Palavras do Abismo

Uma prisão do Arizona, Estados Unidos, tem a decorrer um projecto para reabilitação de cães que não estão prontos para encontrar novas famílias. Ou sofreram maus tratos, ou foram abandonados, ou abusados sexualmente, e não confiam no ser humano, não estando minimamente prontos para serem adoptados.

Numa cooperação entre a prisão e o canil, estes cães estão a aprender a socializar e a confiar novamente. Seis dias por semana, um pequeno grupo de reclusos interage com os cães da Maricopa County Animal Safety Unit.

E, é claro, a reabilitação dá para os dois lados. Estas pessoas problemáticas que, de uma maneira ou de outra acabaram por violar as regras da sociedade, encontraram nestes encontros uma amizade como nunca tiveram, um motivo para continuar, todos os dias, sentindo, alguns, pela primeira vez, o sentimento de empatia.

Não é qualquer um que entra neste programa - são feitas entrevistas e têm formação de técnicos especializados antes de serem aceites. Curiosamente, alguns dos reclusos acabaram por ter trabalhos relacionados com animais quando saíram da prisão, e dois deles estão mesmo a tirar o curso de técnicos veterinários.

Reabilitam-se as almas, ganham-se amigos, aprende-se tanto. Uma ideia do caraças para importar. Basta olhar para as fotos.










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Sou do Benfica (e isso me envaidece) e estou rejubilante por ser tetra-campeã, mas aquela festa do Marquês, perdoem-me os entusiastas, é uma valente merda.

O que era bom, mesmo bom, era quando não havia palcos, e fumo e fogo de artifício, e música electrónica tão alta, e tudo cortado e contadinho.

O que era mesmo fixe era quando o autocarro seguia a passo de caracol e demorava horas para dar uma volta ao Marquês, completamente engolido pela multidão. Todos queriam estar perto, tocar no autocarro, dizer-lhes adeus, atirar-lhes cuecas, levar banho de champanhe dado pelos jogadores.

O que era mesmo fixe era ouvir a multidão a gritar pelo Benfica espontaneamente, ter essas vozes a sair do peito e do coração a entoar desalmadamente, e não ter de gritar ao ouvido do próximo para ser ouvido por cima da música do Despacito.

O que era mesmo fixe era andar livremente nas ruas a apitar, a correr com o cachecol levantado e não ter um cortejo controlado a tirar o tesão. Vai por aqui, dá a volta à rua de cima, contorna à direita e talvez consigas um espacinho enlatado entre o rabo daquela senhora e a vedação a 7km do palco, onde podes ver os jogadores do tamanho de pulgas se tiveres sorte.

O que era mesmo fixe era ver os que arriscavam a subir à estátua do Marquês (até porque está lá o leão), tomar conta dela, e parecia que estávamos a conquistar o mundo e a História. Hoje, só dá para subir aos semáforos...

Os tempos são outros e sinto-me velha, mas esta festa do Despacito, da kisomba e do laser não é para mim. A festa do futebol é mais do que uma discoteca gigante onde se tem de berrar para se ser ouvido. Já não tenho esperança que as coisas mudem quando o Benfica for campeão novamente, mas Sporting, se me estás a ouvir e SE fores campeão, por favor muda o paradigma, foca-te nas pessoas, são elas que fazem o clube e bastam, e sobram para a festa.


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O drama, o desapontamento, a desilusão, o horror, a depressão total. São assim as segundas-feiras para mim. Estar dois dias à solta e depois voltar para o trabalho, novamente, e repetir as mesmas coisas, ver os mesmos rostos, enfrentar as mesmas injustiças e lambe-botismo do costume... é simplesmente horrível. E no entanto tenho colegas que aparecem com sorriso no rosto, bem dispostos, sorridentes, que mandam piadas, ficam na converseta alegre na copa... e vê-los assim ainda contribui mais para o meu desespero e desejo de mandar todos para o caralhinho ou de os empurrar de um precipício.

Mas depois penso um bocadinho e encontro a explicação, resumida na imagem abaixo. Para eles, passar 8 horinhas, no mínimo, com o cu sentado numa cadeira nojenta, são férias. E prefiro a minha depressão, que significa que fora desta prisão a minha vida é boa. Boa segunda-feira!

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Um conjunto de pins bordados em ponto cruz com os super pequeninos heróis da BD e do cinema: Batman e Super-Homem :) Com base em bronze de 3cm.


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Mais um assunto (que é um não-assunto) para os haters das redes sociais. Então a mulher do futuro presidente de França tem mais 25 anos do que ele. E então? 

Era a professora dele. E então? Realizou o fetiche de muito boa gente que fantasiou com os seus professores. Disse-lhe, e na altura ela era casada, que ia acabar por casar com ela, e conseguiu. A fantasia afinal era mesmo amor e acabaram juntos, apesar dos protestos dos pais dele e de muitos amigos que repudiaram a relação.

O primeiro filho dela é mais velho que o actual marido. E então? Pelo menos aprendeu a lidar com rapazinhos.

Ela diz que não lhe resistiu aos encantos. E então? Se fossem uma mulher quarentona a viver a vida típica de casamento-filhos-vida-perfeita e fossem assediadas por um rapaz novo e inteligente não se iam sentir no mínimo lisonjeadas? Ela abriu uma fresta na sua vida típica e decidiu seguir por esse caminho. Para mim, é coragem. E se a fresta foi aberta, foi porque não era inteiramente feliz.

