Palavras do Abismo

"Deborah tinha razão. Foram poucas as perguntas que lhes fizeram, e quase todas elas de lana-caprina."

in Sr. Mercedes, de Stephen King (2014)

Foi preciso ler este livro do meu mestre mais-que-tudo Stephen King para aprender aquela que pelos vistos é uma expressão muito antiga mas que desconhecia. Pelos vistos, lana-caprina vem de lã de cabra, que é de qualidade inferior à da ovelha.

A expressão evoluiu na sua aplicação e significa algo que é de qualidade duvidável, ou coisa sem importância, uma ninharia e insignificância.

Por isso já sabem, quando tiverem preocupações que não valem a pena o esforço, ou se tiverem de lidar com pessoas de merda, lembrem-se que isso é tudo lana-caprina.


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O filme Passengers tem uma premissa interessante - uma nave espacial transporta 5000 passageiros para uma colónia noutro planeta, e encontram-se todos a hibernar, porque a viagem tem a duração de 120 anos. Devido a um erro provocado por meteoritos, uma das cápsulas de hibernação avaria, libertando um passageiro do sono (Jim, interpretado por Chris Pratt).

Cedo se apercebe que foi o único a acordar e que esteve a dormir apenas durante 30 anos. Ou seja, faltam 90 para a nave aterrar, o que significa que ele vai morrer ali, caso não arranje uma maneira de voltar a hibernar. Segue-se o desespero deste homem ao ver as ideias a esgotarem-se e a solidão a tomar conta da sua mente. Esta é a parte realmente interessante e que devia ter sido mais explorada.

Mas não. Por alguma razão o realizador achou que devia pôr o amor ali. Numa história de ficção científica que prometia, sentiu necessidade de explorar... o amor. E o que podia ter sido um grande filme, passou a ser um filme mais ou menos que se tornou uma mistura de outros que já vimos inúmeras vezes.

Para além disso, acontecem algumas coisas nonsense, colocadas ali por mera obra divina para resolver problemas que surgem, suspendendo a crença na acção.

Não deixa de ser um filme com análise final positiva e com uma fotografia agradável, mas fico triste pelo rumo que as coisas tomaram. Adoro filmes sobre o futuro e ficção científica, e fiquei um bocado frustrada.


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Cada vez que há um caso de ataque de animais a humanos e se mete a hipótese de abater o bicho, revolvem-se-me as entranhas de indignação. Como é que não entendem não há raças perigosas? Que não há animais maus? O culpado de tudo é, sempre e só, o humano de merda que está por trás disto.

Ou seja: donos violentos geram cães violentos. Assim como pais violentos geram crianças violentas (e deprimidas, socialmente estranhas, idiotas e por aí fora). Donos que batem geram animais que querem morder. Donos que atiçam geram cães que querem atacar. Há raças em que este estímulo é mais fácil de passar? Claro, assim como há raças mais propensas a tudo (a serem treinados para cães polícia, a serem cães guia, a trabalharem com crianças autistas...) mas, como não me parece difícil de entender, a educação vem do exemplo.

Mudam-se tanto as leis, abrem-se um pouco as mentes, mas quem se lixa são sempre os mesmos. Há tanto assassino, ladrão, corrupto, pedófilo, a passear por aí, e ninguém os abate. Com os animais, seres irracionais que respondem a estímulos, a primeira coisa que se mete em cima da mesa é a sua morte.

Reconheço a frustração dos lesados, mas isto não é justiça. Não é respeito pela vida nem pelo próximo. Nós não estamos acima de ninguém nem de nenhuma espécie. Não temos esse direito. Somos nós que promovemos o ódio, não eles.


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Ok, não estou a promover um estilo de vida saudável, mas vamos partir do princípio que é um hamburguer vegetariano, batatas doces no forno e chá verde. Fast food feita em pins de 3cm em ponto cruz, para ostentar numa mala, por exemplo!


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Desmond Doss sentiu a necessidade de se alistar para o exército americano, mas com motivações diferentes do resto dos soldados. Devido às suas convicções religiosas e motivado por outras razões pessoais, Desmond recusou-se, sempre, a tocar numa arma. Partiu para o terreno na Segunda Guerra Mundial com o propósito único de salvar vidas, recusando-se a tirá-las.

Como objector de consciências, foi gozado, humilhado e violentado. Foi chamado de cobarde e ninguém queria combater ao lado de um homem que não queria matar por eles. Mas persistiu. Já no campo de batalha, após uma carnificina no combate com o inimigo, Desmond ficou sozinho para trás, e foi sozinho que acabou por localizar e transportar dezenas de feridos que teriam ficado para morrer se não fosse ele.

O seu acto de coragem ficou para a História e fez com que fosse reconhecido, tanto no imediato, ganhando finalmente o respeito dos seus pares, como depois, ao ser o primeiro objector de consciências a ser condecorado.

