O meu grupo de sobreviventes ao apocalipse e à minha raiva assassina

segunda-feira, agosto 04, 2014

É um assunto com o qual me debato constantemente - o número de pessoas que eu teria pena caso morressem. Os indivíduos que caso deixassem este mundo não me fosse igual ao litro. Pois bem, decidi finalmente contá-las e acabar com esta dúvida que me assalta há tanto tempo.

Contado bem contadinho, há 40 pessoas na minha vida que, caso morressem, talvez me fizessem soltar uma lágrima. Isto entre família, amigos, conhecidos, colegas. Devo mencionar que trabalho num local com mais de 1300 pessoas e que tenho mais de 800 "amigos" no Facebook. São estas 40 pessoas que eu salvava em caso de apocalipse. Será pouco? Nem dá para encher um autocarro da Carris ou um terço de carruagem do Fertagus. Ainda na semana passada fui a um aniversário com mais pessoas do que isto. Pelo menos já sei que os meus sobreviventes caberiam confortavelmente numa sala de refeições. Não gosto cá de apertos, especialmente agora com o calor.

Mas atenção! Não incluí quem eu não conheço pessoalmente. Nesse caso a lista ia aumentar, claro. Porque é claro que eu vou tomar banho em lágrimas quando o Robert Plant, o David Bowie, o David Gilmour ou o James Hetfield morrerem, mais do que provavelmente com uma pessoa qualquer escolhida aleatoriamente com a qual lido diariamente.

Depois há a situação reversa - quem não me faria falta nenhuma se morresse? Aqui o número 40 dos meus selecionados parece uma brincadeira de criança. Não vou explorar o meu lado mais negro (quantas dessas pessoas eu empurraria para o abismo? Lhes rebentaria os miolos?) porque ainda são algumas, um número que já faria com que fosse internada ou pelo menos enviada para um psicólogo.

Os meus modos de passar o tempo surpreendem-me. Não devia estar a ver imagens de ursos de peluche, bebés, flores e frases feitas?


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