Esquenturamento

sábado, fevereiro 28, 2009


"(...) É o sangue que aquece... Ai, onde é que andará o meu amor, que me faz tanta falta... Estou-lhe cá com uma sede. O meu amor. Então, eu não sou diferente das outras pessoas. É cá um esquenturamento. É o calor que entra dentro do corpo da gente. Fica tudo em brasa. Mal um toquezinho e, ui, queima logo. Até faz faísca. Bem chegando por aí Julho, é que se vê. Só não quer quem não pode. Quem está vivo, está vivo."

in "Cal", de José Luís Peixoto (2007)


É o pensamento. Só o pensamento. O calor, as bochechas rosadas, uma ânsia cá dentro. É do tempo. É do ambiente. É da época. É destes calores que andam a chegar, estes calores doentios. São as vontades, os ventos suaves, o formigueiro no estomâgo, a boca seca. São os olhos a brilhar, e as pernas bambas. São os sorrisos, os toques, as provocações. É a pele na pele, o roçar dessa réstea de vida que nos corre nas veias. É respiração acelerada, palpitações. É loucura, exotismo, cegueira. São os olhos fechados, o arrepio na espinha. E fica tudo em brasa. Toda a gente quer o mesmo, sentir-se vivo.
E eu, morta, inerte, insensível, fria.

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1 comentários

  1. Errata: A última frase só foi válida até à madrugada de dia 1 de Março, por volta das 03:30.
    =D

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