhecer a sua futura mulher, ela lhe confessou este bonito hábito, mas ele lá experimentou e viciou-se também. Ambos garantem que não há nada igual. Nenhuma sensação no mundo que se assemelhe (e nisso acredito).

Então, umas quatro vezes por dia, eles enfiam um tubo no rabiosque e vá de café lá para dentro, directamente para a corrente sanguínea. Alegam que limpa bem o cano e que defecam tão bem que quase nem se dá por ela. No programa, um médico explica-lhes os malefícios que isto lhes irá provocar, mas eles não querem saber. Estão viciados em pôr café no cu, e isto é uma frase que eu nunca pensei proferir.

Atenção aos pais deste mundo, quando os vossos filhos vos garantirem que não andam na droga, é melhor perguntarem por outros vícios, porque as maneiras de auto-enterranço estão cada vez mais imaginativas... E aqui estão eles:

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Muitas vezes acusam Casey Affleck de ser entediante, muito por causa, digo eu, do seu tom monocórdico. Afinal, ele estava apenas à espera do papel feito à sua medida, que acredito ser este que desempenha em "Manchester By The Sea".

No filme, Casey veste a pele de Lee, um homem a quem o irmão morre e tem de voltar à sua terra natal, Manchester, para tratar dos trâmites que envolvem a morte e cuidar do seu sobrinho adolescente, de quem foi designado tutor e com quem vai ter uma relação atribulada. Só que voltar a esta terra e ver aquelas pessoas vai despertar o pior de si devido a uma situação do passado, carregada de negrume, de arrependimento e de dor. Vamos compreendendo aos poucos os motivos que o levaram a afastar-se de Manchester e como esse retorno lhe é penoso.

Os saltos temporais são constantes ao longo da trama e, na minha opinião, são feitos de forma genial. Apesar de por vezes serem bruscos, percebemos perfeitamente em que tempo estamos e com que intenção esse salto foi feito. A dor carregada por Lee é um crescendo que começa numa letargia melancólica e que tem alguns expoentes fantásticos.

A história é simples mas densa, carregada, e sentimos perfeitamente o peso que a personagem também carrega, e esta capacidade de passar esse sentimento para o espectador faz deste um dos meus filmes favoritos à corrida pelos Óscares.


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O ritmo dos nossos dias é frenético, eu compreendo e sinto-o na pele, mas nada justifica a falta de educação que os apressados dos transportes públicos mostram.

São aqueles que procuram a porta mais próxima como se estivessem a oferecer fatias de pizza a quem puser o pezinho primeiro dentro do comboio ou do metro. Estão-se a cagar se há pessoas que querem sair, eles precisam de entrar, desesperadamente, porque toda a gente sabe que o último a entrar é um ovo podre.

As pessoas que estão a sair, coitadas, levam com o turbilhão de apressados que querem entrar à força, e nesse momento lembro-me sempre daquela batalha mítica do Game of Thrones (os fãs sabem do que falo). Pena que não haja um gigante para lhes esmagar os crânios vazios. Em vez de espadas ou arco e flecha há malas, mochilas, sacos do ginásio e do supermercado a serem arremessados e apertadinhos entre as pernas do pessoal enquanto se dão empurrões que se querem subtis mas são incomodativos como o caralho. Aposto que nenhum espinafre chega ao destino com boa cara.

Ainda assim não percam um lugar sentado, esse Santo Graal de quem faz viagens de minutos, preciosos para descansar as pernas. E depois, se entra algum velho ou grávida que fica em pé, enfiam a cabeça no telemóvel como se o Papa Francisco tivesse enviado o SMS mais sagrado do mundo, para fingir que nada vêem. Ai não, aquele lugar foi ganho à custa de uma batalha épica.

As pessoas precisam de fazer mais amor e ioga. Pessoas, cabe sempre mais um.





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