O flagelo da formalidade

quarta-feira, setembro 10, 2014

Hoje o post no blog Por Falar Noutra Coisa inspirou-me a escrever sobre o flagelo da roupa formal.

Vestir fato e gravata não faz sentido nenhum. Não entendo o porquê de estar socialmente convencionado que vestir fato e gravata seja sinónimo de inteligência, formação, integridade ou elevado estatuto social. Como é que um bocado de tecido vai determinar se tal pessoa é bondosa, honesta, trabalhadora ou sincera? Estamos apegados a tantas convenções, que depois acontece como à minha avó, que já foi burlada duas vezes por um vendedor de colchões muito apresentável e bem apessoado que não passava dum filho da puta dum lobo em pele de carneiro.

A mesma coisa se aplica às mulheres. Para que é que trazem saltos agulha, se maquilham como putas e tresandam a perfume, se vêm supostamente "trabalhar", sentar a peida em frente ao computador e ficar a olhar para um ecrã? E depois ainda olham de cima a baixo os comuns mortais do povo como eu que têm o descaramento de ir trabalhar de calças de ganga e ténis. E eu encaro-as de volta, perguntando-me qual é a doença mental que têm para achar que empestar o elevador de Chanel, perder uma hora de manhã a escolher o melhor trapo e a pôr uma máscara de base, rímel e sombras ou a andarem a sangrar das unhas dos pés as vai fazer subir na vida (tirando o modo horizontal com o qual provavelmente estão familiarizadas).

Não estou a falar das empresas ou profissões que exigem um dress code rígido, embora pessoas como o meu pai, que é bancário, se lhe dissessem que podia parar de usar gravata, apanharia uma budeira para comemorar. Estou a falar de empresas como onde trabalho, que apesar de não exigir dress code, as pessoas optam por um estilo rígido. Chego a ver diretores de calças de ganga e pólo e subordinados direitos que nem um fuso metidos dentro dum fato.

Sou da opinião de que quanto mais confortável se está, mais produtivo se é. Não é a suar num fato em pleno verão ou a passar o dia com bolhas nos pés que vamos dar o máximo. Afinal, quem é mais confiável e brilhante? O elegante Passos Coelho no seu fato impecável, ou o Mark Zuckerberg nos seus chinelos de enfiar?

Há que saber ver para além dos clichés.





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