Palavras do Abismo

"A pastorícia e a agricultura iam dando o que fazer e o que comer e ficavam por conta de Deus, que não raro passava longas temporadas sem enviar sinais que recompensassem a devoção bem espelhada em romarias e procissões marcadas no calendário e nas constantes louvaminhas em altares de grande riqueza na entrega e pobreza nos artefactos.

in O Intrínseco de Manolo, de João Rebocho Pais (2012)


Eu louvaminho, tu louvaminhas... Nunca tinha ouvido tal expressão, mas vamos lá:


lou·va·mi·nhar
(louvaminha + -ar)
verbo transitivo
1. Louvar excessiva e afectadamente.
2. Lisonjear.

Parece-me palavra adequada ao contexto. Louvar a um Deus pode efectivamente tornar-se excessivo e obsessivo. E há quem louvaminhe em volta dos chefes, a ver se cai mais um euro; e louvaminhar gajas boas também, mas aí custa mais do que um euro. Louvaminhem, mas moderadamente!


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Quem acompanha o The Walking Dead conhece bem este taco de nome Lucille, sedento de fazer vítimas! Negan é o seu dono, e "Eeny meeny miny moe" foram as suas palavras quando uma das personagens mais queridas da série acabou por levar com a sua fúria e ficar com o crânio esmagado...

E como é um momento fofinho, mereceu esta aplicação fofinha em ponto cruz num bastidor de madeira pronto a pendurar, que já tem uma fã da série como dona.


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Este 'senhor', Neto de Moura, que deve ser um encornado de primeira, foi o homem que justificou a agressão sofrida por uma mulher por ter encornado o seu esposo. O juíz citou a Bíblia, esse guia das almas que todos nós seguimos à risca, para atenuar a situação do cabrão que afincou na mulher.

Diz ele que "o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem". É. Realmente uma traição deita a pessoa visada abaixo, dá-lhe cabo da confiança, mas pelos vistos só os homens é que sofrem desse despudor. Os homens são uns santos que têm sempre a sua esposa em alta consideração. Não há qualquer registo que alguma vez um homem tenha posto os cornos à mulher. Nunca. Nenhum de nós sabe de casos desses. Mas, mesmo que se saiba, o homem é aquele macho com necessidades sexuais impossíveis de agradar e que tem de recorrer inevitalmente à patareca fora de casa.

Diz ainda que "Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de delapidação até à morte." E esse é o exemplo das sociedades que queremos seguir, seu anormal! Queremos que as mulheres andem tapadinhas só com os olhos de fora, e que não tenham direito a estudar e a trabalhar, queremos que sirvam como repositório de esporra e sejam parideiras, queremos que se calem e acatem tudo! Que sejam violadas sem direito a dizer um pio, que sejam atacadas e assediadas na rua, nos transportes e em casa! Que mundo perfeito!

Mais uma nota - "Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte." Sorte dessa puta que só levou umas marretadas no focinho. Castigo bem leve. Devíamos seguir a Bíblia mais vezes, e assim podíamos vender as filhas como servas, seríamos poligâmicos, teríamos de casar virgens, teríamos direito a ter escravos, faríamos rituais com sangue, matávamos prostitutas à pedrada e as mulheres com o período ficariam em casa durante uma semana. Parece-me bem, hein?

Este senhor é um papalvo que ficou preso num século que nem o viu nascer. Não há nada que justifique a violência num casal. Este juíz de merda derrama para o chão séculos de evolução e pisa em cima. Bronco do caralho, nojento de merda.


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"1922" é um filme acabinho de sair na Netflix, baseado num conto de Stephen King. E tal como em tudo o que o meu mestre faz, fui ver logo a correr.

A ação passa-se nesse ano. Wilfred James vive com a mulher e o filho no campo, onde o casal tem terras e planta milho. Acontece que essas terras pertencem à mulher. Agora que o pai dela faleceu, ela pretende vender as terras e rumar para Omaha, a cidade grande, onde sonha abrir uma loja de roupa.

Ora Wilfred e o filho não ficam nada contentes com esta pretensão - não querem abdicar da vida no campo, que é tudo o que conhecem e que adoram. Perante a intransigência da mulher, elabora um plano para a matar - a única solução possível para a sua vida permanecer tal como é.

