Palavras do Abismo

Fazendo competição descarada à expressão masculina "Bro's Before Hoes", bordei a "Fries Before Guys", porque, pronto, batatas fritas são aquela cena.

Esta moldura em madeira bordada em ponto cruz está disponível para encontrar uma divertida nova dona.


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"- Já que vou morrer de qualquer maneira, pelo menos gostaria de conhecer o nome do meu verdugo.
- Verdugo? Acabo de impedir que execute um homem desarmado e eu é que sou o verdugo?"

in O Messias Ariano, de Mario Escobar (2009)

Ora que palavra bonita e que nunca, penso eu, tinha ouvido. Verdugo não vem de ver nem do verde; tem até vários significados, embora seja óbvia a opção adequada a esta citação:

ver·du·go 
(espanhol verdugo)
substantivo masculino
 1. Pessoa que inflige castigos físicos ou pena de morte. = ALGOZ, CARRASCO
2. [Figurado] Pessoa cruel, que inflige maus tratos a alguém. = ALGOZ, CARRASCO
3. Pequena navalha, delgada e pontiaguda.
4. Parte saliente da chapa do trilho, nas rodas dos vagões, do lado interior da via, para evitar descarrilamentos.
5. [Náutica] Friso saliente ao longo da borda do navio.
6. [Regionalismo] Qualquer objecto de grandes dimensões.
7. [Antigo] Espada comprida e delgada, sem gume.
8. [Brasil] Cobra muito grande.

Portanto, de qualquer das formas, há que ter cuidado com os verdugos, sempre. Sejam pessoas cruéis, cobras grandes, ou saliências que nos podem aleijar!

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Quando era adolescente tinha um melhor amigo e às vezes ia para a casa dele ver a bola. A avó dele, a dona Deonilde, estava muitas vezes presente. Quando havia golos, era sempre a mesma história:

Dona Deonilde: "Golo!! Olha, outro golo! E mais outro! Isto é o meu Benfica!"

No fundo, ela não entendia as repetições dos golos e cada vez que a bola entrava na baliza, para ela, significava golo. Eu e o Alex ríamos, rebolávamos no chão, tínhamos dores de barriga, e ela sem nada entender.

"Ca granda cabazada! Isto já vai em quê? 8 a zero? Granda Benfica! Mas tem avondo que já tou com pena dos outros. Este Nuno Gomes é bonito e marca muito."

A dona Deonilde morreu ontem. As suas cabazadas históricas vão ficar sempre na memória.





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Sahar Tabar é uma iraniana de 22 anos no papel, mas se me disserem que tem 103 eu acredito. Esta mulher muito estranha fez 50 operações plásticas para se parecer com a Angelina Jolie, e calem-se haters, porque eu acho que conseguiu.

Ela não especificou, por isso se o objectivo era ficar parecida com a Angelina Jolie morta e carcomida por vermes, acertou em cheio. Ou com a Angelina Jolie a fazer o papel de zombie no The Walking Dead; ou mascarada de Annabelle; ou depois de sofrer um grave acidente que a deixou com pele plástica podre. Por isso, ó críticos, deixem lá estar a moça, ela está exactamente como quer. Não conseguem ver o seu sorriso radiante por baixo dos hematomas da pele repuxada?

As pessoas que querem ser alguém que não elas tornam o mundo ainda mais estranho.






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Séries e filmes de super-heróis não me dizem nada. Gosto pouco de cenários fantasiosos sem os pés assentes na terra. Talvez seja por isso que com a série The Punisher seja diferente. Ele é apenas um homem sem qualquer super-poder; mas tem dentro de si uma raiva de tal tamanho que o torna num dos homens mais mortíferos do planeta.

A Marvel e a Netflix já tinham introduzido o The Punisher na série Daredevil, fazendo crescer a água na boca para a série dedicada ao Marine que assistiu impotente ao assassínio da sua família. O tempo de espera foi longo mas valeu a pena. É uma das melhores séries de sempre, com uma tensão de cortar à faca, cenas de luta fantásticas, mortes horripilantes e com imensa violência.

Com uma sede de vingança insaciável, Frank Castle persegue os responsáveis pela morte da família com o objectivo de não deixar ninguém vivo. Com um rasto de sangue gigante atrás de si, depressa se vai tornar num homem muito procurado. Sem medo de morrer, e por isso extremamente perigoso, Frank não irá descansar enquanto as pessoas envolvidas estiverem a respirar.

Mais uma vez, este não é de todo o meu género de séries mas está mesmo muito bem feita. É claro que o Jon Bernthal na pele deste justiceiro faz toda a diferença. Não consigo imaginar mais ninguém a interpretar este homem reservado, amargurado, solitário, que constantemente carrega em cima um peso que conseguimos sentir e que acabamos por partilhar. A um nível mais físico, o actor consegue colocar tudo isto no olhar e na expressão, tanto nas suas explosões quando fica fora de si, como nos poderosos silêncios.

É muito mais do que uma série de acção, muito mais do que violência gratuita, é a demanda de um homem a quem tiraram tudo. Recomendada. E não é só porque podemos ouvir Metallica no trailer.


