Palavras do Abismo

The Secret é uma minisérie (4 episódios) proveniente da Irlanda do Norte. Ao fazer zapping, apercebi-me que estava a dar no Sundance TV e decidi ver do início. Acabei por ver os episódios todos de rajada. O mais impressionante é que a história, que tem tanto de inacreditável, é baseada em factos reais.

Colin e Hazel eram conhecidos e ambos participavam activamente na comunidade, principalmente na Igreja que frequentavam. Algo mais surgiu entre eles e tornaram-se amantes. Tendo valores morais que consideravam fortes, o caso dá cabo deles por dentro. Não é, de todo, aceitável que pessoas tementes a deus e que defendiam os valores da família andassem a dar umas trancadas por fora. O divórcio estava fora de questão, para além de ser errado ficariam mal vistos para sempre na comunidade.

Perante este cenário, e cada vez mais apaixonado por Hazel, Colin convenceu-se de que deus os pôs no caminho um do outro por uma razão, e a única forma de ficarem juntos sem culpa, e cumprindo os seus desígnios, é com a morte dos respectivos cônjuges. Assim, armou um plano na sua cabeça e, com a ajuda e silêncio de Hazel, matou-os, simulando suicídio.

Ora isto foi em 1991 e a série abrange um período de 18 anos. Durante todo este tempo, o cenário de suicídio foi aceite pelas autoridades, e só mudou devido a uma série de eventos que fez com que Colin confessasse o crime. Os episódios mostram-nos um homem demente com muitos problemas e com uma contradição mental muito grande, bem como graves perturbações sexuais. As interpretações são fantásticas, principalmente por parte do par de pecadores. A questão da devoção à Igreja e ideias de que daí surgem é perturbadora, quase tanto como o sangue frio e elaboração do crime. Se puderem, dêm uma oportunidade.


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O busto mais famoso do momento está uma bela caca. Não sei quanto tempo foi perdido a fazer aquilo, mas se demorou mais de 5 minutos, não parece. Pode ser aceitável se o "artista" for uma criança, ou tiver Trissomia 21, ou se for autista. Ou cega. Ou ter feito com os pés. Caso contrário, não sei em que cenário uma pessoa faz aquilo e acha que está um bom trabalho. Até podia estar, se:

. O CR7 andasse metido nos ácidos
. Tivesse acabado de ter um ataque cardíaco ou uma trombose
. Tivesse ficado estrábico e mau da tola depois de uma bolada na cabeça a 200km/hora
. Fosse uma versão do CR7 no SpongeBob
. Fosse primo do Tino de Rans
. Se se tivesse passado dos cornos e morto todo o clã Aveiro e ficado com aquele ar assustador
. Ou então aquilo estava muito fixe ao início e caiu ao chão uma hora antes da inauguração do aeroporto e deixaram assim deformada a ver se passava

Ai, senhor Emanuel Santos, você pode ser filho da terra, mas deve ter bebido demasiada poncha.


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No dia 17 foi lançado o 14º álbum de estúdio dos Depeche Mode, que já andam nestas andanças há 30 e tal anos. Ainda eu não era um espermatozóide. E isso é assustador e magnífico. Primeiro, porque eles estão velhos (e eu também), mas depois apresentam uma coisa com uma qualidade destas, completamente actual e adaptada aos nossos tempos, que é simplesmente sublime.

Chama-se "Spirit" e a versão Deluxe traz mais 4 faixas de mixes, perfazendo um total de 17 músicas de puro prazer. Não o considero um álbum muito festivaleiro - falta-lhe algum poder de fogo para entreter multidões ao ar livre, e por isso não tenho assim tanta pena de os perder no NOS Alive. Já os vi no Atlântico e vou guardar a recordação desse concertão do caraças. Para gáudio do público que já esgotou o passeio marítimo de Algés, espero que a setlist vá mais para as músicas mais dançáveis, mas, verdade seja dita, com álcool aquele pessoal gosta de qualquer coisa. E não é que o público do Alive vá lá propriamente para ver concertos.

É um disco cheio de carisma. Adoro ouvi-lo enquanto trabalho ou no ginásio. Está muito bem construído, tudo na medida certa, com doses equilibradas de tudo e mais palpável na mensagem do que é habitual. Está crescido, maduro, agradável e saciante. E é muito equilibrado, tanto que não consigo eleger uma música de eleição. Deixo-vos com o fantástico Where's The Revolution e com o sex appeal inesgotável do Dave.


