Palavras do Abismo

Só que em vez de ir para o trânsito, vou para os comboios e para os diários atrasos do Metro de sardinha em lata. Tudo para ter o prazer de olhar para um ecrã todo o dia. Que miserável.

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Neste momento de alguma seca de séries fixes para ver, decidi experimentar a Veep, que já vai na 6ª temporada mas nunca lhe tinha ligado. E logo depois de ver o primeiro episódio chicoteei-me mentalmente por nunca lhe ter dado atenção. É demais!!

É uma dose equilibrada de humor negro e humor parvo, com personagens surreais e peculiares que me fazem lembrar um bocado as do The Office. Toda a acção se passa ao redor de Selina Meyer, Vice-Presidente dos Estados Unidos, interpretada por uma Julia Louis-Dreyfus que não via a um nível tão alto há muito tempo.

Esta Vice-Presidente é uma pérola no panorama da comédia internacional. Num gabinete povoado tanto por incompetência, situações nonsense e ausência de senso comum, ela lá vai sobrevivendo mantendo uma imagem de simpatia arrogante, de falso dever cumprido, num tipo de comédia que não é óbvia nem dada de bandeja, o que faz com que goste ainda mais.

Vencedora de uma carrada de Emmys, incluindo para Melhor Série de Comédia e Melhor Atriz de Comédia em várias edições, é imperdível para quem é fã do género, e talvez vos tenha passado um bocado ao lado. Por cá, passa no TVSéries. Selina a Presidente, já!


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Há mais de uma década que andava para ver este filme de 2003 do Clint Eastwood, vencedor de 2 Óscares e 2 Globos de Ouro (Melhor Ator para Sean Penn e Melhor Ator Secundário para Tim Robbins). Nunca calhou, até agora, que o apanhei no AXN Black e não o deixei escapar.

Já o devia ter visto há mais tempo, efectivamente. Eu e todas as alminhas que gostem de cinema. É sombrio e sóbrio, como um peso que nos cai em cima dos ombros durante mais de duas horas e não o queremos largar, qual masoquismo atento.

Tudo começa com uma história do passado - três amigos, que brincam na rua fazendo asneiras, são interpelados por um homem mais velho, bem vestido e com um bom carro, que os repreende. Aclamando que o vai levar à mãe para prestar contas, o homem enfia um dos rapazes no carro. Algum tempo depois os amigos e a vizinhança percebem que algo está errado. Aquele miúdo acaba por passar quatro dias fechado a sofrer os maiores horrores às mãos daquele homem até conseguir fugir.

Agora, esse miúdo é adulto, e nunca mais foi o mesmo. Reservado, fechado, carregando um espectro permanente, tenta viver uma vida normal. Até que a relativa normalidade é abalada pelo assassínio de uma pessoa próxima - a filha de um daqueles rapazes que estavam com ele naquele dia. O mistério adensa-se à medida que acompanhamos o trabalho policial brilhantemente interpretado por Kevin Bacon e Laurence Fishburne.

A estrela da companhia é sem dúvida Sean Penn, o pai da rapariga, um homem duro desesperado por vingança, que consegue, ao mesmo tempo, ser o expoente da sensibilidade e um osso duro de roer.

Um filme com desenrolares nada óbvios num ambiente muito bem construído numa realização brilhante.


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Duas alunas foram vistas a beijarem-se nesta escola. O escândalo, o horror. Um "comportamento perturbador", nas palavras dos funcionários que viram e que foram fazer queixa à direcção da Escola Secundária de Vagos.

As raparigas foram chamadas e foi-lhes dito que não podiam proceder mais a esse tipo de comportamento, sob pena de surgirem consequências. Ora essa ameaça que, em pleno século XXI faz tanto sentido como a existência de touradas e a tortura de animais em festas da terrinha, foi retaliada exemplarmente pelos alunos da escola.

Movidos pelo sentimento de empatia e de injustiça, organizaram um protesto. Fizeram cartazes, entoaram palavras de ordem, fizeram vídeos que espalharam pelas redes sociais. Porque eles sabem o óbvio - que a orientação sexual não se escolhe, e ao contrário do que acontecia nas gerações anteriores onde tudo era reprimido, não faz sentido esconder, como se fosse uma doença contagiosa e motivo de vergonha.

Agora, todos os alunos envolvidos nesta mostra de amizade e contra o preconceito vão ser alvos de processo disciplinar. Porque faz todo o sentido castigar os jovens que, não fazendo mal nenhum a ninguém, mostram espírito de união contra aquilo em que acreditam.

Muito isto nos diz, especialmente quando são os mais novos o exemplo e motivo de orgulho. Espero que os pais deles vejam este acto exactamente com orgulho, porque estão a criar como deve ser as próximas gerações, as mentes que se querem abertas e a lutar por causas e pela igualdade de direitos.