Mas, claro, nada é simples. É a culpa que ataca, é a vida que não volta a ser o que foi, é o deteriorar da relação com o filho, é tudo a desmoronar, são os sonhos a cair por terra, tal castigo divino a entrar em ação. Vemos a arrogância e a certeza transformarem-se em arrependimento e desilusão de forma magistral.

Thomas Jane, que desempenha o papel de Wilfred, foi para mim uma surpresa. Desconhecia-o, e foi o estandarte deste filme, elevando as emoções deste homem, e a falta delas, a um patamar elevadíssimo. É um filme negro e trágico que decorre a um ritmo que talvez a muitos possa parecer lento - a mim pareceu-me verdadeiro - ganhando o estatuto de fábula. Uma nota extra-positiva para a fotografia.



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O álbum novo do Marilyn Manson, "Heaven Upside Down" é um bebé de duas semanas que já tive oportunidade de ouvir umas quantas vezes. Não me entrou imediatamente, porque simplesmente não me parecida nada de novo. E não é. Mas "aprendi" que isso não é mau, uma vez que é um retornar ao MM de antigamente. As semelhanças com os primeiros álbuns são gritantes, o que poderá fazer finalmente os fãs mais antigos felizes, uma vez que consideravam os últimos álbuns um desvio algo despropositado.

Pois agora temos fartura de referências a mortes, satanás, agressividade, sangue, logo patentes à partida apenas pelo nome das músicas, em que SAY10 ou JE$US CRI$I$ são exemplos evidentes. Portanto, tudo em bom para quem gosta dessa faceta do senhor.

Em relação aos dois álbuns anteriores parece-me haver mais guitarradas, mas não só de satanás e de selvajaria ele vive - há músicas calminhas e cheias de estilo como a visceral Blood Honey - com um crescendo e um culminar fantásticos - ou "KILL4ME", em que é pedido à amada que prove o seu amor de forma menos convencional.

No que toca às letras parece-me haver um pouco menos de inspiração, confirmada quando, na "Tattooed in Reverse", ele rima 'showhorse' com 'of course' de forma completamente forçada. O que é pena, já que é uma das minhas canções preferidas no que toca ao ritmo e ao uso das teclas. Longe da frase que me continua a tocar do álbum anterior - 'We're killin' strangers, so we don't kill the ones that we love' ou do irónico 'You wanna know what Zeus said to Narcissus - You'd better watch yourself", também do Pale Emperor de 2015.

Os singles escolhidos para videoclip são dos tais previsíveis, e deixo aqui o mais recente "SAY10", cuja escolha de protagonista também é esperada - um Johnny Depp sujo num vídeo com referências sexuais - não há que enganar, é fórmula vencedora.

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Ozark é uma série Netflix lançada em julho e que acabei agora de ver. Jason Bateman, que se tem destacado mais na comédia, é o grande protagonista e realizou 4 episódios, mostrando uma faceta dramática que lhe desconhecia.

Ele faz o papel de Marty Byrde, um consultor financeiro que se vê metido numa alhada quando o seu sócio foi morto depois de ser apanhado a roubar a um implacável dealer de droga para o qual lavava dinheiro. Marty seria o próximo da lista. Inventando um plano em cima do joelho para salvar a própria vida, Marty convence-o de que será capaz de lavar todo o dinheiro que ele precisa, e muito mais, se o deixar mudar-se para Ozark, no Missouri, com a família.

E assim começa uma nova vida para a família Byrde, que vai ficando cada vez mais disfuncional conforme as mentiras se vão avolumando, assim como o perigo que vão correndo. Em Ozark, um sítio isolado nas montanhas junto ao rio, um autêntico destino de verão, Marty vai tentar, rapidamente, entrar nas graças da população e investir o mais possível nos negócios locais para lavar o dinheiro necessário, o que vai causar-lhe inúmeras dores de cabeça e problemas com toda a gente.

