Os males que nos acontecem

segunda-feira, julho 04, 2011



"Em todos os males que nos acontecem, olhamos mais para a intenção do que para o efeito. Uma telha que cai de um telhado pode ferir-nos mais, mas não nos desola tanto como uma pedra atirada de propósito por uma mão maldosa. O golpe, por vezes, falha mas a intenção nunca erra o alvo."

Jean Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'



Somos atingidos de tão variadas formas, mas aquelas que mais nos ferem advêm da intenção de nos ferir. Se nos acontecer algum mal originado pelo mero acaso, culpa-se a má sorte, Deus, o Diabo, o destino, mau-olhado. Dizem-se uns palavrões, brada-se aos céus, mas a verdade é que passado um tempo, normalmente breve, chega a resignação. "Não se pode fazer nada". "Não vale a pena chorar sobre leite derramado". Ouve-se, ou diz-se, nestas situações.
Quando o mal que nos acontece advém de uma intenção de nos magoar, o caso muda de figura. A dor é outra. Seja o mal físico ou psicológico, a dor atinge uma profundidade desconhecida, que até dá medo reconhecer que existe. A coisa não passa de um minuto para o outro, não. Dói, remói, e amanhã, quando acordamos, ainda lá está. A dor da rejeição, da traição, da vingança, da indiferença, do mau-trato, não se esquece. Acumula-se no currículo negro da nossa dor e, de tempos a tempos, sai cá para fora.
Venha toda a má-sorte, que me atinja por onde quiser, que me levantarei de todas as vezes. Quanto à outra dor, já não sei.

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