Palavras do Abismo

O sonho começou com um grande vendaval - tão grande que, espreitando pelas janelas, víamos as pessoas voar e a serem atiradas para todos os lados. Tirei, inclusivé, uma foto espectacular de uma senhora loira e magra, agarrada aos seus sacos de supermercado, voando por entre edifícios, com os seus cabelos longos em rodopio, mas com uma grande calma aparente reflectida no rosto. Acho que estava a aproveitar o vento para ir para casa a voar sem usufruir dos transportes públicos àquela hora de ponta que, como todos sabem, são uma chatice maior do que todos os ventos e vendavais juntos.

Achei a minha foto digna de capa da National Geographic e fui para casa, desejosa de a mostrar ao meu namorado. Qual o meu espanto quando abro a porta do quarto, e o vejo todo nu, sentado, à minha espera, com dois calmeirões ao lado, também nus, estendidos na cama, naquele repouso suado que se segue ao esforço sexual.

Não foi preciso ele dizer nada - o cheiro a sexo era palpável, e sabia o que ele tinha feito. Ele estava à minha espera para me contar, e fê-lo com uma cara de pau e com uma conversa fácil que manifestava a sua opinião de que, como tinha sido com gajos, não era traição a sério.

Fiquei triste com a situação, manifestei a minha raiva, gritei, mas no fundo, mesmo sendo um sonho, apercebi-me que a minha mágoa aconteceu mais por ele não me ter convidado para a festa do que propriamente pela traição. Os sonhos são tramados.



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Adoptei um gato. Pensava eu. À medida que o bicho foi crescendo, vi que me tinham dado gato por lebre, ou neste caso, por javali. Comecei a reparar nas crescentes presas laterais e no pelo crespo, no formato do focinho, e pensei "foda-se, adoptei um javali".

Depois de pensar no que fazer à vida, visto que seria uma crueldade manter um javali num T2 e com mais 3 gatos, resolvi deixá-lo na Arrábida, perto das comunidades de javalis que por lá andam. Um animal destes só estaria bem na natureza, e perto dos seus pares. E lá fui, despedindo-me com saudade.

Quando o despertador tocou foi o choque total - foi tão brutal que pensei que o javali me estava a atacar por tê-lo abandonado e saltei da cama pronta a correr. Antes de me aperceber que foi tudo um sonho, ainda arranjei tempo para esta imagem me vir à cabeça:


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Estava no trabalho e chega uma colega com um ar muito triste e miserável... e então conta-me que uma putarrona se anda a meter com o marido dela e não sabe o que fazer. Diz-me ainda que a cabra trabalha perto de nós. Então, a minha singela sugestão foi que lhe passasse com o carro por cima à hora de saída.

E como nos sonhos as coisas são assim, simples e de fácil resolução, à hora de saída ela despede-se com um "até amanhã", e passados alguns minutos ouve-se um grande estrondo na rua, tão grande que até o prédio de 20 andares onde trabalhava no sonho abanou. De imediato desloco-me à janela, mesmo a tempo de ver a puta estendida no chão e o carro da minha colega a fugir a alta velocidade.

E lembro-me de sentir um pico de orgulho. Boa, colega. Lutaste pelo que é teu e ainda seguiste o meu conselho. Desconheço o que aconteceu à saúde da provocadora senhora a partir daí, porque acordei para mais um dia de trabalho em que ninguém morreu. Mas espero que tenha aprendido a não se meter com o homem das outras, mesmo que no mundo dos sonhos. Vaca.

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Não me recordo da razão, mas neste sonho fui convidada para fazer parte de uma expedição com a duração de um mês ao espaço, ao serviço da NASA. Extasiada, aceitei, e integrei um grupo de pessoas que estavam tão entusiasmadas quanto eu. Durante umas semanas, preparámo-nos para a viagem, com aqueles exercícios estranhos para nos habituarmos à falta de gravidade e outras coisas mais que se observam nos filmes do género.

Deixei a minha vida em suspenso durante este período, despedi-me temporariamente dos meus gatos e abracei a expedição com tudo o que tinha. Acontece que, na manhã em que seguíamos para esta aventura espacial, acordei com um dente da frente a abanar e, quando encostei o dedo, o dente simplesmente caiu. E caiu-me tudo ao chão.

