Hábito

quinta-feira, novembro 03, 2011

"Ninguém ousa dizer adeus aos seus próprios hábitos. Muitos suicidas detiveram-se no limiar da morte ao pensar no café onde vão todas as noites jogar a sua partida de dominó."

Balzac

Podemos agradecer aos nossos hábitos não nos perdermos ainda mais. Eles seguram-nos à vida, põem ordem nas coisas, justificam os nossos actos. Embora nem pensemos neles. Estão entranhados no que fazemos, provavelmente há anos, e alguns estão mesmo presentes desde o início da vida. Sem os meus hábitos, as minhas formas de escape e de desconexão momentânea da realidade, tenho a sensação que depressa entraria em colapso.
Todos os dias de manhã o café é a minha religião. Cumpro toda a rotina que vai desde o ligar a máquina de café até por fim ter ingerido todo o líquido que me acorda lentamente. Se isso me faltar, dou em maluca, embora seja "só" um café. Nunca nada é "só". Para mim, é a maneira real e simbólica do início do meu dia e do meu despertar para a vida que tenho de enfrentar mais uma vez. E se realmente pusesse em hipótese o suicídio, iria pensar duas vezes no prazer diário do cafézinho que iria perder.
Pelo menos, acho que lá em baixo ainda não há disso.

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