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Vi esta série porque reparei que estava a dar a maratona da primeira temporada no TVSéries. Tinha tempo e dei-lhe uma hipótese.

É sobre uma família cujo membro mais novo, Adam, tinha desaparecido 10 anos antes. Toda a família estava a distribuir panfletos num parque, em dia de feira, (a mãe estava a concorrer a um cargo político) e Adam simplesmente desapareceu sem deixar rasto.

Depois de um período interminável de buscas e investigações, o vizinho da frente, que antes havia sido indiciado por assédio sexual a crianças, foi acusado do homícidio de Adam, tendo mesmo confessado o crime, embora não houvesse corpo.

Ora 10 anos depois, Adam simplesmente aparece numa esquadra de polícia. O mundo daquela família que esteve uma década em agonia dá uma volta e a comunidade une-se, perante um misto de sentimentos que se instala. Fez-se o teste de ADN que confirma a sua identidade e Adam regressa ao seio da família, completamente mudado, e revelando aos poucos os horrores por que passou preso numa cave durante 10 anos e da qual finalmente conseguiu fugir, ao mesmo tempo que o tal vizinho é solto e indemnizado pelo erro crasso.

A polícia faz de tudo para encontrar o responsável à luz das novas revelações, mas há muitos pormenores que começam a não bater certo na história que Adam conta. O seu irmão é o primeiro a desconfiar que algo está errado, enquanto o resto da família vai fechando os olhos, à conta de ter de volta o filho mais novo. Os mistérios vão-se adensando de uma forma inteligente e intrigante, e vamos assistindo a saltos temporais que nos vão revelando o que afinal se passou há 10 anos atrás, até chegarmos a um final de temporada surpreendente.

Gostei muito desta série e fiquei surpresa quando vi que foi cancelada. E não fui a única, observando os comentários dos fãs... Uma pena. Acabou de uma maneira que me deixou em pulgas para saber mais e depois fazem-me isto. De qualquer modo, a temporada existente é super recomendada.


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No sábado houve concerto dos Bizarra Locomotiva na Casa Amarela, em Almada, e de borla. Lá fui para ser atropelada pelo comboio veloz e expulsar os demónios de dentro de mim, mas acabou por ser muito mais do que isso.

Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, foi convidado especial e participou em duas músicas (O Anjo Exilado e O Escaravelho). Na segunda, não se aguentou e seguiu o vocalista dos Bizarra, Rui Sidónio, para o meio do público, onde berrou e pulou connosco, os seus fiéis seguidores de sempre que o pudemos ter bem mais de perto do que é habitual. E pronto, partilhou-se suor, comi-lhe cabelos, e foi a honra total.

Consegui filmar, mas obviamente está tudo tremido, e a lente já estava encharcada em suor, por isso é o recuerdo que se pode arranjar.

Quanto ao concerto, a Locomotiva é do caralho e mais não digo.







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Ontem foi transmitido em simultâneo para vários cinemas do país e da Europa o concerto de Rammstein em Paris, da última tour levada a cabo pela banda. Propunha-se ser um filme-concerto de uma das bandas pioneiras do metal industrial e mais conhecidas no meio. E uma das minhas preferidas, claro.

Há 5 anos atrás eu e o meu namorado embarcámos na aventura dessa tour e fomos ver os Rammstein a três locais: em Dublin, Manchester e Nottingham. Foi uma viagem inesquecível e irrepetível, daquelas que se faz quando o dinheiro e o tempo sobram. Portanto, nunca mais, segundo as perspectivas.

Ver um concerto dessa tour editado em forma de filme é sentir a saudade a bater, é sentir a nostalgia e é, ao mesmo tempo, mixed feelings. É de uma grande brutalidade ver aquilo numa sala de cinema, com aquela qualidade de imagem e de som, mas só apetece saltar das cadeiras e fazer moshe ao pessoal, o que poderia não ser muito bem recebido. Assim, limitei-me a abanar fortemente o pescoço com o cu na cadeira, o que me valeu, hoje, de uma valente dor.

O filme está com uma realização brutal, captou totalmente a essência do concerto, ao mesmo tempo que lhe conferiu uma aura ainda mais negra e maluca. Brutal. Valeu a pena, nem que seja também pela recordação de grandes momentos que passei.

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Eu e o meu namorado decidimos ir ver um concerto dos Rammstein à China (sim, só mesmo em sonhos eu tenho dinheiro para estas viagens).

O festival ficava num local um pouco duvidoso, rodeado de lojas e restaurantes decrépitos e com muito pouca gente nas proximidades. No dia do concerto, almoçámos num desses restaurantes, e no fim da refeição ele foi à casa de banho e eu esperei lá fora.