Pensei que todo o mundo ia estar de olhos postos em mim e nos meus companheiros de viagem, e que mal teria eu feito para me cair um dente, logo agora, e logo o da frente. Chorei, berrei, já queria desistir da expedição, mas os meus colegas lá me convenceram a não desperdiçar a oportunidade por causa de um aborrecimento de pouca monta.

Lá me recompus, mas aproximava-se um momento temido - o da fotografia de grupo. Quando o fotógrafo viu que não sorria e que tinha um ar macambúzio, fez umas macacadas para me arrancar um sorriso, e conseguiu. E a última coisa que vi antes de entrar na aeronave foi essa fotografia de um grupo espectacular e composto, mas o que saltava mais à vista era a baliza na minha boca, um buraco negro tão grande que dava para estacionar o foguetão.

E aí está, o meu sonho que mistura o Armageddon com um filme de adolescentes.


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Ia a um concerto dos Bizarra Locomotiva em Leiria (e fui mesmo, há algumas semanas) e quis jantar pizza. Parecia que na cidade desconheciam o conceito de pizza porque corremos aquilo tudo quase sem sucesso. Finalmente, encontrámos um boteco escondido que vendia.

A lista de ingredientes que podia adicionar à pizza era extensa mas miserável. Eu só queria uns simples pimentos e espinafres, mas não havia. Só coisas estranhas como mão de vaca, costeletas de carneiro ou focinho de porco. Comecei a panicar e a explicar que não comia carne, se não podiam adicionar umas coisas poucas - até ficava satisfeita com umas míseras rodelas de cebola.

Para além de recusarem, começaram a rir na minha cara e a dizer que ali era assim que funcionava, não havia cá comidas de passarinho. Ou se comia uma pizza com uma febra em cima, no mínimo, ou nem ia para o forno. Foi a tristeza total.

Não me lembro de mais nada. Acordei (ainda no sonho) e estava na casa dos meus pais na terrinha, na minha cama de adolescente, tapada até ao pescoço, como uma doente e, de facto, assim me sentia. Constatei que não tinha recordações da noite anterior, inclusivé do suposto concerto.

Levantei-me a custo e encontrei o meu namorado no sofá a ver as notícias, que com pouca paciência me explicou que tive um colapso nervoso na pizzaria, que comecei a espumar da boca, a dizer loucuras e a atirar-me para o chão. Estava zangado comigo por, por causa de mim e das minhas cenas em público, teve de faltar ao concerto e levar-me para casa dos meus pais. "Eles que te aturem as manias", disse, antes de ir embora.

Triste por ter perdido a oportunidade de comer pizza e de ir ao concerto, animei-me com a perspectiva da comidinha da mãe que viria para a mesa daí a pouco. Mas como até os sonhos nos fodem, levei com o cheiro e com a visão de detestáveis moelas, e com o sorriso cínico da minha mãe antes de proferir: "não gostas, vai comer fora". E acordei. Com vontade de comer pizza.

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Eu nunca durmo sestas. Nunca. Mas aconteceu, porque foi uma sesta que se fez às 07h da madrugada e a coisa deu-se. E apesar de ter sido coisa de apenas meia-hora, deu para sonhar coisas parvas.

Ora eu tinha ido de viagem a Londres. Eu e os meus amigos não conseguimos quarto conjunto e tivemos de nos espalhar por vários quartos com camas livres. Foi assim que me vi com um companheiro de quarto. Quando vi o meu, um rapaz alto, de barba, tatuado, soube que o conhecia de qualquer lado mas não me lembrava de onde. Ele saiu do quarto e eu feita cusca fui abrir o armário dele.

E pronto, fez-se luz. Estava lá o equipamento do moço com o símbolo do FC Porto, as luvas, peúgas, chuteiras, joelheiras, que me fizeram reconhecê-lo como o José Sá, guarda-redes do clube. Não sei porque estaria ele a usar um armário de um hostel em Londres para guardar equipamento, mas sei que não foi a única coisa que lá encontrei. O meu nariz experiente disse-me que havia algo mais, et voilá, desenrolei umas peúgas e encontrei erva.

