Palavras do Abismo

Séries e filmes de super-heróis não me dizem nada. Gosto pouco de cenários fantasiosos sem os pés assentes na terra. Talvez seja por isso que com a série The Punisher seja diferente. Ele é apenas um homem sem qualquer super-poder; mas tem dentro de si uma raiva de tal tamanho que o torna num dos homens mais mortíferos do planeta.

A Marvel e a Netflix já tinham introduzido o The Punisher na série Daredevil, fazendo crescer a água na boca para a série dedicada ao Marine que assistiu impotente ao assassínio da sua família. O tempo de espera foi longo mas valeu a pena. É uma das melhores séries de sempre, com uma tensão de cortar à faca, cenas de luta fantásticas, mortes horripilantes e com imensa violência.

Com uma sede de vingança insaciável, Frank Castle persegue os responsáveis pela morte da família com o objectivo de não deixar ninguém vivo. Com um rasto de sangue gigante atrás de si, depressa se vai tornar num homem muito procurado. Sem medo de morrer, e por isso extremamente perigoso, Frank não irá descansar enquanto as pessoas envolvidas estiverem a respirar.

Mais uma vez, este não é de todo o meu género de séries mas está mesmo muito bem feita. É claro que o Jon Bernthal na pele deste justiceiro faz toda a diferença. Não consigo imaginar mais ninguém a interpretar este homem reservado, amargurado, solitário, que constantemente carrega em cima um peso que conseguimos sentir e que acabamos por partilhar. A um nível mais físico, o actor consegue colocar tudo isto no olhar e na expressão, tanto nas suas explosões quando fica fora de si, como nos poderosos silêncios.

É muito mais do que uma série de acção, muito mais do que violência gratuita, é a demanda de um homem a quem tiraram tudo. Recomendada. E não é só porque podemos ouvir Metallica no trailer.


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Esta foi uma encomenda de uma cliente para o seu irmão, que é um grande fã de jogos e o seu preferido é o The Legend of Zelda, da Nintendo. Um dos erros mais comuns para os leigos (como eu) é achar que o Zelda é o bonequinho principal, aqui retratado. Daí a "piada" no texto. Feito em ponto cruz num bastidor de bambu, pronto a pendurar.




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"- Verifiquem os aparelhos de ar condicionado, amigos - aconselhou Cupo. - Chegou a canícula."

in Despertar, de Stephen King (2014)

Tivemos um verão quente e seco, e também muito prolongado, e por isso todos sabemos o que é a canícula e, muitas vezes, a bênção do ar condicionado para a combater.

ca·ní·cu·la
substantivo feminino
1. Calor muito intenso.
2. Período mais quente do ano.

Pois é, juventude, agora já podem dizer que está uma canícula do caralho, e ainda assim, parecer intelectuais.


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Casey muda-se com o pai para o interior canadiano, para uma pequena povoação onde este vai ser polícia. Os vizinhos mais próximos são uma família de fazendeiros, cujo filho, da idade de Casey, se vai rapidamente tornar o seu melhor amigo. Os adolescentes começam a passar muito tempo juntos, e os sentimentos florescem.

Um dia, depois de terem chegado atrasados, o pai de Casey, já tocado pela bebida, mostra sinais de violência e a cena descamba de tal maneira que acaba por lhe bater. Jonas, o rapaz, tenta parar o homem e leva por tabela, vendo a sua vida ficar presa por um fio.

Zangado e assustado, Jonas jura que Casey nunca mais passará pelo mesmo, e pretende levá-la seja para onde for, desde que seja para longe do pai. Aí começa a aventura e uma perseguição ao par de adolescentes, que não mais vão ter descanso.

Um filme canadiano que começa com uma paixoneta de adolescentes e que se transforma num thriller bem decente sempre passado num bom ritmo. O grupo de actores faz um papel brilhante, com destaque para Bill Paxton no papel do pai que abusa do poder, tanto em casa como na sua profissão. Os cenários são fantásticos, com florestas imensas enquadradas por lagos que espelham o céu e que nos transmitem uma quietude e serenidade no meio do caos da vida destas pessoas.

Está feita a recomendação deste filme que torna um crime num percurso poético e que tem de tudo, sem pressas.


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"Gosto do vinho dourado a borbulhar no copo fino; gosto de me estender, cansado, na cama limpa; gosto de respirar o ar puro primaveril, de admirar o belo ocaso, de ler livros interessantes e inteligentes. Gosto de mim, da força dos meus músculos, da força do meu pensamento, claro e exacto. Gosto de mim solitário e de que o fundo da minha alma com os seus abismos e despenhadeiros escuros, à beira dos quais temos vertigens, seja impenetrável a qualquer olhar curioso. Nunca compreendi nem conheci o chamado tédio da vida. A vida é curiosa, e gosto dela pelo seu grande mistério, gosto dela, até, pelas suas crueldades, pelo seu feitio ferozmente vingativo e pelo seu alegre jogo satânico com as pessoas e os acontecimentos."

in História dos Sete Enforcados, de Leonid Andréev (1908)

É incrível quando o relato de um assassino, de um livro com mais de 100 anos, se encaixa perfeitamente na forma como estás na vida 💜


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No outro dia estava a fazer zapping e deparei-me com o filme Camp X-Ray (2014), que estava a dar no SundanceTV. Fiquei a ver, e gostei. A trama acompanha uma militar, Cole (Kristen Stewart), que, para escapar à sua pequena terra natal, se alista no exército e acaba por ir parar a Guantanamo, um centro de detenção fundado por George W. Bush e conhecido pela sua imoralidade principalmente no que toca aos relatos de tortura.

