Violet Stars Happy Hunting

segunda-feira, janeiro 12, 2009


"I'm an alien from outer space
I'm a cybergirl without a face, a heart, or a mind
See, I'm a slave girl without a race

On the run cause they're here to erase and chase my kind
They've come to destroy me
"

Janelle Monae - Violet Stars Happy Hunting



Sou lá de fora. Do sítio que a vista não consegue alcançar, cá de baixo. Onde estou mais perto do sol, e mais longe da lua. E viajo, por entre as estrelas, brinco com elas e ponho-as no bolso. Agito-o, e provoco explosões intercalares. Pego nas rédeas dos cometas e viajo horas-luz a fio. Sou cadente, sou fixa, nasço, e apago-me.
Sou um alien, sou um extraterrestre, não pertenço aqui. Tenho saudades de casa, do sítio onde tudo brilha, da vista privilegiada sobre vocês, humanos.
E agora estou aqui, no meio de vós.
Fui bem acolhida, mas sinto-me sozinha. E sou diferente de vocês, estranha raça.

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3 comentários

  1. A friend told me this place I have been looking for, I come, it turned out, I have not disappointed, good Blog!
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  2. 1/2

    Nós damos por nós no meio dos outros. A nossa identidade está normalmente determinada por eles. Sou melhor ou pior do que x, igual a y, diferente de z. Os outros que eu conheço constituem um sistema de forças complexíssimo, que me determina e traça para mim um destino. É difícil determinar como é que um projecto vital pode ganhar mais peso que outro, como é que aquela pessoa nos impressiona mais do que a outra. Talvez hajam alguns momentos de recordação do que verdadeiramente somos e, em consequência disso, certas coisas sejam iluminadas e outras não, em função da afinidade que possamos sentir. Talvez haja apenas uma sequência caótica de pensamentos que faz com que nos lembremos de qualquer coisa num dia e a ideia pegue. Talvez seja a retórica desta ou daquela possibilidade, o momento em que ela nos impressionou. De qualquer maneira, somos marionetas entusiasmadas com os seus movimentos, marionetas que se esquecem da ausência de acção, marionetas que se julgam responsáveis pelos seus movimentos. Isso é, no fundo, ser humano.

    E, todavia, nenhum de nós é verdadeiramente humano. Nós não somos uma pequena peça no meio de uma engrenagem gigantesca que nos transcende infinitamente. Eu olho para a parede porque a minha consciência a põe a ser, aí, à minha frente. A luz podia vir, bater nos meus olhos e ir para onde quer que fosse. Mas não. Há mais do que isso. Há uma ideia do que é uma parede, há um significado, que traz consigo a ideia de casa, a ideia de protecção, a ideia de uma natureza, a ideia de noite, a ideia de descanso - e cada uma destas ideias traz muitas outras. Há um mundo de noções, um mundo de pensamentos profundos que são o meu mundo e no entanto estão em mim, e não aí fora. Assim também é com os outros. Eles são o que eu conheço deles, o que me aparece, o que existe no meu olhar. O exterior do meu olhar é algo que eu não conheço. Isso não quer dizer que eu sonhe, porque o sonho é algo que pode ser interrompido, é algo que se opõe ao acordar. A vida que cada um de nós vive, no entanto, não se opõe ao acordar, ela é o próprio acordar. Nós somos tudo e, ainda assim, tudo tem o seu movimento próprio e tudo foge-nos. Foge-nos porque há múltiplos olhares, múltiplas interpretações. Qual é o verdadeiro sentido da vida, do mundo, das coisas? De nós, dos outros? Qual a ideia mais perfeita, mais expressiva, mais harmoniosa, de tudo quanto há?

    Todos somos desumanos neste sentido, mas muitos só têm um leve pressentimento disso, pois fogem imediatamente para o refúgio da vida automática e disponível, pré-fabricada. Outros, vivendo essa vida, vêem-na muitas vezes colapsar ou encravar, devido ao emergir de uma recordação do que verdadeiramente somos. Pode ser um tédio, uma angústia ou apenas uma desintegração inefável, uma suspeita de inadequação. O que é mais difícil de tudo, no entanto, é admitir esta verdade e tentar lutar por ela, tentar ser si mesmo, inapelavelmente. Afinal, ser o extraterrestre não é simplesmente ser de outro planeta e ter três orelhas e sete pernas. Ser o extraterrestre é não ser uma pessoa entre outras, uma coisa entre outras, mas ser o núcleo vital de um complexíssimo sistema de pensamentos que cria a partir de si uma dinâmica a que chamamos mundo, no meio do qual tudo acontece. Não que possamos ser fora do mundo. É exactamente como aquela história do Marco Polo, do arco da ponte que não existe sem as pedras e no entanto é o que sustenta cada uma delas, é o que permite que elas sejam o que são. Nós somos esse arco, esse arco interessadíssimo no equilíbrio e na harmonia de si.

    Protréptico

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  3. 2/2

    Se a suspeita disto ou a compreensão momentânea de que nós somos isto já nos faz sentir sós e diferentes, o esforço de nos mantermos aí, de retomarmos essa vida primordial, corresponderá a uma profunda solidão. E, no entanto, é também a base para um verdadeiro encontro, na medida em que duas pessoas se possam encontrar. Só a percepção da profundidade da vida impedirá que eu tome uma mera aparência superficial pela verdadeira realidade do outro. Mas, percebendo a profundidade da vida, eu não perco totalmente o outro, por ele ser igualmente profundo, igualmente universal, logo, por nos excluirmos mutuamente de um mesmo universo de sentido e de ideias? Sim e não. Sim, ele torna-se um mistério. Quem é o outro? Que mundo é esse que, tal como eu, é um núcleo vital de um universo como o meu? Contudo, este como o meu é fundamental. Eu sei que ele é um mistério e então percebo-o verdadeiramente como outro eu, e não como um tu que eu uso, seja para algo concreto, seja para me sentir bem, para confirmar um qualquer caminho. Então eu posso partir à descoberta do outro, sendo que a descoberta da diferença intransponível é já, de certa forma, a descoberta. O outro assume, com isto, um carácter aberto e dinâmico, e toda a realidade concreta que passamos a ter são os pequenos encontros de algo, que corresponderá sempre a movimentos internos das minhas próprias ideias, e ainda assim poderão constituir companhia na ausência, se houver de alguma forma partilha nestas buscas, isto é, se ambos percebermos que somos de outra espécie, muito peculiar. Há uma proximidade nesta distância, proximidade essa que é muito menos distante do que a proximidade entre os humanos, que é sempre superficial e por isso mantém a verdade profunda de cada um de nós remotamente separada de ambos, especialmente do outro (pois nós próprios ainda teremos os momentos de suspeita que somos algo completamente diferente). Por isso te digo que, apesar de estares sozinha entre os humanos, não és a única, e estás (ou podes estar) acompanhada na tua solidão. Tu e todos nós, quem quer que este misterioso nós seja.

    Protréptico

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