Palavras do Abismo

O plástico é um problema. Ele domina quase todas as nossas compras. Quase tudo está envolto em plástico, sejam produtos com larga duração, sejam os de consumo mega rápido, como os iogurtes ou as garrafas de água. Mesmo que reutilizemos alguns destes recipientes até à exaustão, a pegada ecológica é gigantesca e permanecerá até muito tempo depois de morrermos. Prova disso é a imagem que se tornou viral de um pacote de batatas fritas Ruffles encontrado numa mata, que anunciava um prémio de 5.000 contos. A embalagem, de 1995, andava por ali há 23 anos e seria capaz de permanecer intacta por mais algumas centenas deles.

Os oceanos estão cheios de plástico, ocupando já uma larga parte destes, o que tem um impacto brutal no ambiente e na vida marinha. Reciclar não chega - até porque nem tudo é reciclável - a produção e o uso de plástico têm de ser reduzidos para não tornar este planeta (ainda mais) uma lixeira. Felizmente o assunto está na ordem do dia e têm existido alguns movimentos para chamar a atenção para este flagelo.

Uma das iniciativas vem de Amesterdão - foi inaugurado, num supermercado Ekoplaza, um corredor onde o plástico não entra. Todos os produtos que ali estão (e são mais de 700) são embalados com alternativas biodegradáveis, e há de tudo - carne, arroz, iogurtes, vegetais - mostrando que é possível banir totalmente a utilização de plástico. A iniciativa vai ser alargada, até ao final do ano, aos outros 74 supermercados da cadeia. Ora grão a grão, isto vai ter um grande impacto. Acredito na inspiração dos exemplos e que mais cadeias vão adoptar a ideia, ao mesmo tempo que o consumidor se habitua a um novo modo de comprar e que se consciencializa para a causa.

Em Portugal existem vários locais, especialmente lojas de compra a granel, onde não se utiliza plástico e os clientes podem até levar os seus próprios recipientes. Em grandes hipermercados também se vai vendo bons exemplos, como a área a granel no Continente, com sacos de papel. Infelizmente, no Jumbo, embora exista área a granel, são utilizados sacos de plástico.

Como tudo o que envolve o nosso planeta, a contribuição individual é fulcral. Podemos pensar que a nossa acção não vai mudar em nada o curso das coisas, mas se 7 biliões de pessoas não pensarem assim e se fizerem um pouquinho, tornar-se-á muito.


Share
Tweet
Pin
Share
No comentários


La Mante (The Mantis em inglês, e A Louva-a-Deus em português) é uma série francesa de 6 episódios, disponível na Netflix.

Conta a história de Jeanne, uma mulher que está na prisão há décadas por ter matado 8 homens. Todos eles tinham historial de maus tratos a mulheres, de uma forma ou de outra, e todos eles morreram às mãos de Jeanne de forma diferente. Apesar da justiça social feita, Jeanne foi descoberta e condenada, deixando para trás o filho, Damien.

Este cresceu magoado e sentindo-se abandonado. Hoje, tem uma carreira na polícia e tem a sua vida, mas vive assombrado pelo fantasma de ter uma mãe assassina.

Quando começam a aparecer cadáveres de homens que foram mortos exactamente da mesma maneira que as vítimas da louva-a-deus, é óbvio que se trata de um imitador. Mas há pormenores que não eram conhecidos pelo público... Muitas dúvidas começam a surgir numa investigação complicada que se complica ainda mais quando a própria louva-a-deus se oferece para ajudar a apanhar o imitador, em troca de duas coisas: mudar para uma prisão domiciliária e que o filho seja colocado à frente da investigação.

Depois de ver as exigências cumpridas, Jeanne começa então a ajudar à investigação tentando entrar na mente do novo assassino, revendo todos os pormenores da sua própria matança, enquanto aproveita para se reaproximar do filho. À medida que a acção avança, vamos percebendo que Jeanne é uma mulher muito inteligente e que não dá ponto sem nó, e também que o imitador só pode ser alguém que está muito, muito próximo.

As interpretações são boas, a série é tensa, tem boas e chocantes mortes, surpresas, o mistério está sempre presente, tornando esta La Mante uma óptima mini-série criminal. Ainda por cima sendo uma produção francesa, feita quase aqui ao lado, oferece uma proximidade como poucas. O ambiente a roçar o noir, uma certa sofisticação e a relação complexa entre mãe e filho ajudam. Uma boa surpresa, que descobri numa recomendação de Stephen King.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Get Out (em português com o título "Foge"), é um filme de terror que esteve nomeado para Melhor Filme. Não me consigo lembrar da última vez que isso aconteceu - talvez em 2000 com o Sexto Sentido; é preciso puxar muito pela memória para encontrar outros, que se contam pelos dedos de uma mão - casos de Tubarão e O Exorcista nos anos 70.