Tudo arrumado, aguardei pelo retorno do craque e fiz conversa fiada para ver se ele me acharia simpática ao ponto de dividir comigo tal iguaria. Mas não. Cagou de alto para a minha pessoa, talvez cheirando também algo mais, por exemplo, que sou sócia de clube lisboeta. Trágico.

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O Exterminador Implacável tinha saído do ecrã e andava pelas ruas determinado a acabar com a raça humana. Um ciborgue com a aparência do Arnold Schwarzenegger espalhava o terror, destruindo edifícios, lançando granadas, usando a sua metralhadora contra tudo o que se mexesse. Invencível e indestrutível, percorria as estradas, avenidas e ruelas enquanto os militares faziam o melhor que podiam para evacuar os sobreviventes para não sei onde... E foi aí que consegui entrar para um camião escuro e apinhado de gente.

Cheirava a suor, a fumo, as pessoas tinham fome, sede e medo. Eramos refugiados, sem destino e sem esperança. Mas nisto reconheço uma cara ao fundo do camião. É uma colega minha que está a ouvir música no telemóvel, provavelmente para se distrair da destruição. Ela vê-me, acena-me, senta-se perto de mim e diz:

"Olá! Então, amanhã vais ao pilates?"

E eu respondo sim, claro que sim, que não faltaria a uma aula, especialmente agora que tinha ali uma dor de lado e que precisávamos de descontrair. E a vida prosseguiu o seu caminho no meio do terror aliviado pela perspectiva da aula até ao momento em que acordei e me apercebi que era mesmo dia da aula de pilates. I'll be back!


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Era dia de Natal e eu estava em casa da minha tia com a família reunida. Não tinha prendas para dar - deixei tudo para a última hora - por isso o meu plano era passar pelo Continente antes da abertura das prendas e despachar a coisa.

Depois do jantar, estavam todos a ajudar a levantar a mesa até que tudo começa a tremer e uma nuvem negra forma-se no centro da sala. A minha tia, que segurava o seu maravilhoso pudim, estava a abrir a boca para perguntar que raio era aquilo, até que "aquilo" lhe entrou pela boca adentro e ela começa a ter convulsões, deitada no chão. Ficámos todos a olhar embasbacados, até que a nuvem negra lhe saiu pela boca e entra pela da minha prima, que começa também a espumar-se no chão.

Aí eu penso - "Porra, se quero ir ao Continente tenho de sair já". Que é um pensamento perfeitamente normal quando a tua família está a ser sodomizada por uma nuvem negra. Vou a um armário e pego numa metralhadora (também muito útil para disparar contra aquilo), meto uma bandana a tapar a boca, pego na mala, e preparo-me para sair de casa, deixar aquela confusão e ir às compras. Portanto, não me preocupo minimamente com a saúde da minha família, mas quero desesperadamente comprar-lhes prendas.

E lá fui. Lá fora reinava o caos - carros a arder, pessoas a fugir, gritos, e aqui e ali viam-se aquelas nuvens negras a entrar pelas bocas e a consumir os espíritos (de Natal?). Fui-me escondendo entre os carros e as esquinas, já a vislumbrar ao longe as letras vermelhas do Continente. Depois o meu despertador tirou-me do sonho, o que foi uma pena, porque não fiquei a saber se atingi o objectivo.

Isto é que foi - uma mistura de Stranger Things, com um anúncio da Popota, um conto de Stephen King metido numa história de Natal.

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Tinha viajado para um sítio qualquer com um grupo de amigos, e o país onde estávamos foi assolado por um temporal imenso que colocou toda a população em perigo.

O nível das águas subiu consideravelmente e tínhamos de arranjar forma de sair de lá, mas os transportes estavam o caos. Então, surgiu a alguém a ideia fantástica de simplesmente boiarmos até Portugal. "Com as correntes fortes estamos lá amanhã", disse a pessoa. E aceitámos logo, claro, porque nos sonhos as ideias impossíveis são as melhores. Metemos o colete salva vidas e lá fomos para o mar, a boiar de barriga para cima, embalados pela corrente, até vermos terra novamente.

