Telhados de Vidro

domingo, fevereiro 20, 2011


Quando o nosso pequeno mundo descamba, parece que não há mais nada para além da bolha que nos acolhe. Uma bolha aparentemente frágil, onde não cabe mais nada para além da desilusão e do medo de que o amanhã não trará melhores notícias. Tornamo-nos egoístas, como se não se passasse mais nada no mundo, e como se os nossos problemas fossem a base de tudo o que corrói a cidade que nos acolhe. Um simples grão de pó mexe com o nosso sistema nervoso ao ponto de parecermos loucos, em frente a um espelho que apenas devolve uma imagem desfocada, amarela, sem vida, irreconhecível.

Eventualmente um dos amanhãs traz mesmo boas novas. Um dia, acordamos, não acreditando do quão em baixo estivemos. Sentimos pena de nós próprios, vergonha até, por nos termos deixado afectar pelas emoções. Queríamos ter sido menos humanos. Acreditamos que somos mais fortes do que aquilo. Baixamos os olhos com a lembrança do poço negro que nos prendeu por tempos que pareceram décadas.

À medida que nos sentimos melhor, vamos ouvindo outras histórias. Olhamos finalmente para quem nos rodeia. Sentimos pena, mas dos outros. E um sentimento de partilha, já se esteve ali, onde o outro agora está. E já lhes podemos dizer, com segurança, que o que agora parece o inferno, um dia será apenas o passado. A vida não é só aquilo. Maldade ou não, sentimo-nos um pouco bem por não sermos os únicos a termos sofrido. Todos têm, algures, telhados de vidro, muito fino e transparente e, mais dia  menos dia, todos se partem.


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