No filme Hacksaw Ridge, Andrew Garfield interpreta grandiosamente Desmod Doss em toda a magnitude e humildade deste homem incomparável. A nomeação ao Oscar fez todo o sentido. Longe vão os tempos em que me irritava com o seu papel de Homem-Aranha pós adolescente. A minha impressão dele começou a mudar quando entrou na pele de um travesti num videoclip de Arcade Fire e depois, definitivamente, no filme 99 Casas. Está feito um actor como deve ser, sim senhor.

Mel Gibson tem de ser também reconhecido. Tornou as lutas, as batalhas, os cenários em momentos épicos. Uma realização de louvar que acima de tudo torna a história ainda mais grandiosa, com alguns ingredientes óbvios mas necessários numa trama como esta. Acho até que está um melhor realizador do que actor. Pelo menos nos últimos filmes em que tem entrado...

Hacksaw Ridge - recomendadíssimo.

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Imagino que já tenham visto a escultura da Vista Alegre da Nossa Senhora. Ela anda por aí a correr as redes sociais, está em promoção ("só" custa 128€!) e é um preço bem caro a pagar por um dildo.

A alminha sagrada que fez isto não viu logo que ia ser motivo de chacota? Não viu uma forma fálica nesta coisa? Porque eu só consigo olhar para isto e ver pila e tomates. Até me surgiu uma nova prece:

Avé Vagina cheia de graça
O prazer é convosco
Bendita sois vós entre as pernas das mulheres
E bendito é o fundo da vosso ventre
Santa Vagina mãe de Deus
Rogai por nós, os pecadores, agora e na hora do alívio sexual
Amén

Ora isto é que é mesmo uma "vista alegre" capaz de agradar a todos os credos. Ai Nossa Senhora, vai tudo para o inferno.


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Estava a chegar à terrinha, de autocarro, e prestes a passar na rua da minha avó (a minha avó falecida, que no sonho estava viva). Estava descansadinha a fazer palavras cruzadas à espera que o autocarro parasse, e este trava de repente, e começa a ouvir-se uma grande confusão na rua com pessoas aos gritos e a fugir por todo o lado.

Toda a gente do autocarro começa a levantar-se para ver o que se passa e só vemos uma grande quantidade de carros parados à nossa frente. O motorista abre a porta e piramo-nos todos, dirigindo-nos ao cerne da confusão. E eis que vemos bocados de um corpo espalhados pelo alcatrão da estrada e não só, com pedaços de cérebro e membros decepados colados às casas e nos jardins destas. Ainda se consegue identificar que o corpo é de um polícia, pelos rasgos de uniforme que ainda se mantém junto ao que resta do tronco.

Fico um bocado a olhar para aquilo, que me fascino com mortos, mas depois vou à casa da minha avó, que é mesmo em frente, e ligo a CMTV, porque esses gajos estão em todo o lado escondidos debaixo de todas as pedras da calçada. Tal e qual, já tinham imagens do que se tinha passado e já estavam a passá-las em loop até à exaustão. Eram da câmara de vigilância de um vizinho, e mostravam o polícia a atravessar a rua, e um carro veio a abrir na curva e passou-lhe por cima como se nada fosse. Em câmara lenta percebia-se o desmembramento e os miolos a arrebentarem por todo o lado.

Fiquei assim esclarecida sobre os acontecimentos, e depreendo que o sonho se deve aos recentes atentados terroristas do género, ou porque estou a ler um livro do Stephen King em que há um atropelamento de uma multidão de desempregados na fila para uma feira de emprego. Grande SK, és um grande sádico.



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O dia da mãe está a chegar, e para comemorar fiz este bordado em ponto cruz, com uma frase e um pequeno motivo floral com coração. A moldura é branca com cerca de 3cm de largura. Está disponível!

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Um estagiário teve o descaramento de adormecer no segundo dia de trabalho numa empresa de tecnologia. Primeiro - que inveja! Estou há quase 9 anos no mesmo sítio e tenho a certeza que se alguém me apanhasse a dormir seria despedida, mas aqui levaram a coisa com humor.

Primeiro, foi tirada uma foto com todos os colegas, e depois deu-se início a uma batalha de Photoshop que está a ser épica. Lindo. Há montagens brutais. Portanto, não foi despedido mas vai ficar marcado para sempre na internet como um dos gajos mais gozados de todos os tempos. Mas valeu totalmente a pena. Obrigada, man!

Via Bored Panda














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Com um desenho que apanhei por aí e uma frase do livro que adicionei, saiu do forno este pequeno Principezinho que fiz sem destino especial, mas que logo foi reservado quando o coloquei online.

Porque é assim, este menino move paixões, e moverá, para sempre.


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