Estou agora a trabalhar num centro de estudos, e estava na sala dos mais crescidos (10 - 12 anos) a ouvir os trabalhos de casa que tinham para fazer. Um dos alunos é autista, e apesar de ser funcional, tem dificuldades de concentração e de memória. Uma das colegas de turma chegou-se à frente: "ele tem para fazer as páginas 88 à 91, teve mais dificuldade em perceber o exercício 8.3; do 6 ao 8.2 ficou tudo corrigido. Pode ser feito até ao final da semana."
Espantada, perguntei à monitora mais sénior se era sempre assim. Ela confirmou - a menina é uma cuidadora nata e decora (não aponta, decora) sempre as dificuldades, sucessos e temas pendentes do amigo, o que não só facilita a vida a toda a gente, como se torna um pilar, um apoio, uma muleta para um colega que facilmente se podia sentir desamparado e confuso.
Dei-lhe os parabéns, que era uma atitude muito nobre e que ela era uma amiga verdadeira. Ficaram os dois algo envergonhados, mas sorridentes. É tão fácil, não é? Ajudar sem esperar receber algo em troca, pelo simples facto de sabermos que estamos a facilitar o dia a dia de alguém. Não é preciso nada de grandioso, nem gastar dinheiro. Se miúdos de 10 anos conseguem identificar uma dificuldade e tomar uma decisão para facilitar uma vida, que desculpa temos nós para assobiarmos para o lado e fingir que não é nada connosco?