E vimos. Só que não era Portugal. Mas era um pedaço de terra com umas quantas casas e parecia solarengo e hospitaleiro. Sem conhecer a língua, numa zona remota e incomunicável, e sem saber o que fazer, construímos casas com pedaços de madeira e por lá ficámos. Até já estávamos confortáveis e a pensar que íamos ficar por ali o resto da vida, até que as noites começaram a ficar assustadoras com muitos barulhos estranhos, e os meus amigos começaram a desaparecer, um por um...

Um belo filme de terror de série B, certo?


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Estava num festival qualquer, mas era uma cena muito alternativa e underground que se passava num cenário urbano com casas e terrenos abandonados, grafitados e meio sujos. Havia música, arte, e ajuntamentos de pessoal a jogar snooker ou à malha (!).

Eu andava por lá no meio do pessoal marado, até me dar a vontade de fazer xixi. Para meu desespero, não vi casas de banho em lado nenhum e ninguém mas conseguia indicar. Então, teve de ser. Tive de urinar pelas pernas abaixo. Estava de saia e até foi fácil - consegui fazê-lo sem me sujar. O meu jacto de urina foi tão forte e visível que muita gente ficou a ver, e o único comentário foi feito por uma menina com todo o ar de ser lésbica, que ia a passar e pediu-me para, pelo menos, jogar um balde de água para cima do mijo.

Aceitei a sugestão, mas e encontrar um sítio com água ou uma torneira? Muito complicado. Quando acordei ainda o meu eu, no sonho, andava de casa em casa a perguntar por um recipiente e água enquanto o pessoal tripava e não me ligava nenhuma...


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Estava a chegar à terrinha, de autocarro, e prestes a passar na rua da minha avó (a minha avó falecida, que no sonho estava viva). Estava descansadinha a fazer palavras cruzadas à espera que o autocarro parasse, e este trava de repente, e começa a ouvir-se uma grande confusão na rua com pessoas aos gritos e a fugir por todo o lado.

Toda a gente do autocarro começa a levantar-se para ver o que se passa e só vemos uma grande quantidade de carros parados à nossa frente. O motorista abre a porta e piramo-nos todos, dirigindo-nos ao cerne da confusão. E eis que vemos bocados de um corpo espalhados pelo alcatrão da estrada e não só, com pedaços de cérebro e membros decepados colados às casas e nos jardins destas. Ainda se consegue identificar que o corpo é de um polícia, pelos rasgos de uniforme que ainda se mantém junto ao que resta do tronco.

Fico um bocado a olhar para aquilo, que me fascino com mortos, mas depois vou à casa da minha avó, que é mesmo em frente, e ligo a CMTV, porque esses gajos estão em todo o lado escondidos debaixo de todas as pedras da calçada. Tal e qual, já tinham imagens do que se tinha passado e já estavam a passá-las em loop até à exaustão. Eram da câmara de vigilância de um vizinho, e mostravam o polícia a atravessar a rua, e um carro veio a abrir na curva e passou-lhe por cima como se nada fosse. Em câmara lenta percebia-se o desmembramento e os miolos a arrebentarem por todo o lado.

Fiquei assim esclarecida sobre os acontecimentos, e depreendo que o sonho se deve aos recentes atentados terroristas do género, ou porque estou a ler um livro do Stephen King em que há um atropelamento de uma multidão de desempregados na fila para uma feira de emprego. Grande SK, és um grande sádico.



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Era um festival medieval na Alemanha, com tudo muito arrumadinho por entre muralhas de castelos - bancas de tatuagens (onde estava lá uma das minhas tatuadoras), de comida, de artesanato, num local fantástico. Vi concertos de Rammstein, Metallica, System of a Down, Nine Inch Nails, enfim, só mesmo num sonho para reunir as minhas bandas favoritas.