Quem já viu a série poderá concordar que parece uma mistura de Breaking Bad com Narcos. Por isso, para quem, como eu, já viu essas séries, poderá estar sempre a fazer comparações porque os temas são comuns, prejudicando assim a opinião sobre Ozark. No entanto, gostei à mesma. Adorei o talento que observei no Jason Bateman, a fotografia abismal sempre em tons azuis daqueles cenários impossíveis, e as enrascadas de que ele se vai safando.

Não é uma série perfeita, mas está num bom nível. E tem boas mortes.

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"De facto, Pierre estava desesperado por mudar-se daquele tugúrio, mas ainda não convencera o jovem duque a dar-lhe um quarto no palácio."

in Uma Coluna de Fogo, de Ken Follett (2017)

Neste livro, Pierre é um grande filho da mãe que persegue o poder e o luxo a qualquer custo. Por isso, "tugúrio" não podia ser coisa boa se Pierre queria tanta distância.

tugúrio
nome masculino
1. habitação rústica e pobre; choça, choupana
2. abrigo; covil

Pois claro. Pierre Aumande não é homem de morar em qualquer buraco decadente. Já eu gosto muito do meu tugúriozinho!


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É um tema que o PAN tem em cima da mesa e que está a gerar muita confusão, porque agora uma mulher italiana ganhou um processo em tribunal para ter direito ao pagamento dos dois dias que teve de faltar ao trabalho para dar assistência médica ao seu cão.

Os sabichões das redes sociais, os reis super engraçados da opinião de cu-sentado, alegam que estão tristes porque lhes morreu uma barata e precisam de uma semana em casa para recuperar; outros dizem ainda que não andam a trabalhar para os outros serem calões; há também os que constatam que os animais são mais bem tratados que os humanos.

Pois eu digo que no mundo ideal, todos são bem tratados - animais e humanos. No mundo ideal, as pessoas têm bom senso para tomar todas as decisões em consciência; no mundo ideal, os nossos impostos serviriam para ajudar quem realmente precisa. Mas no mundo em que vivemos, tanto animais como humanos q são maltratados. Há pessoas que se aproveitam de baixas e rendimentos que não merecem. E os nossos impostos não vão parar aos sítios certos, e há muito filho da puta a viver deles.

Posto isto, sei que na mente destes reis é difícil "entrar" que os animais fazem parte da família. Para muitas pessoas, são mesmo a única família. As suas dores e sofrimentos são os nossos. E respeitar a família, e os animais, nem devia ser posto em causa.

Até hoje, nunca tive de faltar ao trabalho para dar assistência aos meus animais. Mas vai acontecer. Eles vão envelhecer, e maleitas virão. E eu sofrerei. E não vou conseguir ir trabalhar. O dinheiro é o menos. Se não me quiserem pagar o dia, vão em frente. Mas alguém ganhar este processo em tribunal é um alento para que os animais possam ser reconhecidos como a família que efectivamente são.


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No ido ano de 1998, a McDonald's teve um molho especial de edição limitada, por ocasião do lançamento do filme Mulan. O molho Szechuan foi mencionado agora na série de animação Rick and Morty, e num golpe de marketing a cadeia de fast-food decidiu trazer o molho à vida, mas avisou que o stock seria muito limitado.

Ora os fãs da série e da obesidade ficaram horas na fila para poderem apreciar o molhito, e quando não conseguiram os motins começaram e a polícia teve de intervir em vários locais. No vídeo em baixo, podem ouvir "WE WANT SAUCE" a plenos pulmões, que é coisa que nunca pensei ouvir num protesto.

Jovens, vamos lá a ver. Ninguém diz nada acerca da educação nos EUA? Sobre as condições sociais, o bullying, a proliferação das armas e do crime? Está tudo bem em relação às condições ambientais que vão afectar o vosso futuro? E com o desemprego também, certo? Porque essas coisas ninguém grita.

O mundo tem as prioridades alteradas. Se dispendessem esta energia toda (provavelmente devida ao sal das batatas) numa única causa que fosse, o mundo era mais bonito.

Via The Guardian.

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Moldura preta 10x15cm com as duas fantasmagóricas irmãs do filme The Shining, baseado no livro de Stephen King. Bordado em ponto cruz, está disponível para venda.


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