Não ganhou nessa categoria, mas ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original, que é um prémio que mete muito respeito. Para além disso, foi a primeira vez que um negro - o argumentista/realizador Jordan Peele - ganhou este Óscar.

Os filmes de terror não são fáceis de fazer. Provocar o medo com pés e cabeça é das coisas mais difíceis de conseguir. Não se trata de sangue, gritos ou músicas assustadoras no escuro - as fórmulas pré-feitas para se provocar saltos e perdas de urina nas cadeiras de cinema. Get Out cumpre com uma história brutal num suspense de fazer prender a respiração, com interpretações fora de série, tudo isto motivado por diferenças raciais.

Não é um filme fácil ou dado e estou muito contente com o prémio. Como fã do terror, considero o género muito marginalizado e estes reconhecimentos fazem com que se aumente o investimento e a atenção para este tipo de filmes. Para mim, um dos melhores filmes do ano passado.


Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Hoje de manhã, como todos os dias, desloquei-me a um beco a uns metros do meu prédio, onde coloco ração para os gatos de rua. Hoje ia atrasada e vi um vizinho que nunca tinha visto. Um velho que aguardava a mulher dentro do carro e fez questão de sair para termos a seguinte conversa:

Velho Estúpido (VE): Meta isso no seu prédio! Tem de vir para aqui sujar a minha porta?
Eu: Eu metia no meu prédio, mas as pessoas tiram...
VE: Então tiram? Fazem elas bem! Agora não tem nada de vir para a frente do meu prédio meter o que não querem no seu!
Eu: Você nem sabe onde moro... E qual é o mal que lhe faz uma taça com ração?
VE: Não quero isto aqui! Leve isso e os bichos todos para a sua casa!
Eu: Levaria se pudesse! Isto faz-lhe assim tanta comichão?
VE: Faz!
Eu: Então olhe, coce essa micose no escroto! É por causa de pessoas de merda como você que o mundo está podre!
VE: Badalhoca!
Eu: Pois aqui a badalhoca manda-o ir foder-se pró caralhinho, está bem?

E seguiram-se mais trocas de mimos aos berros na rua enquanto me afastava. Infelizmente como estava atrasada não tinha tempo de lhe chamar mais nomes mas espero encontrá-lo novamente porque tenho mais no meu portfólio.

Já onde o meu namorado alimenta uma gata as pessoas volta e meia jogam a comida e a água para o lixo e destroem as coisas no local, já para não falar de outro Velho Estúpido específico que atiça os cães de caça contra os gatos e já conseguiu matar dois... perante a passividade das autoridades, que nada fazem apesar nas queixas apresentadas.

O mundo está cheio desta gentinha que se julga dona das ruas e do mundo. Não lhes faz impressão ver todo o lixo que está no chão, as sarjetas entupidas, os buracos nas estradas, o património destruído. Pequenos tupperwares com ração arrumados e limpos são a pior coisa para estes filhos da puta. Não suportam a ideia que hajam pessoas que queiram ajudar animais de rua, esses 'ratos que apenas transportam doenças'.

Esta cena repete-se por todo o lado, em todo o país. Não digo no mundo, porque sei que há países civilizados onde o respeito pela vida, seja ela qual for, existe. A estas pessoas, que na maioria são velhos de merda, só lhes digo que fico contente por a morte estar à espreita à esquina e espero que fiquem tão arreliados com estas demonstrações de respeito que lhes dê um AVC que os torne vegetais ou cadáveres rapidamente.

Se não gostam que outras pessoas alimentem animais de rua, não se metam e não atrapalhem. Não têm de participar, não têm de gastar dinheiro ou tempo, isso é comigo e com os outros cuidadores. Não se têm de preocupar com a limpeza do local - está garantida. Será assim tão difícil não meterem o bedelho? É um incómodo assim tão grande uma taça colocada a 10 metros das suas portas? Se colocassem essa energia toda para resolver problemas sérios, o mundo era tão, mas tão bom. Resumindo: estimo que morram!

