Palavras do Abismo

Mas quem é que quer saber como se chamam as crias desta mulher? Porque é que as redes sociais, as revistas e a televisão nacional fazem disto notícia? Eu quero lá saber se se chamam Amoor, ou Odioó, ou Puutá, ou Cocóó! Gostava era que as pessoas não alimentassem este "jornalismo" e o ego destas pessoas que vivem de se expôr e que se põem a jeito à humilhação, ao falatório, e à cavadela da vida privada.

Para quem perde tempo com isto, em vez de contarem as doze badaladas daqui a uns dias, entoem os nomes das vítimas dos incêndios deste ano. Ou os serviços que vamos pagar mais em 2018. Ele há com cada uma...


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Considero o Paulo Furtado, aka, The Legendary Tiger Man, um dos melhores músicos não só nacionais, como internacionais, e acho que tem sido subvalorizado ao longo da carreira, que já vai bem longa. Se ele tivesse nascido noutro país acredito que reconhecimento não lhe faltaria.

O seu último trabalho, Misfit, foi lançado há alguns dias e depois de o ouvir em loop durante algum tempo posso dizer que gosto imenso. Tem uma boa vibe, com muito, muito, rock n' roll e com aquela vertente blues que ele tão bem incorpora. O álbum foi gravado no Rancho de La Luna, no deserto californiano, e se fechar os olhos consigo sentir a vibração árida desértica muito facilmente. É um disco com personalidade, profundo, mas que nos faz mexer bem à superfície. É impossível ouvi-lo parado.

Pela primeira vez, Paulo Furtado deixou de ser one-man-band e contou com a participação de Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone. O resultado é amplamente positivo. Se tivesse de escolher uma faixa seria provavelmente a primeira, Motorcycle Boy, que é uma introdução pujante que nos põe imediatamente a bater o pé. Infelizmente não tem videoclip, e deixo aqui a também belíssima Fix of Rock'n'Roll.

O álbum ainda não foi lançado fisicamente mas pode ser ouvido gratuitamente nas plataformas digitais, incluindo no Spotify.

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Esta montra. Não consigo perceber o que se passa na cabeça de quem encenou esta cena de amamentação com uma porca e os seus bacorinhos mortos. Achou que era engraçado? Provocador? Que era uma forma genial de chamar clientes?

Acima de tudo, é uma mãe com os seus filhos mortos. Como se estivessem a mamar, como se estivessem vivos e a alimentar-se. É mais do que sádico, é triste. E não, não se trata do choque apenas para os que não comem carne. A pessoa que a partilhou comigo come carne, e outras a quem mostrei também, e todas mostraram asco.

Matar outros seres vivos para a alimentação é uma coisa, fazer disso um circo macabro é outra. É como se uma agência funerária pusesse na montra um cadáver duma mulher com o seu bebé a mamar. "Ui, que comparação" vão dizer os que se acham os chefes da pirâmide alimentar. Para mim, são todas vidas que acabaram. Seria a promoção do negócio ao mesmo nível.

Não faça parte de uma sociedade que se vangloria perante a piada da morte. Não pague para que isto aconteça. Tratam-se de animais que está provado terem emoções e uma inteligência comparável a uma criança pequena. Já morreram para saciar o vosso palato, provavelmente em condições miseráveis; vangloriar este tipo de piadas é completamente escusado.
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Em boa hora a Netflix lançou esta série alemã, porque é brutalíssima. Ela começa com o desaparecimento de uma criança, e não tarda a desaparecer mais uma. Este último, Mikkel, é filho de um polícia, e a investigação para se descobrir o seu paradeiro e o da outra criança não trará qualquer fruto. Simplesmente, não há vestígios deles em lado nenhum. Os seus parentes enlouquecem com a situação, enquanto nós, os espectadores, vamos descobrindo o que se passa com Mikkel.

Quando um estranho, nos primeiros episódios, lança o comentário - a questão não é onde está o Mikkel, mas quando - está lançado o mote que precisávamos para confirmar as nossas supeitas: o rapaz viajou no tempo. E isto poderia parecer estúpido e eu seria a primeira céptica a chamar o tema de estúpido e a desistir da série, mas está tão bem feita, tão real, que uma pessoa acaba de a ver e começa a duvidar de tudo o que pensa que sabe. Os padrões espaço-temporais que conhecemos são facilmente postos em causa e fica-se assim um bocadinho a bater mal.

A trama é complexa, principalmente devido às personagens infinitas e damos por nós já sem perceber em que ano estamos e quem é quem em que ano... mas a série faz um trabalho belíssimo em atar pontas soltas, lembrando-nos sempre, de forma sublime e subtil. Os actores fazem um trabalho abismal, as imagens são lindíssimas, dominadas pela chuva e por um ambiente frio (não fosse alemã!), e tudo, até o genérico inicial, é brutal.

