Voltem metaleiros, estão perdoados

domingo, junho 01, 2014

Até este ano, fui sempre ao Rock in Rio no dia de música mais pesada. Nesta edição, à falta de um dia de metal, fui ver uma das bandas da atualidade que mais aprecio, os Arcade Fire, e também a miúda Lorde. Senti falta da mancha preta típica dos dias de sonoridades mais pesadas, e ao invés disso encontrei um público juvenil com flores na cabeça, por causa dum gajo qualquer que lá ia cantar.

Caí no erro de ver Lorde perto de uma barraca de cerveja, e pelos vistos para muitos era como estar ali em Cascais numa esplanada, em mera cavaqueira, como se estivessem a comer caracóis num domingo à tarde, não lhes fazendo impressão nenhuma terem pago mais de 60€ para estarem ali a palrar sobre roupa, trabalho, o que iam fazer no dia a seguir, tudo menos deixar as pessoas ouvir o caralho do concerto.

Em Arcade Fire fui mais para a frente mas mais valia ter ficado a ouvir as galinhas da barraca de cerveja. Não percebo as putas que vão para lá, que nem sequer ficam de frente para o palco quando o concerto começa, preferindo andar lá a armar-se para os gajos feitas bêbedas decadentes, a dar cotoveladas e encontrões às pessoas, fumando para cima delas e deitando-lhes cinza e cerveja para cima.
Os putos que tinham ido ver as outras bandas e que ficaram lá na frente pareciam múmias contrariadas. Ainda por cima os miúdos de hoje em dia já têm 2 metros com 13 anos, e foi como ver o concerto com uma parede à frente.
Ainda há as pessoas anormais, como um gajo que ia a passar com a namorada e me pisou, ao que eu disse "Foda-se", e a namorada queria-me bater por eu ter dito uma asneira. "Achas que ele fez de propósito? Porque é que disseste foda-se?", perguntou ela a armar-se em pavão, ao que eu respondi "Porque me doeu, CARALHO, devia ser porquê?" Se um de vós, jumentos, estiver a ler isto, tenho um recado para vocês: fodam-se, fodam-se, fodam-se.

Digam o que disserem, e têm de estar lá e fazer parte para saber, o público de metal é diferente. Quando vão ver música, vão ver música. Não vão fazer rodinhas de amigos a beber cerveja e conversar enquanto decorre o concerto. São solidários - quando alguém cai no moche, ou se magoa, todos se preocupam, dão uma mão, desimpedem a área. São um só - cantam a uma só voz, fazem air guitar em grupo, pulam, fazem moche, abraçam-se, gritam, vivem aquilo intensamente num ambiente em que somos todos iguais e em que não há julgamentos.

Tenho pena de ter visto os Arcade Fire no meio de pessoas que não vivem a música como eu. Provavelmente tive azar e se tivesse andado mais 10 metros para a direita tinha sido tudo diferente. De qualquer maneira, foi um dos concertos do ano, e ainda  bem que estive lá.


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