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Talvez impulsionada pelo sucesso do filme com Frances McDormand, uma mulher traída decidiu expôr também o seu motivo de infelicidade na zona de Campolide e Campo de Ourique. Com o sensasional título "A Puta do Bairro", os cartazes tinham a foto e dados pessoais - incluindo morada e número de telefone - da mulher com quem o marido teve um caso e que dele engravidou, embora tivesse perdido o bebé.

Os cartazes foram retirados após umas horas mas esta vai ficar para a prosperidade. Adoro lavagens de roupa suja em público, é tão característico. É bairrista, está na nossa essência. Para mim, só ficou a faltar ali também a fronha do marido. A puta e o fodilhão de putas, essas personagens que sempre estiveram e estarão na nossa História. Adoro.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Não tem glúten nem qualquer ingrediente de origem animal. O novo Cornetto é livre de crueldade e é mais saudável, logo, merece aqui uma vénia da minha gulosa pessoa.

Feito com leite de soja e com chocolate vegan, tem também os ingredientes clássicos, como as nozes, que caracterizam o conhecido gelado.

Não é a primeira marca a disponibilizar gelados vegan, mas é uma das marcas mais conhecidas a fazê-lo e um passarinho contou-me que vai estar disponível em Portugal.

Como todas as boas ideias, não reúne a aprovação de toda a gente... Há os leiteiros que dizem que está a ser deturpada a essência do Cornetto, outros, vegan, que dizem não apoiar uma marca que não seja 100% vegan.

Eu sou pela mudança, nem que seja devagarinho, e produto a produto, gulodice a gulodice, o mundo fica um pouquinho melhor.


Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Este filme chamou-me a atenção pela premissa. No futuro, o planeta tem demasiados habitantes e simplesmente não há recursos para todos. Para além do espaço físico que ocupam no planeta, fazendo este parecer-se com uma sala sobrelotada onde mal nos conseguimos mexer, não há comida e recursos fósseis que acompanhem o crescimento populacional e, logo, o planeta está a morrer e a rebelar-se. Portanto, até agora, é simplesmente a descrição para onde estamos a caminhar.

Na trama, é imposto o limite de um filho por família. Tudo é muito controlado e a evolução tecnológica do futuro possibilita o acompanhamento de perto de tudo e todos, a toda à hora, através dos mais avançados meios. Há penas severas para o desrespeito desta lei e é por isso que, quando a filha de Terrence (Willem Dafoe) morre a dar à luz 7 gémeas, ele vai ter de ser muito perspicaz para, primeiro, as manter vivas em segredo, e depois, na criação de um esquema que permita às raparigas sair de casa sem ninguém desconfiar que são 7.

Como são 7, tal como os dias da semana, cada uma adopta o nome de um dos dias e são educadas para sair de casa apenas no dia correspondente ao seu nome. No fim de cada dia, têm de contar às irmãs tudo o que se passou para estas poderem continuar a "farsa" como se fossem uma e só pessoa. Tudo sai do controlo quando a irmã Monday não volta para casa ao fim do dia...

É um filme interessante, que não sendo fora de série tem uma óptima e actual premissa, cativante, que é também um alerta. Noomi Rapace, que interpreta 7 mulheres, é de uma grande desenvoltura e faz-nos acreditar que se tratam de seres humanos diferentes, com gostos, carismas, personalidades, completamente  distintas. Não é nada fácil e há que se lhe tirar o chapéu. De resto, é um bom filme de crime / ação com um final inesperado.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
"- Fui eu que dei ao fulano a primeira frase para o livro. Está destinado a ser um opúsculo, embora neste momento seja mais do que isso." 

in Os Flamingos Perdidos de Bombaim, de Siddharth Dhanvant Shanghvi (2010)


o·pús·cu·lo
substantivo masculino
1. Livro pequeno sobre artes, ciência, etc.
2. Folheto.

Tantas vezes me passaram opúsculos para as mãos sem saber que o faziam, e os próprios também não deviam saber. Agora já sabem. Quando tiverem o papel do professor Mamadu exposto à frente da vossa cara quando vão para o metro, não rejeitem, porque os opúsculos são palavras caras embora se pareçam com papel barato.

Vá, não, isto não chega a ser um opúsculo, mas tem piada.


Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
O método é simples e eficaz - na compra de uma bebida engarrafada, o cliente paga uma coroa norueguesa a mais. Esse dinheiro é-lhe devolvido quando devolver a garrafa, em máquinas preparadas para o efeito. Sendo que uma garrafa pode ser reutilizada 12 vezes, a produção de plástico reduziu significativamente e em 2016 foram recicladas 600 milhões de garrafas, o que corresponde a 97% da produção. Genial!