Dark é comparada frequentemente com a Stranger Things, mas garanto que é apenas a impressão inicial. Eu acabei de ver uma e comecei outra, e existiram coisas que me fizeram efectivamente lembrar, mas essa impressão acabou imediatamente. Dark é menos jovial, mais séria, mais estranha, levanta sérias dúvidas, e é muito mindblowing.

Foi renovada para a segunda temporada. Aguardo ansiosamente.

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Praise the Lord!

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Está em cima da mesa a questão de acabar com a utilização de animais selvagens nos circos. Para mim, essa prática nunca devia ter começado. Para muitos, é a indignação total. Já li coisas como:

  • "No Zoomarine, no Jardim Zoológico e nas touradas ninguém toca", por Miguel Chen (Circo Chen)
  • "E os cães e os gatos nas casas das pessoas, não estão também em cativeiro? Vão soltá-los?", por uma cota indignada
  • "Qual é a piada de ver circo sem animais?", por um agrobeto com patilhas
  • "E os animais que são mortos para a alimentação? Quando é na mesa ninguém se indigna!", por um gordo rabugento com bigode
  • "Não vejo qual é o problema, sempre foi assim!", por senhora com permanente e casaco de peles

Começando pelo início. Senhor Chen, se dependesse de mim essa merda toda acabava. Tudo o que implica tirar os animais do seu habitat natural e usá-los para proveito humano, é para acabar. Nunca devia ter começado. Se tivermos a oportunidade de acabar com isso só mostra que o humano está disposto a aprender com os erros e a corrigi-los. Sim, temos de começar por algum lado, e o seu caso é dos mais graves. Tem animais selvagens que pertencem às florestas, aos desertos, às montanhas, fechados em pequenas jaulas que transporta pelo país todo, que "ensinou" (leia-se, obrigou, por quais vias só podemos imaginar) a fazer truques, para que lhes batam palminhas e lhe encham os bolsos. Super, mega, errado.

Quanto aos indignados do sofá, os guerreiros da opinião social facebookiana:

- Os gatos, cães, hamsters, etc, que eu saiba, não são animais selvagens. Podem ser domesticados e criam laços com os humanos sem que seja necessário chicoteá-los e mantê-los em jaulas. Se comparam uma coisa com a outra são apenas estúpidos. Tentam encontram justificações onde não as há. É claro que há donos e "donos", e existem animais que mais valia estarem nas ruas do que com donos de merda, mas isso é outra discussão.

- Se a ideia de piada para si é ver dromedários a correr dum lado para o outro, ver ursos a fazer malabarismo e tigres equilibristas, sugiro que enfie um pau de vassoura no cu e vá fazer parkour para a Marina de Vilamoura vestido de panda. Alguém baterá palmas e será ainda mais divertido, para além de super in.

- Eu não como carne, mas a tentativa de comparar a necessidade de entretenimento humano à custa dos animais que passam toda a vida em cativeiro em extrema infelicidade, a matar para comer em ambiente controlado mete-me nojo. Não é que eu goste (por alguma razão deixei a carne), mas até quem tem uma opinião extrema sobre o assunto detecta a comparação de merda.

- O "sempre foi assim" é das coisas que mais me irrita. Porque a senhora escreveu aquilo no seu computador, ou no seu telemóvel, nas redes sociais, que são coisas recentes. Pensei que ela morava na caverna, porque "sempre foi assim". Pensei que andava descascada, tapada com parras nas mamocas e na xaroca, porque "sempre foi assim". Tinha foto de um carro, mas pensei que se deslocasse a pé com a sua trupe conforme as estações do ano e em busca de alimento, porque "sempre foi assim". Pensei que não ia ao cabeleireiro e à manicure e se que deixava ao deus-dará, porque "sempre foi assim". Pensei que comunicava com sinais de fumo, porque "sempre foi assim". Mas afinal quem alega que "sempre foi assim" são aqueles que mais se aproveitaram da evolução e que têm nojo de comer com as mãos e que preferiam perder um dedo do que o iPhone.

Se ainda não assinaram a petição por um circo sem animais, podem fazê-lo aqui. Vamos dar um passo em frente, aproximar-nos dos países mais evoluídos e mostrar respeito pelo planeta que nos alberga. Serão encontradas soluções para todos os animais. Por todo o mundo, eles estão a ser devolvidos à natureza por fases, e os que se encontram em situações mais críticas ficam em santuários onde podem viver tranquilamente. Podemos evoluir. Não precisamos de maltratar outros seres vivos para nosso entretenimento. Não nos podemos esconder perante o argumento da racionalidade. Isso não justifica tudo. Não somos superiores como pensamos. E todos merecemos ser livres.


