Palavras do Abismo

"(...) ele próprio poderia tomar conta de Samuel todas as noites que ela fosse trabalhar, certificando-se de que a criança estava bem e que tinha ali um amigo para o acalmar de qualquer pesadelo, febre ou demais achaque."

in Amanhecer na Cidade, de Filipa Fonseca Silva (2017)

Neste livro fantástico que me surpreendeu pela positiva, ainda tive o prazer de aprender uma palavra nova. É daquelas que se descortina bem pelo sentido, mas aqui fica para os mais exigentes:

a·cha·que
substantivo masculino
1. Ataque de doença habitual.
2. Mal-estar sem gravidade.
3. [Figurado] Defeito moral. = PECHA, VÍCIO
4. Imputação.

Todos nós sofremos portanto dos nossos achaques... A sociedade está repleta de achaques também, e uma vez por mês sofro de achaques do caraças.


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Com uma simples "frase" postada no Facebook de um perfil de apoio ao fim das touradas, um acéfalo provou que:

1 - é um sádico que adora tortura
2 - é o típico agitador de cu sentado no sofá
3 - é um burro do caralho que não sabe escrever
4 - é um preconceituoso inútil, o que não me surpreende porque decerto vive no séc. XVI como demonstrado no ponto 1.

Gostava que fosses um "homemsexual", mas és só um inútil de merda. Espero que te enfiem um corno no olho do cu - isso é que seria uma festa muito brava.


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Raw é um filme de terror francês que marca pela diferença logo pelo tema - uma rapariga vegetariana, proveniente de uma família toda ela com o mesmo regime alimentar, torna-se canibal.

Justine vai para a universidade estudar medicina veterinária e as coisas começam logo a aquecer. Logo no primeiro dia, a rapariga inocente e angelical entra num antro de festas intermináveis, noites loucas, praxes sádicas e pessoas estranhas. Uma das actividades que desempenhou enquanto praxada foi comer um rim de coelho. Apesar dos seus protestos e de ter procurado o apoio da irmã (também estudante) acabou por comer, e ficar viciada, no sabor do sangue.

Aquilo provocou-lhe várias reacções químicas no corpo, já que nunca na vida tinha sentido o que era a carne a ser rasgada e desfeita pelos dentes e o prazer de sentir o sangue escorrer livremente pelo seu rosto, como se de uma selvagem se tratasse. E depois, por um infeliz acaso, prova a carne humana... O que muda tudo. Completamente viciada, começa a ter desejos para com os seus colegas, e não são daqueles a que todos estamos habituados.

Apesar da estranheza do conceito que à primeira vista poderá afastar alguns espectadores, ressalvo que é um filme bastante bom até. Os franceses estão a fazer filmes brutais e dentro do género terror este é um deles. Em nenhum momento o filme é estúpido - apesar do ambiente estudantil e do canibalismo - ou pouco sério. Com uma aparência crua e algo noir, e sem qualquer tipo de reservas, está extremamente bem feito.

Como fã de filmes de terror, farta de ver sempre os mesmos temas a serem explorados, esta foi uma lufada de ar fresco (mas podre, sanguinário, como eu gosto) que estava a fazer falta. Com aquele toque perturbador, uma excelente fotografia, casting no ponto e pormenores inesperados. Muito bom. E não como carne.

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Não foi a primeira vez que os dois se juntaram em palco - já tinha acontecido num concerto solidário em 2012 - e voltou a acontecer há dois dias. Eddie Vedder, vocalista dos Pearl Jam, juntou-se a Roger Waters para juntos cantarem e tocarem a intemporal Comfortably Numb, uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Aconteceu na digressão americana do Roger, que passou por Chicago.

Roger Waters não é o meu 'Pink Floyd' favorito, mas o Eddie substituiu o meu David Gilmour com brilho e com tudo à flor da pele, e conseguiu arrepiar-me. Não tanto como o David, mas isso é impossível. O David é o meu master dos arrepios, forever and ever [referência a High Hopes, quem é fã sabe].

Deixo o vídeo desta colaboração fantástica; e, não desfazendo, mais em baixo a melhor colaboração de todas - aquela que me fez arrepiar até aos pelos do cu, quando o David e o Roger deixaram as merdas de lado e tocaram juntos. Seus bardamerdas, deviam deixar-se disso e tocarem juntos novamente e realizarem-me o sonho da vida. Cabrões teimosos, quebrem o muro que construíram entre vocês.



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Estava no supermercado de cócoras a pôr maçãs dentro de um saco. Quando me levanto ouço um grito. Pelos vistos, sem perceber, dei um encontrão a uma pessoa que ia a passar atrás de mim. Era uma mulher brasileira, que sem querer tinha empurrado para cima das batatas doces.

Ela agarra-se ao joelho nu (trazia calções) e vê-se uma linha de sangue a escorrer... Pedi desculpa, enquanto a mulher diz que dói e tal... Ofereci-me para lhe comprar pensos e o que precisasse para desinfectar, mas ela não quis. "Pode deixar...", disse ela enquanto coxeava para a secção dos iogurtes. Ainda a voltei a encontrar junto às batatas fritas agarrada ao joelho.

E nisto apercebo-me de duas coisas: 1 - não sei a força que tenho; 2 - muitas das coisas relevantes que se passam na minha vida acontecem no supermercado. Triste. A vida adulta sucks.


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Mais um. Chester Bennington matou-se no dia em que Chris Cornell faria anos.