Ora, no filme lidamos com detidos de origem árabe - não chegamos a saber as razões das detenções, se as houver - e o papel de Cole é vigiar as celas rotativamente, entregar livros, verificar se está tudo bem. Nos primeiros dias na sua função a coisa não corre nada bem. Os prisioneiros aproveitam-se do facto de ser mulher, e novata, para abusar da sua boa vontade e relativa inocência. Os seus colegas e superiores também não mostram ser excepcionais ou compassivos.

Cole sente-se sozinha e deslocada, e um prisioneiro em especial (Payman Maadi), que a melga desde o início por causa dos livros, começa a ser a sua companhia em pequenas conversas ao longo das noites intermináveis. Vão travando um conhecimento que, embora não se possa chamar amizade, promove pequenos convívios que vão sabendo tão bem como chuva no deserto.

O filme mostra de uma forma muito natural e simples as ligações que se criam em ambientes extremos, e em relação a esta prisão em específico, que detém pessoas infinitamente sem julgamento e que as submete a práticas bárbaras, sentimos a falta da justiça. Uma óptima prestação do par de actores principais, sendo que não estava à espera desta Kristen Stewart.

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Wes Goodman era um legislador do Ohio, de direita, defensor dos valores tradicionais. Argumentava, por exemplo, que o casamento só deve acontecer entre um homem e uma mulher; declarava-se um cristão conservador; era contra o aborto, obviamente; emitia frequentemente opiniões anti-LBBT. Um gajo às direitas, republicano, impecável no seu fatinho bem passado a ferro e com o seu cabelo lambido, com aquelas fotos de família capazes de constar nos melhores calendários de Natal.

Mas claro, como podem adivinhar, no melhor pano cai a nódoa, e foi apanhado no seu escritório a levar no rabinho. É assim queridos, quem tanto desdenha normalmente quer comprar. Quem tem opiniões tão extremas acerca da sexualidade dos outros, é porque não deve estar muito seguro da sua. Vai-se a ver, e o senhor gostava de contactar jovens rapazes do partido, pelo Facebook, chegando a mostrar a sua verga pelo Snapchat.

Renunciou ao cargo por conduta inadequada, fechou o seu site (onde se podiam ler as suas ideias conservadoras que foram pelo cano abaixo) e agora deve estar a chicotear-se por não ser um exemplo de masculinidade heterossexual.

As pessoas deviam estar mais vezes caladas, porque o karma é fodido.

Mais no Independent.

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Normalmente digo que quem mais tem, menos dá. Conheço gente endinheirada que nem 1€ dá para solidariedade e gasta 1000€ num iPhone sem pestanejar. Não sou ninguém para dizer às pessoas quais devem ser as suas prioridades, mas acho que tornar o planeta um lugar melhor e protegê-lo deveria estar no topo da lista de cada um. Porque quando esta merda toda rebentar, o iPhone vai servir apenas como arma de arremesso, e fraquinha.

Por isso, uma vénia enorme ao bilionário norueguês Kjell Inge Røkke, que está a investir a sua fortuna para construir um iate que irá recolher 5 toneladas de plástico do oceano, por dia, que será reciclado. Estará preparado também para ser um centro de pesquisa, com laboratório, drones aquáticos, e muito mais, para se debruçarem nos temas das alterações climáticas, pesca exploratória e biodiversidade marinha.

O norueguês, que construiu o seu império do nada começando como pescador (está explicado o espírito altruísta - não nasceu em berço de ouro) é disléxico e não tem estudos - nem o secundário. Hoje, tem uma frota que ultrapassa os 2,6 bilhões. Com isto, ele pretende "retribuir à comunidade" aquilo que hoje tem.

Agora, teremos de esperar até 2020 para ver o REV (Research Expedition Vessel) em acção. Que outros ricaços ponham os olhos nele.

Via CNBC.


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Neste filme de maio deste ano, Antonio Banderas interpreta Paul, um escritor que vive numa área isolada. Um dia, é ameaçado por um condutor de camião, e um forasteiro, Jack, defende-o. Agradecido, Paul acaba por oferecer ao desconhecido o seu quarto de hóspedes durante o tempo que este precisar.

Paul enfrenta um período menos bom na sua carreira, completamente sem ideias novas para escrever, e Jack, conforme lhe ganha a confiança, estimula-o a continuar e, sobretudo, a manter-se sóbrio, para que se possa tornar um escritor melhor.

No entanto, o passado atormentado do escritor não o deixa pôr a bebida de lado. A convivência com o forasteiro vai atingir um ponto sem retorno quando este começa a ser demasiado intrusivo, a dar-lhe ordens, a dizer-lhe o que pode fazer, a quem deve abrir a porta, e até mesmo o que escrever. Paul apercebe-se que dar-lhe guarida foi um erro e vai tentar remediar a situação pelos próprios meios.

Este filme foi uma bela surpresa - primeiro, porque vemos Banderas fora do seu registo normal dos filmes de ação e aventura; segundo, porque a história é surpreendente e deixa-nos na dúvida até ao fim. Mesmo depois de acabar, ainda temos dúvidas. Não é que seja confuso - mas acontecem coisas inesperadas que nos fazem indagar o que é real ou não.

Jonathan Rhys Meyers está fantástico na pele do forasteiro e a sua óptima prestação faz subir a tensão ao limite e cria também a dúvida se havemos de gostar dele ou não. Mas está tão confortável na sua pele que gostamos de qualquer maneira, mesmo que se revele, ou não, um filho da mãe.

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Moldura em ponto cruz com o balão vermelho do filme It, e a célebre frase "We all float down here". Feito para o aniversário de um fã do filme de terror inspirado no livro de Stephen King.

You'll float too...


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