Um dia destes estava a conduzir e estavam a passar anúncios na rádio. Dando contexto, vivo numa zona calma do Alentejo, onde raramente há barulhos de trânsito. Quando existem, obviamente, aparecem muitas cabeças às janelas, tudo a ver o que se passa e com quem.
Ora, eis que estava a conduzir, e ouço duas grandes buzinadelas. "O que é que eu fiz, o que é que eu fiz?" Paniquei, abrandei, olhei para todos os lados. O meu cérebro demorou alguns segundos a perceber que o som vinha de um anúncio na rádio. PORQUE É QUE FAZEM ISTO? Não é fixe! Até pode passar despercebido às mentes treinadas, que passam muito tempo no carro e no trânsito e em que buzinadela é um som de fundo como outro qualquer. NÃO! Quando se buzina no Alentejo, é porque algo está muito mal, é mesmo uma situação de perigo iminente que requer toda a nossa atenção.
As excepções são quando uma buzinadela é seguida de um "OH ZÉ VAIS ONDE?" ou quando é um aviso a dizer que já chegaram e a pessoa pode sair de casa (uma breve e seca buzinadela); ou casamentos, festas da terra e campanhas políticas (várias buzinadelas). Meter duas buzinadelas significativas num anúncio não é aceitável. Não era um mero pi-pi do calhambeque, era um arauto de desgraça.
Fica o apelo para pararem com este flagelo, antes que pensem em pôr ti-nó-nis.

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