Estrela Polar

quarta-feira, janeiro 21, 2009



"Observemos a noite. (...) A Estrela Polar vai continuar na mesma posição durante os próximos vinte mil anos e qualquer navegante que a contemplar sentir-se-á consolado ao vê-la no firmamento, porque é bom alguma coisa continuar imutável algures, enquanto as pessoas precisarem de traçar rumos sobre uma carta de navegação ou sobre a paisagem difusa de uma vida."


in O Cemitério dos Barcos Sem Nome, de Arturu Pérez-Reverte (2002)


Quando pensamos que tudo passa, que tudo vai e vem, é mentira. Sim, somos efémeros. Mas há coisas que nos observam à medida que envelhecemos, como que a troçar da nossa breve existência. Deve ser por isso que lhes damos tão pouca importância, com medo de nos tornarmos conscientes da nossa fragilidade. No entanto, deveríamos ficar mais optimistas ao saber que há coisas que nunca mudam. Como pilares onde nos agarrar. Como dados adquiridos, no meio de toda a efemeridade. E façamos o que façamos, a lua e as estrelas estarão sempre lá. Meio escondidas ou completamente desinibidas, guiam-nos, são os nossos pilares e as nossas paredes de betão, e devemos-lhes muito mais do que imaginamos.
E vamos criando também as nossas luas ao longo da vida, que, embora mutáveis, temperamentais e imprevisíveis, são nossas, tangíveis, e decerto não irão embora tão cedo.

Também deves gostar disto

1 comentários

  1. A verdade é que precisamos e precisaremos sempre de ter algo imutável na nossa existência. Seja o que fôr, mas que continue ali, onde nos podemos agarrar e acreditar que há e haverá sempre coisas que não mudam.

    ResponderEliminar

Seguir por email

Visitantes

Blogs Portugal