E esperei, esperei, esperei, não estranhando já ter passado mais de meia hora, porque com os intestinos dele às vezes não é de estranhar. Entreti-me a fazer Krav Maga com um velhote nas proximidades e quando dei por mim tinham passado horas. Voltei ao restaurante, perguntei onde ficava a casa de banho e, depois de apontarem para um corredor longo e sujo, decidi-me a ir buscá-lo.

Esse corredor estava cheio de bicharada, desde gatos, cães, a macacos, e tentei abstrair-me do facto que podiam ter sido o meu almoço. Cheguei a uma porta ao fundo do corredor com a indicação de WC, abri-a, e era um fosso gigante com tanta água que até fazia ondas, e com crocodilos a nadar alegremente, e nele estava o meu namorado, aflito porque nada mal, e uma outra estrangeira também aflita.

E eu disse-lhe algo como: uma pessoa à tua espera e tu a nadar com gajas! E pronto, fui ver o concerto sozinha. Já não há respeito.


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Sou muito fã da série Fargo, tal como o meu amigo D. que me encomendou o respectivo poster em ponto cruz. O próprio poster oficial é uma adaptação de ponto cruz!

À esquerda o original, à direita a adaptação bordada. E de seguida vou bordar o poster do filme com o mesmo nome, já está no forno!


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Um filme de Woody Allen que reúne muitas estrelas, como Steve Carell, Jesse Eisenberg ou Kristen Stewart, sendo esta, desta feita, a musa inspiradora, aquele elemento feminino essencial nas obras de Woody que faz a acção girar.

A história não é nada de novo. Jesse interpreta um jovem, Bobby, que quer mudar de vida, nos anos 30, e muda-se para Hollywood, onde o tio (Carell) é um agente de estrelas de sucesso, algo mal-humorado e impertinente. Mas lá arranja tempo para ajudar o sobrinho, que começa como um moço de recados na empresa e vai subindo a pulso, travando contactos importantes e, acima de tudo, conhecendo melhor Vonnie (Stewart), a secretária do tio que o arrebata à primeira vista.

Só que ela mantém uma relação instável com um homem casado, e após ter um breve mas intenso romance com Bobby, separam-se e seguem o seu caminho. E, claro, numa daquelas reviravoltas do destino irónicas como só Woody sabe fornecer, eles voltam a encontrar-se noutras circunstâncias inesperadas.

Vamos tendo algumas revelações surpreendentes pelo meio, muitos momentos cómicos, e acima de tudo muitos diálogos geniais como só este realizador sabe fazer. Por isso, apesar do argumento não ser nada de transcendente, torna-se um filme único, e com uma luz e fotografias notáveis, bem como a banda sonora e todo o ambiente musical (com foco no jazz). Um dos maiores destaques tem de ser também Kristen Stewart, que nesta película está com uma beleza poética que nunca lhe tinha visto. Woody Allen faz-lhe bem, e é mútuo.


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Ontem foi dia de ir ver os Korn no Campo Pequeno. Não se esperava um recinto quase esgotado, mas quem dizia que o nu metal está morto, estava bem enganado.

Depois de um concerto falhado por razões técnicas no Rock in Rio, esta foi a redenção da banda, um pedido de desculpas que foi completamente aceite pelo público, completamente ansioso pelo início do espectáculo.

E foi um concerto do caraças. Eles vieram com vontade de partir a loiça toda e o público apanhou os cacos. A setlist percorreu toda a carreira da banda, dando um equilíbrio aos saudosistas e aos novos fãs. Eles agarraram o passado e fizeram dele bandeira sem vergonha, e pegaram nas novas músicas e fizeram delas hinos, com muita naturalidade. Quem diria, com mais de 20 anos de carreira?

Uma das coisas mais bonitas, aqui e em todos os concertos de metal, é a bela relação que se cria entre gerações. Tanto podem ser encontrados os fãs mais cotas, onde já me insiro, como pessoal que ainda nem era um espermatozóide quando foi lançado o primeiro álbum. Não é música de modas, mas de conquista, aproximando quem gosta do género independentemente da idade. É bonito.

Eu adorei. Foi uma lufada de ar fresco revivalista e a ao mesmo tempo, de mudança. O oldschool está vivo e ainda mexe. A pancada que tinha pelo Jonathan Davis amainou um pouco pela barriga de grávido, mas ainda está sexy as fuck!

Foto: Rita Carmo (Blitz)
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