Parabéns a estas alminhas! Vocês são fantásticos!

Via Sábado.





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Finalmente vi o vencedor do Óscar de Melhor Filme deste ano. "Moonlight" é belo, sim, nas imagens vibrantes e incisivas que nos chegam aos olhos numa realização brutal e realmente diferente.

A história é apresentada por ordem cronológica em três momentos distintos, tendo como base um personagem central que acompanhamos na infância, adolescência e idade adulta, separadamente. Ele é, primeiro, um tímido menino negro com mãe solteira dependente de drogas; depois, um jovem confuso que sofre de bullying e que desperta para a sua sexualidade; depois, um homem feito completamente diferente do que foi - que teve a oportunidade de começar do zero e renasceu num outro alguém, mais duro, deixando uma centelha do seu antigo eu por vir ao de cima.

As imagens são mágicas, os diálogos são mágicos, há cenas em que sentimos vontade de entrar na tela e resgatar este menino-homem das situações chave que nos arrebatam o estômago. Levanta questões morais, muitas, a maior delas a homofobia numa comunidade onde ser diferente é uma ofensa e motivo para despoletar a violência.

Gostei muito e acompanhei avidamente, mas não sei se concordo com o galardão. Talvez tenha gostado mais do "Lion". Para o Óscar de Melhor Ator Secundário nem se fala. O Mahershala Ali esteve bem, mas não era um papel particularmente difícil e apareceu uns 10 minutos no total... Agora já posso dizer que o Dev Patel foi injustiçado.

De qualquer forma, é imperdível. Sensível, de uma falsa serenidade arrebatadora. Fazei o favor de ver.

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Quando vejo televisão é quase sempre os canais por cabo, e não sei como é nos nacionais, mas os que vejo foram tomados pela Trivago nos intervalos. Os intervalos no cabo são mais pequenos, mas mesmo assim levo com eles 3 ou 4 vezes! Como é que é possível? Foda-se!

Já não quero ouvir mais a voz daquela mulher a perguntar-me se alguma vez procurei um hotel online... não querida, eu nasci no século passado e uso só a lista telefónica e ocasionais folhetos que me enfiam no correio! Já sei que o Trivago compara os preços de mais de 700 mil hotéis e que posso poupar até 27%! Sei isso 4 vezes por intervalo!

Não quero saber mais! Vocês estão a levar-me à loucura! Nunca irei ao site da Trivago agora! Não quero ouvir mais essa palavra! AHHHH! Prefiro pagar esses 27% e esquecer que vocês existem! Que enjoo!! Há empresas que não têm noção do efeito contrário que provocam pelo cansaço...

Esta mulher não tem culpa mas só me apetece partir-lhe a boca.


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Sábado de manhã. Associação de gatos abandonados onde faço voluntariado. Um dos gatos, o mais malévolo, vê a porta aberta e dá uma corrida rumo à liberdade. Vejo-o na minha direção e numa fracção de segundo tenho de tomar uma decisão: deixo-o fugir ou agarro-o de frente e o meu braço que se foda.

Que se foda o meu braço, então. Resultado: joguei-me para cima dele à maluca e fiquei marcada do pulso ao cotovelo por aquelas dentuças do mal. Duas das feridas bem profundas não paravam de deitar sangue, o cabrão acertou-me na veia. Fico suja de sangue, branca como a cal, a tremer e quase no desmaio, enquanto me cuidavam da ferida. Levam-me para casa. Tento fazer o almoço. Não consigo descascar batatas. Nem cebola. Nada. Acabo por enfio massa numa panela. Não consigo lavar a loiça. Não consigo limpar-me depois de ir à casa de banho (foi toda uma aprendizagem para usar a mão esquerda).

Sábado de tarde. Comprimidos para as dores no bucho. Tá-se bem, alta moca. Tenho o braço inchado e negro, mas tenho de ir testar a minha bicicleta nova que tinha chegado nesse dia para ver se está tudo bem. Desço, com ela no elevador (moro no 4º andar), vou dar uma voltinha. Tudo bem. Travões OK. Pneus OK. Mudanças OK. Volto para casa. Filho da puta do elevador avariado. Carregar a puta da bike por umas escadas apertadas até ao 4º piso, sem sentir o braço direito e a recuperar de ciática. Acho que nunca suei tanto na vida, e eu faço exercício todos os dias. Ficar a arfar no chão do corredor durante 15 minutos a recuperar. Gato aparece para verificar se estou morta e declara que sim depois de me cheirar o sovaco.

