Não estraguem os maiores templos que o mundo tem

segunda-feira, março 21, 2016

"As florestas não são como os outros espaços. Para começar são tridimensionais. As suas árvores rodeiam-nos, abafam-nos, comprimem-nos de todos os lados, obstruem a vista, deixam-nos baralhados e sem referências. Fazem-nos sentir pequenos, confundidos e vulneráveis, como se fôssemos uma criança pequena perdida numa multidão de pernas estranhas. Num deserto ou pradaria sabemos que estamos num grande espaço. Numa floresta apenas podemos pressenti-lo. São um vasto e incaracterístico nenhures."

in "Por Aqui e Por Ali", de Bill Bryson (1998) 

E é isto. Caminhar na floresta dá-nos a noção da nossa pequenez, de que somos um grão de pó no mundo. Somos minúsculos comparados com as árvores, somos frágeis perto dos troncos centenários, somos insignificantes perante a força dos riachos e ribeiros que as atravessam desde sempre. Na floresta não importa onde estamos - tudo ao nosso redor é igual. Árvores, folhas, ramos, o céu lá em cima, o chilrear dos pássaros como música de fundo. Só num cenário assim chegamos ao fundo de nós próprios, largamos as manias e as coisas que possuímos, libertamo-nos de obrigações e o tempo deixa de importar. Testemunhamos a pureza, alcançamos a paz. 

Protejam as florestas. Não estraguem os maiores templos que o mundo tem.

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