Eu e o meu namorado apanhámos o autocarro que nos levava de volta ao aeroporto, com muita pena de abandonar aquele local. Uns amigos nossos perderam o autocarro, e tiveram de esperar pela manhã seguinte, passando pelo incómodo de ter trocar os bilhetes de avião. Até gozámos um bocado com eles, dizendo que era bem feita por andarem sempre atrasados.

Até que passadas umas horas nos mandam uns vídeos e fotos que nos puseram a chorar. O Marilyn Manson deu um concerto surpresa. Depois de quase toda a gente ter ido embora, depois das bancas fechadas e tudo arrumado, depois da primeira vaga de autocarros ter partido, aquele cabrão sexy aparece em palco vestido de latex a cantar a Beautiful People, e os nossos amigos curtiram bué um concerto quase intimista. Chorámos baba e ranho, quase cortámos os pulsos. Lição: nem sempre é bom fazer tudo a tempo e horas... Ou, quem perde um autocarro, apanha outra coisa qualquer que faz tudo valer a pena.


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Estou há imenso tempo para limpar o tecto da minha marquise, que está a ficar com manchas pretas. Até já sonho com isso.

No sonho, eu e o meu namorado finalmente nos decidimos a limpar aquela porcaria e até nos estávamos a divertir, tanto que dispensámos o escadote - pus-me nos ombros dele e andava para lá a esfregar muito divertidamente. Às tantas desiquilibrei-me, e a janela estava aberta, e mandámo-nos por ela abaixo.

Lembro-me de ainda pensar, no momento do início da queda, que se ele ficasse por baixo eu teria hipóteses de sobrevivência. Mas não, caí primeiro, e ficámos os dois esborrachados no chão numa amálgama de bocados de cérebro e sangue. Depois a câmara do meu sonho fez um close up à marquise e estava lá o meu gato a olhar cá para baixo com ar de terrorista e aí tive a certeza que foi o dissimulado que nos empurrou...


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Eu e o meu namorado decidimos ir ver um concerto dos Rammstein à China (sim, só mesmo em sonhos eu tenho dinheiro para estas viagens).

O festival ficava num local um pouco duvidoso, rodeado de lojas e restaurantes decrépitos e com muito pouca gente nas proximidades. No dia do concerto, almoçámos num desses restaurantes, e no fim da refeição ele foi à casa de banho e eu esperei lá fora.

E esperei, esperei, esperei, não estranhando já ter passado mais de meia hora, porque com os intestinos dele às vezes não é de estranhar. Entreti-me a fazer Krav Maga com um velhote nas proximidades e quando dei por mim tinham passado horas. Voltei ao restaurante, perguntei onde ficava a casa de banho e, depois de apontarem para um corredor longo e sujo, decidi-me a ir buscá-lo.

Esse corredor estava cheio de bicharada, desde gatos, cães, a macacos, e tentei abstrair-me do facto que podiam ter sido o meu almoço. Cheguei a uma porta ao fundo do corredor com a indicação de WC, abri-a, e era um fosso gigante com tanta água que até fazia ondas, e com crocodilos a nadar alegremente, e nele estava o meu namorado, aflito porque nada mal, e uma outra estrangeira também aflita.

E eu disse-lhe algo como: uma pessoa à tua espera e tu a nadar com gajas! E pronto, fui ver o concerto sozinha. Já não há respeito.


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Tinha chegado a casa para o almoço de Natal, e apesar de ter chegado bem cedo, já estavam todos a acabar de comer. Mal entrei na divisão, todos se calaram, desviaram o olhar, evitaram-me e foram-se levantando, saindo da sala.

Enquanto pousava sacos e despia o casaco fui ficando sozinha até não sobrar ninguém. Deambulei pela casa a ver se descobria o que se passava, a razão de tanto mal-estar pela minha pessoa ao ponto de me deixarem a falar sozinha depois de eu ter feito tantos quilómetros. Nisto, num dos quartos, encontro um amigo a dormir. Acordo-o, e ele, sobressaltado, pergunta se está atrasado para o Natal. Noto-lhe uma certa ressaca e explico-lhe pacientemente o que se estava a passar.