Quem paga por isso são as empresas de bebidas, mas sendo um método totalmente voluntário pagam menos impostos se aderirem. O Reino Unido está a considerar copiar este método. Quando a BBC fez a reportagem, viu um sem-abrigo que tinha recolhido garrafas a colocá-las na máquina e a ganhar dinheiro por elas, o que mostra que também é uma óptima ideia para quem menos tem ganhar uns trocos ao mesmo tempo que ajuda o ambiente.

Não sei se em Portugal isto teria pernas para andar. Acho que teriam de cobrar uns €2 pelas garrafas para que o tuga preferisse deslocar-se à máquina do que atirar a dita cuja pela janela do carro, queixando-se depois que as autarquias não fazem a limpeza das ruas e das matas. Imagino o caos e a revolução que iriam surgir nas redes sociais se nos fossem cobrados 10 cêntimos (o equivalente a uma coroa norueguesa) por uma embalagem, tal como aconteceu com os sacos de plástico. Agora até já aceitam a ideia, mas foi o descalabro. Mas um saquinho coloca-se na mala para se reutilizar, uma garrafa já tem um volume que dá muito trabalho... por cá, trata-se mais de reciclar as consciências do que propriamente o plástico...

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários

O filme conta a história verídica de Tonya Harding, ex-patinadora artística americana cuja carreira terminou abruptamente após ter-se envolvido num escândalo.

Proveniente de uma família de classe média baixa e com uma mãe-sargento, foi quando tinha apenas 4 anos que Tonya começou a treinar à séria, e cedo a sua treinadora percebeu que a miúda tinha talento para ir longe. Mas o clima familiar disfuncional, a sua apetência para viver caoticamente, as más escolhas, o feitio irascível, os confrontos que provocou com toda a gente, fizeram com que raramente fosse considerada uma candidata à vitória.

Aqui, a história é contada pela sua perspectiva, e também pela da do ex-marido, Jeff. Numa altura bastante competitiva da sua vida, em que lutava pela presença nos Jogos Olímpicos, uma das maiores rivais foi agredida e o casal acabou por ser condenado pelo envolvimento no sucedido. Foi um enorme escândalo na altura, um caso com uma grande expressão mediática e que acabou com a carreira de Tonya como patinadora.

Mais uma vez, esta é a perspectiva do ex-casal. A narrativa foi construída de acordo com as suas declarações e entrevistas, e como tal pode não corresponder totalmente à verdade. O filme não pretende ser um documento factual, mas sim a história de Tonya aos olhos de Tonya e das pessoas que a conhecem melhor. Nesse aspecto, acho que cumpre totalmente.

Esta mulher tem uma história de vida que dá pano para mangas e um espírito lutador e aguerrido, e isso são logo à partida ingredientes para o sucesso - tudo nela é interessante. Para além disso, Margot Robbie interpreta-a de forma irrepreensível - claramente, deu tudo. Também gostei de vários pormenores da realização, principalmente a forma como os diálogos foram estruturados e a interacção com a câmara, que saiu perfeitamente natural, e diferente.

Está em exibição nos cinemas, e nomeado para 3 Óscares: Melhor Atriz, Melhor Atriz Secundária e Melhor Edição.

Share
Tweet
Pin
Share
No comentários
Newer Posts
Older Posts

Translate

Seguir por email

Seguir

  • twitter
  • Google+
  • pinterest

Recentes

Categorias

pessoas estranhas música gajas coisas boas filmes desabafos animais cinema as coisas que se aprendem portugal morte trabalho vida merda sonhos séries tristeza ambiente redescobertas musicais vozes de gaja

Top da semana

  • Joker (2019)
  • Like a Stone
  • Mid90s (2018)
  • Desperdiça cada dia
  • Always Happens Like That
  • Forever a firestarter

Arquivo

Pesquisar

Blogs fixolas

  • Abencerragem
    «All Your Love»
  • Ponto Aqui! Ponto Acolá!
    Camille Pissarro - "Boulevard Montmartre"
  • Manuscritos da Galaxia
    Vertiiigooooo...
  • Unicornia Cross Stitch
    Terminator - pdf pattern
  • Naturalmente Cusca
    Sobre o Caso Ronaldo
  • thebarraustuffs
    Matt Hollywood & The Bad Feelings
  • Dissertações (pouco) científicas
    E lá se foi o bem bom
  • Por Falar Noutra Coisa

Visitas

No abismo

Created with by ThemeXpose | Distributed by Blogger Templates