Não Digas Nada

sexta-feira, agosto 19, 2011

"Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer"

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"



As palavras são tantas vezes inúteis. Sejam lidas, proferidas, ouvidas, por vezes mais vale fazermos orelhas moucas, olhos cegos, e boca calada. A nossa felicidade aumenta proporcionalmente à nossa ignorância. Há palavras e frases que quando entram na nossa cabeça, ficam lá para sempre. Agarram-se a nós, qual super-cola, não nos deixando fugir ou os pensamentos voar. Ou voam, para sítios errados. Sítios negros, onde só pensamos o pior. Onde a parte negra das palavras martelam segundo após segundo os ossos do nosso crânio. E dói. Dói ouvir as palavras, dói lê-las, seja como for o meio em que elas chegam até nós. Custa tanto. Pintámos um mundo tão melhor do que este, e por existirem as malditas palavras foi-se, puf, é tudo negro agora. 

Ouvi, calei, e da minha boca acabaram-se as sentenças. Agora, só sairão facas.


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