Tal como eu, também achou estranho que todos tivessem ido embora sem dizer palavra. Fomos andando pela casa, que é enorme e envidraçada (não sei onde o meu subconsciente foi buscar a ideia de que a minha família teria dinheiro para uma casa destas) e depressa descobrimos que todas as portas e janelas que dão para o exterior estão trancadas. Mau maria...

Para piorar a situação e dar aquele toque de surrealidade, apercebemo-nos da presença de pequenas criaturas lá fora, que se vão aproximando devagar, espreitando por entre a folhagem do jardim com uma cara muito séria. São crianças índias com ranho na cara, todas vestidas com a camisola do Celtic de Glasgow. Têm ar de más, muito más, têm bastões, paus, e facões nas mãos, e cheira-me que não nos vão deixar sair dali com vida. Mas felizmente acordei, e com vontade de visitar a Escócia.


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Perto de onde moro há uma casa de frangos assados que é a loucura. Está sempre cheia à hora das refeições e é ver as pessoas a fazer filas enormes e a aguentar-se à bomboca faça chuva ou o maior dos calores por um pedaço das pobres aves.

Ora no meu sonho, o meu namorado quis armar-se em empreendedor, e passou a ir buscar frangos, muitos frangos, nas horas mortas, e trazia várias bolinhas, desfiava o frango, e passou a revender aquele frango pelo qual os apreciadores de carne tanto babam, em sandes. Abria a janela da cozinha e apregoava as sandes de frango assado às pessoas que passavam, e até houve uma certa adesão quando os clientes se aperceberam de onde vinha aquele famoso frango.

O ponto alto no seu negócio foi quando a equipa de futsal feminino do Sporting foi jogar perto da casa dele, e as raparigas, esfomeadas, esgotaram-lhe o stock. Partilharam fotos no Facebook, e foi ver, nos dias seguintes, tudo esfalfado pelas sandes.

O ponto baixo foi quando o senhor dos frangos, o original, que passou décadas a apurar aquele molho oleoso e viciante, descobriu e foi lá partir-lhe a cozinha e a cara. Ai senhor Alfredo, desculpe lá, isto foi só um sonho. Continue a fazer essa serradura maravilhosa, a melhor do mundo, que eu, os frangos, dispenso-os.


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Neste meu sonho bizarro, o mundo era um lugar melhor para quem fosse bailarino. Tinham os privilégios que os estudantes têm hoje em dia - descontos em restaurantes, tarifários e preços mais baratos, bilhetes de cinema com desconto, passes e bilhetes mais baratos nos transportes públicos, teatros, entradas gratuitas nos museus, enfim, ser bailarino era ser um privilegiado.

No meu sonho, os estudantes eram pessoas como todos os outros trabalhadores, com os mesmos privilégios. Ser bailarino era a pretensão de quase toda a população, mas era uma profissão acessível a apenas 1% das pessoas. Era uma luta descomunal para o conseguir. A geração de meninas na pré-adolescência andava tudo a passar fome para ter a elegância necessária para o ballet. Nas ruas, grupos de rappers davam o mote para battles de dança urbana. Tudo o que era concursos de talentos na televisão era dedicado à dança. Até havia uma Casa dos Bailarinos na TVI.

É claro que, como na vida real, eu andava longe da profissão de sonho de toda a gente e não era bailarina, mas sim padeira. Que seria uma profissão muito mais fixe do que a que tenho agora. Hajam sonhos para que possa comer pão de ló de manhã à noite e vender pão integral a miúdas que aspiram ser protagonistas no Lago dos Cisnes.


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Era Halloween, e fui jantar fora com o meu namorado e mais um casal amigo. Devido à data, decidimos ir vestidos de assassinos. Fomos a um restaurante especialmente decorado para a ocasião, com esqueletos, abóboras, bruxas por todo o lado, com pouca luz, e tal e tal.

Eu ia de Chucky, o boneco diabólico; o meu namorado, de Freddy Krueger. O casal amigo ia de Ghostface (do filme Scream); e ela de Jason (Sexta-feira 13). Via-se que a empregada de mesa que nos serviu não estava muito à vontade com a coisa e decidimos pregar-lhe partidas. Quando ela entrou para a nossa sala de refeição com a comida, o Ghostface estava atrás da entrada com uma faca e fê-la atirar tudo para o chão. Quando fui à casa de banho, aproveitei para me esconder atrás do balcão e quando ela foi buscar uma bebida agarrei-lhe a mão e ela gritou aterrorizada. E assim sucessivamente.

