Todos estamos familiarizados com os horrores do nazismo e já vimos inúmeros filmes, documentários, séries ou livros sobre o tema. Por essa razão, seria de esperar que aprendêssemos com os erros do passado, mas estes tempos em que vivemos dizem-nos que o mal é cíclico e que a memória coletiva se esbate com o tempo, parecendo ficção longínqua. É por isso que filmes como este são necessários, pois tornam-se testemunhos do horror impossível de apagar, e com os quais temos forçosamente de aprender.
O filme centra-se na máquina propagandista nos anos decisivos do Terceiro Reich (1938 - 45), nos quais Joseph Goebbels foi o ministro da propaganda. O seu papel era passar a mensagem, a qualquer custo, que a Alemanha estava em perigo e que apenas um homem a poderia salvar. Tinha de colocar o Führer como o único salvador da pátria e tinha carta verde para usar os meios que fossem necessários para convencer o povo.
E foi isso que fez - usurpou o cinema e outras formas artísticas para enaltecer as qualidades de Hitler; usou técnicas para fazer parecer que existiam mais pessoas nas ruas, mais bandeiras, mais ovações, do que realmente existiam; amplificava e exagerava momentos-chave, dava a volta ao texto e tornava tudo num ataque à Alemanha; controlava todos os media; conseguiu implantar a ideia de que os judeus eram reles, inferiores, ratos imundos que deviam ser exterminados sem contemplações. Até conseguiu justificar através da retórica que também as crianças judias deviam morrer, para não se vingarem mais tarde da morte dos pais.
Durante todo o filme vamos vendo algumas imagens reais e percebemos imediatamente como essas técnicas são aplicadas, e isto devia ser uma arma para nos defendermos ao dia de hoje. A manipulação, a propaganda e as fake news sempre existiram, tiveram consequências nefastas e que nos marcarão para sempre enquanto sociedade. Temos tudo à nossa disposição para não voltarmos a cair nas mesmas artimanhas, e no entanto aqui estamos a assistir à destruição do mundo por ditadoreszecos sedentos de um lugar na História.
É muito difícil resumir a propaganda nazi num filme, e essa é talvez a maior crítica - haveria muito mais por mostrar, e por isso talvez devesse ser uma série. Não obstante, é um instrumento de aprendizagem e de memória muito válido e que nos oferece boas interpretações, em que destaco Robert Stadlober no papel de Goebbels. Fornece uma forte carga autoritária e emocional, funcionando muito bem para também nos mostrar que o Hitler não estava sozinho e que tinha a seu lado pessoas que possibilitaram que acontecesse tudo o que aconteceu, especialmente este seu braço direito que se tornou o número dois do regime. Um autêntico mestre propagandista que no fim não teve pudor em matar os próprios filhos para não deixar pontas soltas.












