O movimento sénior no Multibanco

sexta-feira, outubro 04, 2013

O dia ideal dos nossos velhotes tem de incluir pagar contas no Multibanco. Juntam o máximo de contas possível, vestem a roupa de domingo, põem a bengala a jeito e lá vão eles com um sorriso no rosto.

E que melhor hora para se dirigirem à caixa mágica que cospe dinheiro? À hora de ponta, claro. Quando há mais movimento, porque eles precisam de ver caras jovens e larocas fora do programa do Goucha. Gostam que se faça fila atrás deles, porque já não vêem isso acontecer desde 1938, quando usavam o melhor decote (camisolas sem gola alta) ou os calções mais sexy (que davam um belo vislumbre do tornozelo).

Eles sentem prazer em ouvir os suspiros das pessoas atrás deles, é a parte mais sensual do seu dia. Sentem aquele bafo atrás do pescoço e isso equivale a 3 horas de sexo intenso.

Pagam a luz, o gás, a água, a eletricidade, a renda, carregam o telemóvel, fazem a transferência para o neto, levantam dinheiro, consultam o saldo, numa caixa Multibanco escolhida a dedo - tem de haver só uma, e num local apinhado, como uma estação de comboios.

Carregam em cada botão com uma calma estonteante, como se fossem bombas nucleares que tivessem de ser manuseadas com jeitinho. E depois há que verificar cada número inserido, afinal a vista já não é a mesma e valha-nos Deus se inserirem um número errado.

Passadas estas três horas de operações infinitas voltam para casa realizados, convencidos que são altamente modernos por conseguirem pressionar aqueles botões que fazem um sonzinho altamente tecnológico. Para além do mais, vão com o sex appeal em alta, depois de terem feito tanta gente gemer, suar e soprar para o ar.

Sim, eu sei que vou para o Inferno.


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