Pessoas estranhas #145 - os misóginos do xadrez
abril 11, 2026O título deste post inclui "do xadrez" mas não precisava. São misóginos e ponto final. Mas quis realçar a misoginia numa área historicamente dominada pelos homens, e onde, pelos vistos, as mulheres precisam de bater à porta para poder entrar.
Há dias deparei-me com esta notícia do JN que destaca os comentários sexistas que uma jogadora de xadrez portuguesa enfrenta.
Portanto, uma miúda de 20 anos, futura médica, violoncelista, que se tornou Grande Mestre no xadrez é claramente uma rapariga atinada, estudiosa e certamente muito inteligente. Está a dar cartas numa modalidade em que é preciso lógica, memória, paciência, disciplina, antever passos, estudar o adversário, reconhecer padrões, avaliar o risco. E no entanto, existem sempre uns calmeirões para a mandar para a cozinha e fazer costura.
Qual é o medo desta gente? Qual é o problema deles para se sentirem ameaçados por uma rapariga acabada de sair da adolescência? Qual é a necessidade destes homens de minimizarem mulheres para se sentirem poderosos? Porque é que o sucesso de uma mulher lhes abala o mundo tão negativamente?
O feito dela é inédito, é inspirador, suscita admiração e devia encher-nos de orgulho. Fosse um rapaz era igual, mas sem bocas foleiras. Raios, estamos em 2026 e nunca assisti a tanta divisão e retrogradismo.
Estupidezes à parte, muitos parabéns à Filipa. Que atinja o objetivo de chegar a Mestre Internacional e que continue a ser uma inspiração - que mostre ser possível atingir níveis de desempenho incríveis mesmo no seio dum mundo dominado pelos homens. Um dia, tudo foi dominado pelos homens e foi com muita dificuldade e perseverança que deixou de o ser - voltar atrás não é opção.

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