Sonhos marados #62 - casa de banho comunitária
abril 17, 2026Aluguei uma casa de férias, e estava tudo bem até me entrarem dois sujeitos estrangeiros pela casa adentro quando estava a dormir. Levantei-me, peguei no candeeiro da mesa de cabeceira, corri na sua direção e ameacei bater-lhes. Para minha surpresa, deram um gritinho de medo, chamaram-me maluca, e disseram em inglês que usar a minha casa de banho fazia parte do pacote pelo qual tinham pago. Muito confusa, mas mais calma, tentei sacar informações e fiquei a perceber, após ler todas as condições e letras pequenas da reserva deles, que a casa de banho da casa que aluguei era partilhada.
Mas não era partilhada com as pessoas do mesmo complexo ou sequer da mesma rua. Qualquer turista que tivesse uma reserva na cidade podia ir cagar à minha casa. Também incluía eventos, explicaram-me. Por exemplo, no dia seguinte uma maratona passaria por ali, e a minha casa de banho era uma das integrantes da prova para os atletas se poderem aliviar com privacidade durante o caminho.
Pior - naquele momento estava a começar uma rave ali nas redondezas, e a minha casa de banho estava ao serviço do evento, o que significava que mais umas horas e iria receber bêbedos e mamados dos cornos. Fiquei chocada e chateada, mas também assumi a culpa por não ter lido todas as condições. Devia ter assumido que aquele baixo preço teria um senão. Assim, engoli o orgulho e preparei-me para ajudar no vai-e-vem de pessoas que cedo começou a surgir. Segurei no cabelo de muitas raparigas a vomitar, fiquei à porta a impor limites de tempo, ajudei gajos a acertar no alvo da sanita, pus gente mamada a levar com água fria no chuveiro, e o diabo a sete.
Os turistas que me assustaram inicialmente ficaram comigo e acharam uma experiência giríssima, assim tipo um pack Odisseias de ajuda a pobrezinhos. Iam buscar papel higiénico, toalhas, faziam umas sandochas para curar ressacas, impediam que vomitassem no resto da casa, seguravam as bebidas enquanto o pessoal ia aliviar-se para que não fossem drunfadas, enfim, só tenho a agradecer-lhes, porque sem eles o meu sonho teria sido muito mais porcalhão.

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