Match Point

segunda-feira, dezembro 29, 2008


"The man who said "I'd rather be lucky than good" saw deeply into life. People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net, and for a split second, it can either go forward or fall back. With a little luck, it goes forward, and you win. Or maybe it doesn't, and you lose."

in Match Point, directed by Woody Allen (2005)

É mesmo assustador pensar que tanto da nossa vida depende da sorte. Que tanto do que somos ou do que queremos é como tirar "cara ou coroa". Como acertar numa bola de golfe a 200 metros de distância, e acertar logo, ou ficar ali às voltas até acertar. Dizem que o destino, somos nós que o fazemos, e escrevemos, e se assim fosse, já teria uma biografia até à data da minha morte. Acredito mais na sorte do que num destino escrito, seja por quem for. Por isso, vamos lá, jogar mais um pouco, que nunca se sabe quando sai a sorte grande, e podemos estar longe, mas... we can die trying.

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2 comentários

  1. Adorei o Match Point e uma das coisas que me fez mais gostar do filme foi, precisamente, a parte que a sorte tem nas nossas vidas. É realmente assustador pensar que tanta coisa depende dela. Mas como tu dizes, o melhor é continuar a jogar...e com sorte chegamos onde queremos :)

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  2. Quando olhamos em redor, vemos tanta coisa na nossa vida que podia não estar aí. Havia tantas maneiras diferentes de nunca termos encontrado isso ou de o termos perdido. É arrasador. Parece que temos uma sorte incrível. Contudo, se um qualquer espírito perverso nos mostrasse o que perdemos, o que esteve à beira de acontecer e não aconteceu, então perceberíamos que somos também feitos de azar - do azar de não estar muito melhor do que estamos. Mas qual é o verdadeiro alcance da sorte e do azar? Se algo nos correr muito mal, não poderá suceder que daí advenha um grande bem? E não pode também acontecer que um grande bem esconda atrás de si um grande mal? Como medir? Qual a escala? Como é que nós poderíamos conhecer o valor absoluto de todas as coisas? É verdade que nós reconhecemos as coisas instintivamente como boas ou más, nós sentimos o seu valor, mas também é verdade que nos enganamos constantemente. Julgávamos que queríamos algo e afinal tê-lo não é o que julgávamos. Aqui está o problema: o que devemos julgar? Como devemos pensar? Como devemos olhar para a vida e para tudo o que nela acontece? Qual o sentido desta desgraça ou desta benção? Que fazer com o que me é dado? Como continuar a construção de mim com este novo material? A verdade é que nenhum acontecimento, bom ou mau, tem o seu sentido fechado. Tudo é uma história por escrever. O azar e a sorte podem muito pouco na vida daquele que decide pegar a caneta que escreve o sentido das coisas. Para quem nem pensa nisso, então tudo parece depender do que é dado.

    Dir-me-ás: podes ter o azar de morrer. Ou a sorte, direi eu. Mas corrigirei: desaparecendo, nada mais interessa. Ficar gravemente doente? Ou já não estarei lúcido, ou se estiver, quem sabe que verdade íntima da vida não posso ainda descobrir. Morrer alguém que me é próximo? Quem sabe que outras pessoas encontrarei e que sentido acharei para o que perdi, de tal modo que encontre uma vida extremamente significativa de recordação e dedicação. É impossível determinar. Nada na vida está fechado. Tudo catapulta para um "a seguir" que está em aberto. Eu não posso determinar o que acontece a cada instante, mas uma vez acontecido passa a estar tudo sob o meu poder, o poder de interpretar e ver as coisas desta ou daquela maneira. Até a maior dor pode ser significativa. Para além disso, até a maior alegria pode arruinar-nos. Podemos ficar presos a um passado utópico, podemos esquecer-nos de nós por as coisas estarem a correr bem, relaxar. Podemos ficar no que é familiar e não descobrir algo mais profundo. Como saber o que é que verdadeiramente bom, mesmo depois de isso ter acontecido? Mesmo anos depois, mesmo décadas, as coisas continuam em aberto e têm o sentido que lá pomos. Quem o percebe, tem a oportunidade de se esforçar, de procurar o máximo de significado possível para o mundo e para a vida em que nos encontramos, em vez de cruzar os braços e rezar para que tudo corra pelo melhor - melhor esse que só aparentemente conhecemos.

    Protréptico

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