Sinners (2025)
julho 17, 2026Em "Sinners", os gémeos Smoke e Stack (interpretados por Michael B. Jordan) regressam ao Mississippi, depois de se terem envolvido em atividades obscuras em Chicago. Estamos nos anos 1930, ainda marcados pela segregação racial, exploração e opressão de negros. Com o dinheiro que ganharam por outras bandas, regressam a casa com o intuito de abrir um bar que seja um espaço seguro para a comunidade negra, onde se possam divertir, ouvir boa música e sentir-se acolhidos.
Durante esta fase do filme estamos num drama histórico, que se desenrola a um ritmo algo lento. Todas as ações são relacionadas com a preparação da abertura do bar, desde arranjar músicos, porteiros ou pessoas para cozinhar, até afastar olhares indesejados e ladrões. Tudo culmina na inauguração do bar, e há até um momento musical muito poderoso, em que o primo dos gémeos, Sammie, dá um show com a sua guitarra de blues e voz potente, numa cena que mistura passado, presente e futuro. Pode causar alguma estranheza, mas demonstra inequivocamente o poder da conexão ancestral do blues e é um dos grandes apogeus do filme.
Ora está-se em plena festa quando as coisas mudam de figura e uma entidade maligna entra em ação. É então que tudo muda de registo - passamos da sensação de estarmos a ver um drama histórico para um filme de terror. O contexto era necessário, mas não sei se não foi abrupto, como se fossem dois filmes separados. Nesta parte do filme, as criaturas maléficas provocam uma luta pela sobrevivência caótica, que dá fogo ao filme.
Gostei do filme, é uma grande produção, tecnicamente irrepreensível, com boa música, excelente fotografia, grandes interpretações, e acho que o Oscar de Melhor Ator de Michael B. Jordan é merecido. No entanto, 16 nomeações parece-me exagerado para um filme que não é tão bombástico como o hype fazia antever. Talvez se justifique pela escassez de qualidade dos últimos anos. De qualquer forma, é uma recomendação segura, a que lhe falta talvez um final mais pungente e um medo viscarel, memorável, e personagens menos presas à alegoria.

0 comments