Não gosto dos últimos álbuns de Linkin Park e deixei de acompanhar a banda de perto, mas sem dúvida que é uma das bandas da minha vida. Marcou profundamente a minha adolescência, despertou-me para sonoridades mais pesadas e para um estilo de vida que hei-de levar para o caixão - as tatuagens, os piercings e o estilo que lhe invejava e que achava tão sexy.

Nunca hei-de esquecer as tardes de adolescente passadas com a minha amiga e colega de um outro blog em frente à televisão e a gritar a One Step Closer, sentindo-nos poderosas e badass. E não é que o somos, passados mais de 15 anos?

Volto a dizer, e tenho-o dito vezes demais, que é preciso colhões para o suicídio. Abusado em criança, uma vida debaixo dos holofotes, álcool, drogas, seis filhos, uma depressão cabra e silenciosa. 41 anos. A pressão que está a atacar uma geração e que está a deixar um rasto de carnificina sem igual.

Obrigada Chester. Ajudaste-me a ser quem sou. A mim e a mais uns quantos milhões.


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Foi apanhado um anormal que ateou cinco incêndios em três dias (notícia aqui). O gajo justificou-se dizendo que gosta de ver os bombeiros a combater as chamas... Enfim, se há quem fique com tesão com os tubos de escape dos carros, este deficiente também pode esgalhar o pessegueiro a observar os bombeiros por trás dum eucalipto em chamas...

Agora, e o que eu gosto? E os populares da zona, e quem sofre com estas tragédias? Quem é que vai garantir que os nossos desejos vão ser satisfeitos? Bem, eu tenho uma ideia. Já que o gajo é padeiro, eu gostava muito de o ver entrar no forno e a ser assado como um papo-seco. Damos um empurrãozinho? Ser espancado em praça pública também seria aceitável.

Vá, autoridades, agora façam o vosso papel e deixem o acéfalo à solta com termo de identidade e residência, rematada com uma palmadinha nas costas e um isqueiro no bolso.




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Fila do Minipreço ao fim da tarde. Duas ciganas estão a ser atendidas. Diz uma para a outra, bem alto:

"- Olha bem para esta fila! Isto é pessoas de todas as raças! Aqui, esta menina é ruiva e branca como a cal. Aquele menino das rastas é café com leite e bem jeitoso. Aquela menina [eu] é assim pró moreno castanho. E tu [o operador de caixa] és mesmo preto com esses dentes todos brancos. E a gente somos ciganas! Somos todos iguais, todos fazemos compras no Minipreço e todos viemos da cona da nossa mãe!"

Ora aqui está o resumo do mundo numa expressão - viemos todos da cona da nossa mãe. E eu também queria dizê-lo bem alto, mas reservada como sou, ainda bem que o fizeram por mim. Nascermos de uma etnia ou outra é uma roleta russa no purgatório das alminhas por nascer.

No meio disto tudo, a pessoa estranha sou eu, que não passo de uma morena castanha... Até na fila do Minipreço sou redundante.


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O Ed já andava para desistir do Twitter. A gota de água foi ontem. O rapaz entrou no primeiro episódio da 7ª temporada de Game of Thrones e foi completamente escorraçado. Decidiu então que agora era o momento para dizer adeus à rede social.

As pessoas que não têm nada que fazer perderam o seu tempo a insultá-lo pela sua participação no episódio. Sem spoilar nada demais, ele canta um bocadinho e diz duas frases, inserido num grupo de soldados Lannister. Acho que é tudo.

Grande parte das críticas aconteceu porque o Ed aparece tal como é e quase como se estivesse a publicitar-se. Outros artistas já tinham aparecido na série, mas quase irreconhecíveis e com papéis completamente diferentes das suas profissões, daí talvez o "choque" de quem não conseguiu afastar-se da ideia dele como cantor e achar a aparição completamente descabida.

Da minha parte, acho que foi uma participação algo forçada que não acrescenta nada à história. Vê-se que ele deve ter entrado porque queria muito participar, ou porque a actriz da série que contracena com ele é a sua maior fã. No entanto, não me faz comichão. Adoro a série e não me fez assim tanta confusão. Não fui criticá-lo e chamar-lhe nomes, deitá-lo abaixo, ao contrário das pessoas sem nada que fazer.

Pessoas, Game of Thrones é das melhores séries de todos os tempos e eu sei, as temporadas são curtas e está tudo a chegar ao fim e não queremos perder tempo. Mas relaxem, vivam a vida. A série já nos ensinou que ela é curta, a não ser que conheçam o Senhor da Luz.

Sugestão de coisa para fazer: façam uma maratona de todas as temporadas e vão apontando as mamas, pipis e pilinhas que vão aparecendo. Quando chegar à parte do Ed tentem lembrar-se do melhor pipi e vão ver que passa rápido.


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"Abra atingira aquela idade em que as raparigas começavam a dar muita importância ao peso e à aparência - uma idade em que a anorexia e a bulimia tendem a mostrar a sua face descarnada e famélica."

in Doutor Sono, de Stephen King (2013)

A sequela do The Shining trouxe-me esta nova palavra, 'famélica'. Dá para perceber pelo sentido que estamos a falar de uma palavra com conotação negativa, mas não conseguia saber ao certo. Então:


fa·mé·li·co
(latim famelicus, -a, -um)
adjectivo
Que tem muita fome (ex.: gata famélica.) = ESFAIMADO, FAMINTO

Simples e fácil. Até porque estou famélica, vou ali aviar uma bucha.


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