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Esta foi uma encomenda de uma cliente para o seu irmão, que é um grande fã de jogos e o seu preferido é o The Legend of Zelda, da Nintendo. Um dos erros mais comuns para os leigos (como eu) é achar que o Zelda é o bonequinho principal, aqui retratado. Daí a "piada" no texto. Feito em ponto cruz num bastidor de bambu, pronto a pendurar.




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"- Verifiquem os aparelhos de ar condicionado, amigos - aconselhou Cupo. - Chegou a canícula."

in Despertar, de Stephen King (2014)

Tivemos um verão quente e seco, e também muito prolongado, e por isso todos sabemos o que é a canícula e, muitas vezes, a bênção do ar condicionado para a combater.

ca·ní·cu·la
substantivo feminino
1. Calor muito intenso.
2. Período mais quente do ano.

Pois é, juventude, agora já podem dizer que está uma canícula do caralho, e ainda assim, parecer intelectuais.


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Casey muda-se com o pai para o interior canadiano, para uma pequena povoação onde este vai ser polícia. Os vizinhos mais próximos são uma família de fazendeiros, cujo filho, da idade de Casey, se vai rapidamente tornar o seu melhor amigo. Os adolescentes começam a passar muito tempo juntos, e os sentimentos florescem.

Um dia, depois de terem chegado atrasados, o pai de Casey, já tocado pela bebida, mostra sinais de violência e a cena descamba de tal maneira que acaba por lhe bater. Jonas, o rapaz, tenta parar o homem e leva por tabela, vendo a sua vida ficar presa por um fio.

Zangado e assustado, Jonas jura que Casey nunca mais passará pelo mesmo, e pretende levá-la seja para onde for, desde que seja para longe do pai. Aí começa a aventura e uma perseguição ao par de adolescentes, que não mais vão ter descanso.

Um filme canadiano que começa com uma paixoneta de adolescentes e que se transforma num thriller bem decente sempre passado num bom ritmo. O grupo de actores faz um papel brilhante, com destaque para Bill Paxton no papel do pai que abusa do poder, tanto em casa como na sua profissão. Os cenários são fantásticos, com florestas imensas enquadradas por lagos que espelham o céu e que nos transmitem uma quietude e serenidade no meio do caos da vida destas pessoas.

Está feita a recomendação deste filme que torna um crime num percurso poético e que tem de tudo, sem pressas.


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"Gosto do vinho dourado a borbulhar no copo fino; gosto de me estender, cansado, na cama limpa; gosto de respirar o ar puro primaveril, de admirar o belo ocaso, de ler livros interessantes e inteligentes. Gosto de mim, da força dos meus músculos, da força do meu pensamento, claro e exacto. Gosto de mim solitário e de que o fundo da minha alma com os seus abismos e despenhadeiros escuros, à beira dos quais temos vertigens, seja impenetrável a qualquer olhar curioso. Nunca compreendi nem conheci o chamado tédio da vida. A vida é curiosa, e gosto dela pelo seu grande mistério, gosto dela, até, pelas suas crueldades, pelo seu feitio ferozmente vingativo e pelo seu alegre jogo satânico com as pessoas e os acontecimentos."

in História dos Sete Enforcados, de Leonid Andréev (1908)

É incrível quando o relato de um assassino, de um livro com mais de 100 anos, se encaixa perfeitamente na forma como estás na vida 💜


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No outro dia estava a fazer zapping e deparei-me com o filme Camp X-Ray (2014), que estava a dar no SundanceTV. Fiquei a ver, e gostei. A trama acompanha uma militar, Cole (Kristen Stewart), que, para escapar à sua pequena terra natal, se alista no exército e acaba por ir parar a Guantanamo, um centro de detenção fundado por George W. Bush e conhecido pela sua imoralidade principalmente no que toca aos relatos de tortura.

Ora, no filme lidamos com detidos de origem árabe - não chegamos a saber as razões das detenções, se as houver - e o papel de Cole é vigiar as celas rotativamente, entregar livros, verificar se está tudo bem. Nos primeiros dias na sua função a coisa não corre nada bem. Os prisioneiros aproveitam-se do facto de ser mulher, e novata, para abusar da sua boa vontade e relativa inocência. Os seus colegas e superiores também não mostram ser excepcionais ou compassivos.

Cole sente-se sozinha e deslocada, e um prisioneiro em especial (Payman Maadi), que a melga desde o início por causa dos livros, começa a ser a sua companhia em pequenas conversas ao longo das noites intermináveis. Vão travando um conhecimento que, embora não se possa chamar amizade, promove pequenos convívios que vão sabendo tão bem como chuva no deserto.

O filme mostra de uma forma muito natural e simples as ligações que se criam em ambientes extremos, e em relação a esta prisão em específico, que detém pessoas infinitamente sem julgamento e que as submete a práticas bárbaras, sentimos a falta da justiça. Uma óptima prestação do par de actores principais, sendo que não estava à espera desta Kristen Stewart.

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