Palavras do Abismo


Nomeado para 4 Óscares, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator Secundário (Jeff Bridges), era um dos filmes mais badalados de 2016 que me faltava ver.

A história passa-se no Texas, onde, para salvar o rancho da família, um homem divorciado e que não vê os filhos há séculos e o seu irmão mais velho (Chris Pine e Ben Foster) encetam um plano de assaltos a bancos para ganhar dinheiro fácil. Jeff Bridges interpreta o xerife quase na reforma que lhes vai no encalço.

Ao contrário do que tem acontecido com os restantes filmes nomeados e premiados, não achei nada por aí além. A história é batida, sem nada de novo, previsível, parada. Gostei da fotografia e a interpretação de Jeff Bridges salvou o filme do descabalabro, mas mesmo assim fez o que pôde com um papel tantas vezes visto.

A relação entre os irmãos, as perseguições, as partes que deviam "chocar" e ser determinantes, o que devia ser sentimental, o desfecho, não passam do razoável. Foi uma pequena desilusão, mas enfim, muita gente poderá adorar, até porque aqui e ali há partes interessantes, especialmente no que toca à diferença de culturas dos personagens e quando alguns, mais tipicamente texanos, fazem das suas.



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O que importam os escândalos que envolvem Berlusconi? Da minha parte, caem todos por terra, incluindo a evasão fiscal e ter recorrido a prostitutas (um gajo tem necessidades!) se for mesmo verdade que se tornou vegetariano.

Diz-se por aí que teve problemas de coração, e por isso acredito que, agora, aos 80 anos, esteja a desacelerar em corrupção e em consumo de carne. E deu mesmo a cara por uma campanha promovendo uma Páscoa vegetariana, aparecendo num vídeo que tem como mote a salvação de cinco cordeiros, que adoptou. E o grande lobo tornou-se mesmo cordeiro, a afagar, beijar e a alimentar os bichos com uma cara angelical e a emanar uma luz que soa a encenação.

Mas que se lixe. A indústria da carne está toda zangadinha com ele e é assim que as coisas mexem. Podem ladrar o que quiserem! Na minha Páscoa não entra carne, na do Berlusconi também não, assim como na de muito boa gente, e será um feriado um pouco menos sanguinário. Viva!


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Cá estou eu com o meu fraquinho por filmes baseados em histórias reais e ainda por cima com gatos. Tinha de ver. O "A Street Cat Named Bob" conta uma história que correu mundo, primeiro em livro e agora em filme. James Bowen, ex-toxicodependente, viu a sua vida mudar a partir do momento em que um gato de rua, a quem acabou por chamar Bob, mudou a sua vida para sempre.

Com um passado tortuoso e uma vida inteira agarrado a drogas duras, James viu a sua família virar-lhe costas e cantava nas ruas para se sustentar. Portanto, uma história igual a tantas outras, não fosse Bob, o gato, ter-se introduzido no seu caminho e dele nunca ter saído. Os dois parecem ter mesmo sido feitos um para o outro, 'precisaram-se' mutuamente e ajudaram a salvar-se. Uma história bonita de persistência, superação e de amor adequada a toda a gente.

Curiosamente, o gato que aparece no filme é mesmo o gato Bob, já que nos castings nenhum se comportava como ele. É a estrela maior da película que nos mostra que a salvação pode vir de onde menos esperamos, e que temos de nos rodear das presenças certas na nossa vida, sejam de duas ou quatro patas.

Já agora, na foto em cima consta o verdadeiro James Bowen, com o seu eterno amigo Bob.

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Feito para uns amigos amantes dos felinos, como prenda de agradecimento há muito devida. Em ponto cruz, pronto para pendurar num bastidor de bambu.

Este gato não tem vergonha!


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Era um festival medieval na Alemanha, com tudo muito arrumadinho por entre muralhas de castelos - bancas de tatuagens (onde estava lá uma das minhas tatuadoras), de comida, de artesanato, num local fantástico. Vi concertos de Rammstein, Metallica, System of a Down, Nine Inch Nails, enfim, só mesmo num sonho para reunir as minhas bandas favoritas.

Eu e o meu namorado apanhámos o autocarro que nos levava de volta ao aeroporto, com muita pena de abandonar aquele local. Uns amigos nossos perderam o autocarro, e tiveram de esperar pela manhã seguinte, passando pelo incómodo de ter trocar os bilhetes de avião. Até gozámos um bocado com eles, dizendo que era bem feita por andarem sempre atrasados.

Até que passadas umas horas nos mandam uns vídeos e fotos que nos puseram a chorar. O Marilyn Manson deu um concerto surpresa. Depois de quase toda a gente ter ido embora, depois das bancas fechadas e tudo arrumado, depois da primeira vaga de autocarros ter partido, aquele cabrão sexy aparece em palco vestido de latex a cantar a Beautiful People, e os nossos amigos curtiram bué um concerto quase intimista. Chorámos baba e ranho, quase cortámos os pulsos. Lição: nem sempre é bom fazer tudo a tempo e horas... Ou, quem perde um autocarro, apanha outra coisa qualquer que faz tudo valer a pena.


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Vi o Lion, filme nomeado para 6 Oscares e vencedor de outros importantes prémios, e gostei muito. Tenho um fraquinho (ou fracão) por filmes baseados em histórias reais, porque me relembram que o cinema não é só fantasia, que há coisas inacreditáveis que se passam num ecrã mas que são histórias verdadeiras de pessoas reais. E esta é realmente incrível.

