Corajosos e cobardes

segunda-feira, agosto 22, 2011

"Um dia, vais escolher um homem e talvez antes de escolheres o certo vais conhecer muitos outros. (...) Homens há muitos, mas dividem-se apenas em duas categorias: os corajosos e destemidos e, do outro lado, os grandes cobardes. Para perceber a que grupo pertence cada um deles é fácil, basta saber o seguinte, o cobarde é furibundo dentro de casa porque rejeita qualquer desafio e trata a mulher e os filhos como uma prova contínua da sua coragem inexistente; ao passo que o verdadeiro corajoso, com as pessoas que lhe são queridas é carinhoso e justo porque não tem medo de nada no mundo e desafoga sempre fora de casa a sua fúria, e sempre com quem é forte como ele ou lhe até superior em força. É isto que te peço, que escolhas apenas homens de grande coragem, porque se caíres nas mãos de um cobardolas não conseguirás impedir a minha intervenção, e contanto que to tire da frente é até possível que o mate."

in "Os Pais dos Outros", de Romana Petri



Pelos filhos, um bom pai é capaz de tudo - até matar. E isso não faz de si má pessoa, apenas alguém que zela por aqueles que lhes são próximos. Infelizmente, os homens corajosos não são assim tantos, e aqueles há que descarregam todas as fúrias da sua triste vida nos indefesos que lhe são próximos. Aqueles que não lhes podem fugir, presos entre quatro paredes de horror, dia após dia. E estão debaixo dos nossos olhos, são nossos vizinhos, nossos conhecidos, pessoas por quem passamos na rua. Não fazemos ideia da monstruosidade que lhes corre nas veias, e acaba nos punhos, nos murros, pontapés, e palavras afiadas que matam silenciosamente quem sofre com eles. 
Estou certa que quem maltrata os seus há-de provar a doce vingança, mais dia menos dia. Senão, devia. Provar o fel de que são feitos. Justiça divina. 

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