Hipsters, hipsters everywhere

sábado, julho 09, 2016

Ora ontem fui ao NOS Alive, apenas e só por causa de Radiohead. É uma das minhas bandas preferidas, apesar de não me ter entusiasmado com as últimas setlists e com o último álbum. Mesmo assim, queria ver e ouvir ao vivo Thom Yorke, esse génio ímpar da música que tanto admiro.

Cedo me apercebi que não ia ser um dia fácil. Basta entrar no recinto, olhar em volta e perceber o tipo de pessoas que lá está. Elas, todas iguais, Calções (muito) curtos, tops (muito) curtos, trancinhas e florinhas no cabelo. Eles, todos iguais, com aquelas camisas estampadas da moda com flores, ananases e outros motivos, calção e barba longa. Todos pré-fabricados, sem personalidade, aderentes a modinhas.

A quantidade de gente também é absurda. Demasiada para um festival com aquela dimensão. Se nas zonas dos concertos não se nota tanto, ir à casa de banho é uma aventura para demorar o tempo de um concerto, e as filas para comer dão voltas às mesas. Vá lá que as casas de banho não estavam a abarrotar de merda, menos mal.

Chegada a hora do concerto de Radiohead só tive vontade de chorar de desilusão. O som estava uma autêntica bosta. Na zona ribeirinha, que é sempre extremamente ventosa, e depois de 10 edições, ainda não foram capazes de arranjar uma solução para o som não ser levado pelo vento. Se fosse eu, pelo menos faria a experiência de colocar o palco de costas para o rio. Para além disso, e o pior de tudo, foram as pessoas. Estava ali a tocar uma banda mítica, e toda a gente estava a conversar como se estivessem no café. De costas para o palco e tudo. Ouvi conversas sobre a seleção, gajas, trabalho, comida, ouvi tudo menos o Thom Yorke. Mudei de lugar três vezes, sempre igual. Sempre conversas, pessoal a não dar a mínima importância ao que estava a acontecer.

Já me tinham avisado que no Alive as pessoas não iam pela música mas tive de passar por isso para acreditar. É ridículo. Gastam a porra do dinheiro, ou do dinheiro dos pais, para ir ali exibir os últimos modelitos, coçar as barbas, tirar umas selfies e conversar. Ou para ouvir a porra da Creep. Hipsters do cacete!

A banda merecia mais e os verdadeiros fãs mereciam mais. Espero um dia vê-los em sala e só me apanham outra vez neste festival quando houver metal (duvido que isso vá acontecer) porque pelo menos o som mais pesado abafa estes conversadores de esplanada. Pelo menos foi o que aconteceu o ano passado com Prodigy. Isto conseguiu ser pior que o Rock in Rio. Só houve um ponto muito positivo: todos os concertos começaram à hora marcada. De resto, este festival vai de mal a pior. Até tinha bilhete para hoje (Arcade Fire) e vendi-o. Não quero sair de lá triste outra vez. Meu belo público metaleiro, sinto-te a falta.




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1 comentários

  1. Algés sempre foi zona ventosa. Nesta altura avisava sempre a minha mãe que ia ter animação a noite toda, já que a direcção do vento obrigava-a a ouvir música que não apreciava mesmo nada!

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