Esta não é uma descoberta nova, mas é uma descoberta recorrente. Cada vez que a oiço. Se tivesse a tarefa impossÃvel de escolher a minha música preferida, provavelmente seria esta. A "High Hopes" dos Pink Floyd tem a capacidade única de me tirar do sério, de me arrepiar, de me provocar uma nostalgia melancólica que me chega à medula.
Há décadas que oiço (e sinto) a porra da música e toca-me sempre. Envolve-me numa viagem ao passado, onde o que foi já não volta a ser. Regresso à infância e à adolescência, sinto o sol, os cheiros e os sons dessa altura. Tudo me atinge como um raio de luz, quente, e sinto-me como se estivesse lá atrás durante aqueles minutos onde as minhas memórias são vivas.
"A relva era mais verde", "a luz era mais forte", "o sabor era mais doce", naqueles dias que não tinham fim e onde a idade adulta era um mito tão distante. A guitarra, depois, chora, num solo fabuloso que é a machadada final que me diz que aquelas sensações que vivi são apenas isso, memórias. O tempo passou e afinal as noites que pareciam intermináveis conheceram um fim.
Mas a lembrança não é tristeza. A distância larga dessas memórias é um saudosismo terno e uma certeza irrevogável que existiram tempos inocentes, sem amarras e sem preocupações, em que o mundo era só aquilo mas era todo nosso. A perda dessa inocência e do desconhecimento é que dói.
Há décadas que oiço (e sinto) a porra da música e toca-me sempre. Envolve-me numa viagem ao passado, onde o que foi já não volta a ser. Regresso à infância e à adolescência, sinto o sol, os cheiros e os sons dessa altura. Tudo me atinge como um raio de luz, quente, e sinto-me como se estivesse lá atrás durante aqueles minutos onde as minhas memórias são vivas.
"A relva era mais verde", "a luz era mais forte", "o sabor era mais doce", naqueles dias que não tinham fim e onde a idade adulta era um mito tão distante. A guitarra, depois, chora, num solo fabuloso que é a machadada final que me diz que aquelas sensações que vivi são apenas isso, memórias. O tempo passou e afinal as noites que pareciam intermináveis conheceram um fim.
Mas a lembrança não é tristeza. A distância larga dessas memórias é um saudosismo terno e uma certeza irrevogável que existiram tempos inocentes, sem amarras e sem preocupações, em que o mundo era só aquilo mas era todo nosso. A perda dessa inocência e do desconhecimento é que dói.
Não, não é uma nova banda, com um nome ao estilo Belle & Sebastian ou Simon & Garfunkel. Mas podia ser, se o Benedict Cumberbatch cantasse alguma coisa de jeito. Não canta, mas chegou para participar no concerto de David Gilmour no Royal Albert Hall, em Londres, no passado dia 28.
O actor que se tornou conhecido pelo papel de Sherlock Holmes e que foi nomeado para um Oscar de Melhor Actor em 2014 pela fantástica prestação em O Jogo da Imitação (grande filme!) fez as vezes de Roger Waters em "Comfortably Numb". É claro que Roger é insubstituÃvel, mas como a parte que lhe calhou é praticamente falada e ambos partilham uma certa profundidade na voz, ele até se safou bem.
Esta música é maravilhosa e mesmo que fosse interpretada por alguém medÃocre continuaria maravilhosa. E quanto a Gilmour, bem, um génio é génio até morrer, e enquanto abrir aquela boca vai fazer-me arrepiar todos os pelinhos do corpo.
O actor que se tornou conhecido pelo papel de Sherlock Holmes e que foi nomeado para um Oscar de Melhor Actor em 2014 pela fantástica prestação em O Jogo da Imitação (grande filme!) fez as vezes de Roger Waters em "Comfortably Numb". É claro que Roger é insubstituÃvel, mas como a parte que lhe calhou é praticamente falada e ambos partilham uma certa profundidade na voz, ele até se safou bem.
Esta música é maravilhosa e mesmo que fosse interpretada por alguém medÃocre continuaria maravilhosa. E quanto a Gilmour, bem, um génio é génio até morrer, e enquanto abrir aquela boca vai fazer-me arrepiar todos os pelinhos do corpo.
Há 45 anos atrás (!!), os Pink Floyd fizeram História ao tocar no anfiteatro romano de Pompeia com o propósito de fazer um documentário / concerto. Filmaram durante 4 dias, e as músicas foram tocadas sem qualquer público, no meio do nada, num cenário histórico onde antes gladiadores lutavam, naquele que é o anfiteatro romano mais antigo do mundo.
Ainda eu nem era um espermatozóide quando foi gravada em Pompeia a Echoes, essa música icónica com mais de 25 minutos cujos acordes ainda me arrepiam desde a nuca ao rego do cu de todas as vezes que ouço. Aquela mÃstica, aquela calma, o espaço vazio, a música a espalhar-se para o nada, o simbolismo, nunca tiveram igual em momento algum.
E agora David Gilmour concordou em voltar. O vocalista principal da banda vai dar dois concertos em Pompeia em julho e não consigo exprimir a vontade que tenho de vender tudo o que tenho e agarrar a oportunidade única de ver um dos meus maiores Ãdolos num dos mais maravilhosos cenários de sempre.
É daquelas coisas que dá um aperto no peito, por saber que esta merda vai esgotar antes de eu conseguir juntar dinheiro para um pequeno almoço em Roma.
Eu desejo:
- Que me caiam os pelos todos do corpo (menos da cabeça) para nunca mais ter de fazer a depilação.
- Que os toureiros sintam um grande choque no anus e que este sangre e fique mais aberto cada vez que digam "olé".