Sábado à noite. Vou jantar a casa do meu namorado, que mora no 3º andar sem elevador. Último lance de escadas. Quase lá em cima. A chegar. Até agora tudo bem. Depois, não sei o que aconteceu, mas mandei um tralho nas escadas. Não sei porquê, não sei como. Resultado: com o braço direito inanimado, meti o esquerdo ao chão. Fiquei com esse também inanimado, porque só com um o meu dia estava a ser muito fácil. E foi assim que fiquei com mãozinhas à T-Rex. Estavam lá mas encolhidas sem servirem para nada. Ainda bem que o jantar foi pizza e não foi preciso usar talheres.

Resumindo, há manhãs em que de tarde não se devia sair à noite...

PS: fica uma foto do Bernardo, o gato do além. Mas eu gosto dele à mesma. Aquela barriga fofa é a armadilha do mal.


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Esperava-se que Jessica Chastain tivesse sido nomeada a um Óscar pela prestação em Miss Sloane, e não ter sido foi surpreendente para muita gente. Agora percebo porquê. Na minha modesta opinião, ela brilha e faz todo o filme, num papel difícil, de muito controlo e frieza, que merecia pelo menos a nomeação.

Ela interpreta Elizabeth Sloane, uma mulher conhecida pelo seu coração frio (ou ausência de coração de todo) que centra toda a sua vida na sua carreira brilhante de lobista. Ela é formidável na arte de convencer pessoas, sejam massas ou isoladas, a tomar as decisões que mais lhe convém, sejam políticas ou de outra natureza qualquer. Ela influencia, mexe cordelinhos, e tem sempre algo surpreendente na manga para todas as ocasiões.

Tudo muda quando a sua chefia lhe pede ajuda num assunto polémico que envolve o porte de armas. Pela primeira vez, recusa um trabalho por não achar moralmente aceitável, e basicamente compra uma luta gigante com grandes tubarões, que muitos acham que não vai conseguir aguentar.

O modo como ela vai lidar com isto, aliando-se às pessoas que acha correctas e agindo habilmente por trás do pano, é de uma inteligência abismal e também de um sacrifício enorme, e vale bem a pena acompanhar. O fim é a cereja no topo do bolo. Muitas surpresas, que não são assim tão óbvias e, claro, Jessica, e a sua elegância natural e talento, fazem valer a pena.

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Chris Cornell. Uma das minhas companhias musicais desde que me conheço, não fosse eu uma rockeira e a sua carreira mais longa do que a minha idade. Importante na cena grunge, e não só, é daqueles que vai ficar para sempre. Por aqueles êxitos que teimam em atravessar gerações, captando fãs para o rock depois de tantos anos, pelo talento inegável, e porque, vá, era um dos gajos mais sexy do meio. A sua voz rouca e inconfundível e aquele visual de bad boy que se está a cagar quebraram muitos corações e fizeram suar muito boa gente nas virilhas.

52 anos não é idade para morrer, por princípio. A sua última música tocada ao vivo, na noite anterior, foi sobre a morte. E acabou por tirar a própria vida, enforcando-se.

Podes ter achado que a tua hora acabou, mas os que ficam acham sempre que não, e que caíste num acto de cobardia. Mas, Chris, para mim, conhecer o limite e pôr um ponto final é escolha e libertação. Be yourself, it's all that you can do.


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Isto já aconteceu no ano passado mas só agora esta putéfia foi considerada culpada. Uma mulher grávida de 3 meses perseguiu um ciclista e passou-lhe por cima, partindo-lhe as costelas e deixando-lhe o fígado em frangalhos. Antes, ela estava a falar ao telemóvel e, portanto, distraída, quando ele embateu contra o retrovisor e começou a barafustar a pedir que ela parasse.

Ela só parou depois de o perseguir e ter a certeza que o atropelou, e deixou-o sozinho a agonizar. "Um ataque de raiva", é o que a imprensa diz, e podem ver o vídeo aqui. Agora, aguarda a sentença, que pode ir até 5 anos de prisão.

Este assunto toca-me especialmente, já que o meu avô faleceu desta forma. Estava a andar de bicicleta e um filho da puta passou-lhe por cima de propósito (até saiu da estrada para o fazer; e há o testemunho do pendura que confirma a intenção) e nunca foi condenado a nada. Nunca sequer sentou o seu cu nojento num tribunal, porque o sistema não funciona e porque é filho de um político local.

Esta gente tem "ataques de raiva" e brincam com a vida dos outros, armando-se em deus e pensando que escapam impunes. Não é por estar grávida na altura que vou sentir um mínimo de compreensão. Devia arder no inferno, e devia ter ardido logo na altura. Gente de merda, donos da razão, nos píncaros da carência de civismo e respeito ao próximo, foda-se.


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