Já no fim da refeição, esperámos impacientemente pela empregada e ela nunca mais vinha. Até que o Freddy decidiu ir à entrada do restaurante pedir a conta. Voltou passados segundos, chamando-nos. E deparámo-nos com o corpo esventrado da empregada dentro da arca frigorífica dos gelados. Todos os outros empregados e clientes estavam a olhar, incrédulos. E olhavam também para nós com ar desconfiado, os únicos mascarados ali.

Ficámos indignados, mas também começámos a pensar se um de nós não seria o assassino. Um mistério que ficou por desvendar, porque o despertador chamou-me para trabalhar. Raios.


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Uma amiga minha estava grávida (não era uma amiga real, nunca a tinha visto). Acompanhei-a ao hospital para uma consulta de rotina e acabou por lá ficar, que já estava prestes a dar à luz... Lá começaram as contracções e no meio dos seus acessos de dor grita-me que precisa urgentemente de uma tosta de queijo.

Lá vou eu pelo hospital afora, reparando que as condições são desumanas - há muitas mulheres, quase empilhadas em cima umas das outras, não há janelas, está tudo sujo e com cheiro a mofo... De qualquer modo, lá me encaminho para a cafetaria, onde demoram uma eternidade e mais um pouco a preparar a dita tosta de queijo.

Finalmente, volto a correr com a tosta na mão, e a minha amiga, toda lixada comigo, diz que já não quer, que abortou devido à demora e acabou por dar à luz um ovo estrelado. "Agora tens de me arranjar outro ovo!", disse-me. Sim, no meu sonho, as mulheres não engravidavam do truca-truca - enfiavam um ovo de galinha pela rata acima, e 9 meses depois, em vez de sair pintainho saía bebé.

Sentindo-me culpada, lá fui eu novamente, a correr, à procura duma galinha nas redondezas, e tive de recorrer a uma capoeira duvidosa e também pouco limpa. Agarrei em três galinhas e andava para lá à procura dos ovos quando apareceu a ASAE e me prende. Tentei explicar que o negócio não era meu, mas foi em vão. Fui levada para a choça e acordei antes de saber o que aconteceu à minha amiga antes prenha-poedeira.

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Portanto tinha aberto um novo clube da cadeia de ginásios que frequento e fui experimentá-lo. Fui à aula de yoga, tirei uma senha para a dita cuja, e ao fazê-lo uma rapariga que lá trabalhava pergunta-me se já sabia da grande novidade. Perante a minha resposta negativa, revela-me que as aulas de yoga deste clube serão feitas totalmente a nu - toda a gente tem de estar em pelota, para uma maior comunhão com o meio e sensação de bem-estar.

Fico um bocado paralisada pela surpresa e começo a fazer contas mentalmente a ver se não estaria com o período e se teria feito a depilação. Depois de me auto-responder, "não" e "sim", digo "ok, vamos lá a isso!".

Arrependo-me imediatamente, pois não sei bem que fazer. Vou logo nuazinha para a aula, andando pelos corredores com as carnes penduradas e pipi exposto? Ou é para despir lá dentro? Começo a observar então as senhoras no balneário e já estão todas como vieram ao mundo. Suspiro e faço o mesmo. Lá vou eu, no meio delas, camuflada, em manada, que isto na natureza e em grupo é mais fácil.

À porta da sala de yoga fica então um grupo bastante variado de pessoas à espera. Homens, mulheres, velhos, novos, pretos, brancos, ciganos, gordos, magros, tudo a mostrar os seus atributos no meio do corredor, enquanto os outros usuários do ginásio passavam boquiabertos com tamanho despudor. Sinto-me encolher até a aula começar, mas depois as luzes apagam-se e descontraio. Acabou por ser uma aula fantástica e acordei relaxadinha como se tivesse mesmo lá estado. Quem sabe não estará aqui um novo conceito.


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