- Que os meus colegas fiquem sem um ano de vida por cada vez que não me respondam a um "bom dia".
- Que os Pink Floyd se juntem novamente e que venham a Portugal para um concerto intimista no qual eu serei convidada de honra para gritar na "The Great Gig in The Sky".
- Que a minha colega cujo xixi cheira a azedo e a morte admita que tem um problema e o cure.
- Que vos apareça um penso higiénico usado e com restos de merda dentro da vossa cueca cada vez que deitarem lixo para o chão.
- Que o Jim Morrison volte à vida.
- Que os vossos pipis ganhem bolor e crostas podres cada vez que maltratarem um animal.
- Que os Evanescence desapareçam da face da Terra.
- Que haja um verdadeiro e grande festival em Portugal dedicado ao rock e ao metal.
- Um sixpack, sem desistir da minha tarte diária de leite condensado.
- Que o Stephen King seja transformado em vampiro para viver para sempre.
- Que eu tenha menos diarreia. Ou pelo menos que me saia uma nota de 20€ do cu cada vez que tiver. Vou ficar rica.
- Que eu ganhe o Euromilhões e tenha o poder de realizar pelo menos dois dos desejos anteriores, e que o dos Evanescente seja um deles.
- Que me caiam os pelos todos do corpo (menos da cabeça) para nunca mais ter de fazer a depilação.
- Que os toureiros sintam um grande choque no anus e que este sangre e fique mais aberto cada vez que digam "olé".
- Que os meus colegas fiquem sem um ano de vida por cada vez que não me respondam a um "bom dia".
- Que os Pink Floyd se juntem novamente e que venham a Portugal para um concerto intimista no qual eu serei convidada de honra para gritar na "The Great Gig in The Sky".
- Que a minha colega cujo xixi cheira a azedo e a morte admita que tem um problema e o cure.
- Que vos apareça um penso higiénico usado e com restos de merda dentro da vossa cueca cada vez que deitarem lixo para o chão.
- Que o Jim Morrison volte à vida.
- Que os vossos pipis ganhem bolor e crostas podres cada vez que maltratarem um animal.
- Que os Evanescence desapareçam da face da Terra.
- Que haja um verdadeiro e grande festival em Portugal dedicado ao rock e ao metal.
- Um sixpack, sem desistir da minha tarte diária de leite condensado.
- Que o Stephen King seja transformado em vampiro para viver para sempre.
- Que eu tenha menos diarreia. Ou pelo menos que me saia uma nota de 20€ do cu cada vez que tiver. Vou ficar rica.
- Que eu ganhe o Euromilhões e tenha o poder de realizar pelo menos dois dos desejos anteriores, e que o dos Evanescente seja um deles.
A minha paixão por Pink Floyd é desmedida, e consigo encontrar sempre uma letra de uma música que se adeque ao que sinto. Hoje encaixo-me perfeitamente na "Keep Talking". Porque hoje é um dia em que as palavras certas não me saem, também porque não me apetece proferi-las. Apetece-me o silêncio, e que me deixem em paz com a minha máscara de que "está tudo bem".
Não me saem as palavras correctas, não consigo encaixar as palavras dos outros, chego mesmo a desprezar quem se atreve a atirar-me palavras. Estou farta de histórias, de desculpas, de pedidos, de interesses, de se jogar fora o dom da palavra, para dizer, vá, merda.
"I think I should speak now __________ Why won't you talk to me
I can't seem to speak now ____________ You never talk to me
My words won't come out right ________ What are you thinking
I feel like I'm drowning _____________ What are you feeling
I'm feeling weak now _________________ Why won't you talk to me
But I can't show my weakness _________ You never talk to me
I sometimes wonder ___________________ What are you thinking
Where do we go from here _____________ What are you feeling"
Não me saem as palavras correctas, não consigo encaixar as palavras dos outros, chego mesmo a desprezar quem se atreve a atirar-me palavras. Estou farta de histórias, de desculpas, de pedidos, de interesses, de se jogar fora o dom da palavra, para dizer, vá, merda.
"I think I should speak now __________ Why won't you talk to me
I can't seem to speak now ____________ You never talk to me
My words won't come out right ________ What are you thinking
I feel like I'm drowning _____________ What are you feeling
I'm feeling weak now _________________ Why won't you talk to me
But I can't show my weakness _________ You never talk to me
I sometimes wonder ___________________ What are you thinking
Where do we go from here _____________ What are you feeling"
Quando Clare Torry foi convidada para improvisar com a sua voz num tema de Pink Floyd, nem ficou entusiasmada. Não gostava particularmente da banda, e já tinha planos. Os Pink Floyd esperaram. Quando finalmente o encontro se deu, Clare ouviu o instrumental, e fez três takes. Não quis fazer mais, pois achou que nada mais tinha a oferecer ao tema. Perante a passividade da banda, abandonou o estúdio, e nem pensou que o tema fosse algum dia ser editado. Eles não estavam passivos, estavam maravilhados. Clare só soube que o tema fazia parte do "The Dark Side of The Moon" quando viu o CD numa loja, e o seu nome nos créditos. Sem saber, fez parte da História. Participou num dos melhores discos que o mundo já conheceu, e emprestou a voz a um dos temas mais belos de sempre, que emociona, impressiona, comove, toca, revolve-nos por dentro. Em 2013 "The Dark Side of the Moon" fará 40 anos. Esteve mais de 13 anos consecutivos no top de vendas e contribuiu muito para a minha felicidade ter nascido numa década e num milénio em que posso desfrutar dele. E cada vez que o ouço, ainda solto um "foda-se", como se fosse a primeira vez.