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Tenho esta moldura fofinha disponível para um fã do grandioso David Bowie. Tamanho 9x13cm, bordada em ponto cruz, com o seu famoso raio e Rebel Rebel, uma das suas mais famosas músicas.

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No decorrer da II Guerra Mundial, milhares de soldados franceses e britânicos vêem-se encurralados pelos alemães em Dunquerque. Esperam pelo resgate por via marítima que os levará para casa. Mas o cerco do exército alemão aperta e não existe nenhum sítio seguro onde as tropas possam esperar. Na praia, filas e filas intermináveis de soldados esperam lugar no próximo barco.

Esta é a premissa deste filme de guerra de Cristopher Nolan, que conseguiu, desde o momento inicial até ao absoluto final, criar um ambiente aflitivo, urgente, de cortar a respiração. Quase sem diálogos, não há nada que fique por dizer, seja através da acção constante, da banda sonora sublime ou da cinematografia gigante.

Em terra, acompanhamos os soldados que tentam salvar-se no meio do caos, sem saber para onde se virar, fugindo dos tiroteios de um lado e dos bombardeamentos que vêm pelo céu, do outro. No ar, embrenhamo-nos nas aguerridas lutas aéreas onde é matar ou morrer. Pelo mar, vemos o desespero dos que tentam sair dali a todo o custo mas que acabam por se colocar num perigo ainda maior.

E estas três vertentes que acompanhamos rigorosamente não seguem necessariamente a mesma linha temporal, e no entanto a narrativa nunca é confusa. Faz tudo parte do génio do Nolan e a sua incrível capacidade para contar histórias através de todos os meios que dispõe - visuais, sonoros, textuais, históricos.

Este filme é talvez o melhor que vi este ano, e não me admirava nada se arrebatasse uma carrada de Óscares.

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"Uma veemência singular no pensamento, na acção, na palavra, era talvez nela o resultado ou, pelo menos, o indício daquele poder gigantesco de volição que, durante as nossas extensas relações, teria podido dar outras e mais positivas provas da sua existência."

in Ligeia (conto de Edgar Allan Poe, 1838)

Esta é daquelas que depois de procurar o significado fiquei praticamente na mesma.


vo·li·ção 
substantivo feminino
Acto pelo qual a vontade toma uma determinação.

É assim um bocadinho para o abstracto, tinha de vir da linguagem do Poe... De qualquer forma,  penso que tenha a ver com as decisões que tomamos depois de uma grande vontade de fazer algo. Tal como quando decido comer pizza, uma e outra vez. É um gordo acto de volição. I guess.


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Ao ver o trailer deste filme não tinha a noção de que se ia tornar tão marado - mas aconteceu - e até gostei. Jennifer Lawrence e Javier Bardem interpretam um casal. Ele, um poeta à procura de inspiração; ela, a sua esposa, musa, e responsável por pôr de pé a casa do marido, que tinha ardido no passado.

Um dia chega um estranho (Ed Harris) à isolada casa, alegando ser um médico novo na população mais próxima e à procura de um sítio para pernoitar. O poeta dá-lhe imediatamente imensa confiança e oferece-lhe cama, o que faz com que a esposa fique de pé atrás tanto por aquele não lhe ter perguntado a opinião, como por ver o abuso de confiança por parte do médico, que imediatamente age como se aquela fosse a casa dele. Mais, quando a mulher do alegado médico (Michelle Pfeiffer) chega para se lhe juntar àquela estadia não programada, agindo também como uma diva dona daquilo tudo, as coisas começam a descambar rapidamente. E mais pessoas chegarão.

A partir daqui o enredo acontece a 1000 à hora, mostrando o crescente mal-estar da dona da casa, que se vê cada vez mais privada do espaço que ela própria construiu, perante a aparente passividade do marido, que vê a invasão à sua casa como normal. Tudo isto culmina numa cena final que é indescritível e que não quero adiantar porque nela reside todo o busílis do filme. Essa cena é absurda, poética, assustadora, megalómana, exagerada, brilhante, e deixou-me de queixo caído mesmo depois do filme acabar.

O casting, que todos conhecemos, é irrepreensível, assim como a fotografia, a banda sonora, o argumento, tornando-o um dos melhores filmes que vi este ano. Mas isso sou eu, que gosto de coisas provocadoras, misteriosas e mindblowing. Se também forem assim, dêem uma olhada.


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