O pequeno Saroo, menino indiano de 5 anos, perdeu-se do seu irmão mais velho num comboio em Calcutá, nos anos 80, indo parar muito longe de casa. Sozinho, desesperado e num local em que não falam a sua língua, passou por imensas provações, passou muita fome e fugiu de gente com más intenções até ser colocado num orfanato e finalmente ter tido a sorte de ser adoptado por uma família australiana. Nunca ninguém conseguiu perceber de onde ele vinha nem quem era a sua família.

Décadas se passaram e Saroo sente cada vez mais o chamamento de saber as suas origens, o que é feito das pessoas que deixou para trás, sentindo uma angústia por saber que até ao momento ainda poderiam estar à sua procura. Com o advento de novas tecnologias (que hoje tomamos como certas mas que na altura revolucionaram o mundo digital), Saroo decide partir numa viagem de descoberta do seu passado para que possa prosseguir com o presente.

Este menino teve realmente uma vida incrível num contexto que nós nunca iremos compreender. É um filme tocante, uma odisseia inacreditável, com um Dev Patel inspirador no papel do Saroo adulto. Até agora, para mim, a sua melhor participação num filme. Não ganhou o Óscar de Melhor Actor Secundário, mas ganhou o BAFTA e o AACTA, indicador da sua qualidade.

Nicole Kidman também está como nunca a vimos no papel da mãe adoptiva. Fora da sua sensualidade habitual para dar lugar a um papel mais maternal, paciente e fraterno. Também gostei muito de a ver fora da sua concha, numa interpretação em que se mostra como é, sem artifícios. A ver!

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A colecção Fargo em ponto cruz encomendada pelo meu amigo fã fica assim completa com o poster do filme bordado.
Quem não conhece o filme Fargo, realizado pelos irmãos Coen e com uma extraordinária Frances McDormand no principal papel? É só mítico. Se não viram, vejam já. E depois podem encomendar-me uma coisinha destas! :)


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É que não é uma nem duas vezes. Quando estou no trabalho, apanho quase todos os dias alguém que está numa cabina na casa de banho em amena cavaqueira ao telemóvel. A conversa normalmente está a ser acompanhada pelo barulho do mijo na água, e não é um burburinho, há ali mulheres que mijam com jacto de vaca.

E sim, também já apanhei o ploc-ploc de algo mais, e também peidos, que já se sabe que na loiça da sanita e dentro das cabinas se amplificam. Mas isto é normal? Ou sou eu que sou uma púdica no que toca a necessidades? Já forro a sanita para não se ouvir nada do que eu faça (e para cagar no trabalho tenho de ir a uma refundida e pouco frequentada, senão não consigo), e aquela gente faz questão de partilhar connosco e com a pessoa do outro lado do telefone tudo o que lhes sai da bexiga e das tripas?

Primeiro, eu não quero ouvir as vossas literais conversas de merda; segundo, tenho pena das pessoas que vocês conhecem por as submeterem a tal nojice. Ou se calhar até curtem, e só se estraga uma casa. Disto até fazerem selfies com o cagalhão é um passinho.




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Estou há imenso tempo para limpar o tecto da minha marquise, que está a ficar com manchas pretas. Até já sonho com isso.

No sonho, eu e o meu namorado finalmente nos decidimos a limpar aquela porcaria e até nos estávamos a divertir, tanto que dispensámos o escadote - pus-me nos ombros dele e andava para lá a esfregar muito divertidamente. Às tantas desiquilibrei-me, e a janela estava aberta, e mandámo-nos por ela abaixo.

Lembro-me de ainda pensar, no momento do início da queda, que se ele ficasse por baixo eu teria hipóteses de sobrevivência. Mas não, caí primeiro, e ficámos os dois esborrachados no chão numa amálgama de bocados de cérebro e sangue. Depois a câmara do meu sonho fez um close up à marquise e estava lá o meu gato a olhar cá para baixo com ar de terrorista e aí tive a certeza que foi o dissimulado que nos empurrou...


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The Secret é uma minisérie (4 episódios) proveniente da Irlanda do Norte. Ao fazer zapping, apercebi-me que estava a dar no Sundance TV e decidi ver do início. Acabei por ver os episódios todos de rajada. O mais impressionante é que a história, que tem tanto de inacreditável, é baseada em factos reais.

Colin e Hazel eram conhecidos e ambos participavam activamente na comunidade, principalmente na Igreja que frequentavam. Algo mais surgiu entre eles e tornaram-se amantes. Tendo valores morais que consideravam fortes, o caso dá cabo deles por dentro. Não é, de todo, aceitável que pessoas tementes a deus e que defendiam os valores da família andassem a dar umas trancadas por fora. O divórcio estava fora de questão, para além de ser errado ficariam mal vistos para sempre na comunidade.

Perante este cenário, e cada vez mais apaixonado por Hazel, Colin convenceu-se de que deus os pôs no caminho um do outro por uma razão, e a única forma de ficarem juntos sem culpa, e cumprindo os seus desígnios, é com a morte dos respectivos cônjuges. Assim, armou um plano na sua cabeça e, com a ajuda e silêncio de Hazel, matou-os, simulando suicídio.

Ora isto foi em 1991 e a série abrange um período de 18 anos. Durante todo este tempo, o cenário de suicídio foi aceite pelas autoridades, e só mudou devido a uma série de eventos que fez com que Colin confessasse o crime. Os episódios mostram-nos um homem demente com muitos problemas e com uma contradição mental muito grande, bem como graves perturbações sexuais. As interpretações são fantásticas, principalmente por parte do par de pecadores. A questão da devoção à Igreja e ideias de que daí surgem é perturbadora, quase tanto como o sangue frio e elaboração do crime. Se puderem, dêm uma oportunidade.


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