Quando os homens são mais velhos que as mulheres nada se diz. Basta olhar-se para o casal Trump e Melania, que é muito mais esquisito socialmente e na demonstração de afectos do que a Brigitte e o Macron. Para além disso, esta mulher está na casa dos 60 mas não é aborto nenhum. É elegante, ágil, enérgica, inteligente, bonita, e tem tudo para se tornar um exemplo para todas as mulheres que a vão ter como primeira-dama, e não só.

Por isso, acalmem lá o pito e preocupem-se com coisas que valham a pena.




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A indignação, o horror! Uma música calma que não é pimba, cantada em português e com uma letra com pés e cabeça na final da Eurovisão! Socorro!

Juro que não entendo a indignação que vai pelas redes sociais, especialmente de pessoal que sempre se teve a cagar para a Eurovisão. Nunca viram, não querem saber, mas porque houve gozo com um gajo desconjuntado e diferente que foi contra todas as ideias pré-concebidas, os haters estão lá para manifestar o seu desagrado, mas WHO CARES?

Segurem essa indignação para manifestações, poupem a energia para ajudar quem precisa, guardem os nomes feios para tanto filho da puta que os merece. Se não gostam, ponham na borda do prato. Deixem de se refugiar no "é a minha opinião e é um país livre" porque ninguém quer saber da opinião duma pessoa que acordou agora para a existência do concurso só para ser hater e se armar em bom.

Ah e tal, "era mau para os Ídolos, mas agora papam-no", bla bla bla "se é isto o melhor que Portugal tem para oferecer estamos bem fodidos" - diz o mesmo pessoal que deu tempo de antena à Maria Leal.

Eu estou-me a cagar para a Eurovisão, sempre estive, mas live and let die porra!


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Vá, não é aquilo que parece... É claro que estou a falar de rebuçados. Esta moldura é ideal para se oferecer àquela pessoa especial ou para deixar na secretária do trabalho. E está disponível! Feita em ponto cruz, numa moldura 10x15cm em plástico preto.


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Não sei quem foi o/a designer da Balenciaga que desencantou este saco azul (à direita) que é obviamente inspirado no famoso saco do IKEA (à esquerda), mas está a levar um gozo tão grande que até já tenho pena.

Não sei como não previram isto, quer dizer, o saco do IKEA é mais reconhecido que a Estátua da Liberdade. Se fizerem um vox pop por aí com fotografias dos dois, aposto que há mais respostas correctas a identificar o saco. Embora a Balenciaga tenha reconhecido a inspiração, acho que o fizeram apenas para não cair (ainda mais) no ridículo.

A mala da direita está disponível por uns meros 1300€ (mais trocos, menos trocos), enquanto que o do IKEA custa 70 cêntimos. Por isso, aspirantes a tiazocas que ainda têm de escolher entre botox e solário e uma mala nova, podem pegar na versão low-cost, forrá-la e fazer figura na próxima ida à piscina da Pepa (era essa que queria uma-mala, não era?).

A resposta do IKEA ao anúncio também é qualquer coisa. Faz-me querer uma-mala.


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O grumpy cat é o gato que está sempre com cara de mal-disposto, ou seja, isto foi mais um auto-retrato, que já está exposto na minha sala. Feito em ponto cruz, num bastidor para pendurar.


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Martin Scorsese foi ambicioso e corajoso ao fazer este filme. Ao contrário da maioria dos filmes da sua carreira, este não é um que todos queiram, pelo menos, experimentar ver. As quase três horas de duração e o tema da religião ligada aos jesuítas portugueses afastaram muitos dos ecrãs que procuram o cinema instantâneo. Já eu, adorei o "Silêncio".

Comecemos pela imagética, que é absolutamente fantástica. Uma fotografia de tirar a respiração, aliada a planos fora do senso comum, e acompanhados de efeitos sonoros totalmente adequados para ajudar ao impacto visual. Do princípio ao fim. O ambiente do Japão ajuda, claro, à criação de uma aura espiritual que nos engole.

Quanto à trama, conta a viagem mirabolante de dois padres jesuítas portugueses (Andrew Garfield e Adam Drive), que partiram rumo ao Japão para encontrar o padre Ferreira (Liam Neeson). Há rumores que este se tornou apóstata, renunciando ao cristianismo e vivendo como um japonês. Num país onde os cristãos são perseguidos e torturados, os dois embarcam numa senda perigosa para encontrar o antigo mentor e servirem de inspiração e porto de abrigo a todos os crentes que estão a ser perseguidos.

E há tortura, morte, desespero, luta pela sobrevivência, perseguição; ingredientes que já seriam suficientes para nos prender à história, mas é muito mais do que isso.

No elenco destaca-se Andrew Garfield, que menciono pela segunda vez em poucos dias. Se já se me tinha confirmado o seu talento, esta é uma extrapolação deste. A sua interpretação deixou-me sem palavras, sendo o espelho e o espectro de um homem tão confuso e seguro de si, tão desesperado e certo das suas acções, transportando a dualidade de sentimentos no rosto e nos gestos de um papel nada fácil mas que cumpriu na perfeição.

Aconselha-se aos amantes do cinema, de História, aos que buscam imagens poderosas e aos simplesmente curiosos.

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