Dia dos gatos - a memória dos que partiram

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Os gatos são mesmo um assunto frequente por aqui, mas hoje sinto que devo um desabafo por aqueles que partiram recentemente. São dois gatos, um bebé e um velhote, que faleceram nos últimos tempos e que ficarão por aqui sempre lembrados. Porque a vida não é só bichos queriduxos e vídeos deles a fazer coisas fofas. É sentir por eles um carinho imenso, tomá-los como amigos e companheiros e, eventualmente, perdê-los. Porque é uma merda mas é verdade - é errado que os animais vivam tão menos tempo do que nós.

O bebé era filho de uma gata que o meu namorado alimenta numa colónia. Raramente aparecia diante dele, que vai lá todos os dias, ou de mim, que o substituo quando ele não pode. Quando ele se ia embora, finalmente ele lá aparecia do esconderijo e a mãe levava-lhe comida. Há umas duas semanas, um vizinho deu a triste notícia ao meu namorado que uma carrinha lhe passou por cima matando-o instantaneamente e ele deitou o seu cadáver no lixo. A mãe, desesperada e deprimida, desapareceu durante dias e quase não comia. Quando ouve um carro, foge. Todas as mães têm memória...

O velhote era o Luisão, já por aqui falado. Ontem à hora de almoço quando o meu pai foi para o trabalho, ele estava bem. Durante a tarde uma vizinha passou e ele estava a esvair-se em sangue. Chamou uma associação, levaram-no ao veterinário e confirmou-se o pior: o velhote do Luisão tinha a sida dos felinos e um órgão interno tinha rebentado, por isso o sangue lhe saía pela boca. Teve de ser abatido. O meu pai recebeu a notícia com choque e está desolado. O seu amigo de anos foi-se, e ele nem teve oportunidade de se despedir. Fica o consolo do amor incondicional e de uma vida um pouco mais digna dados nestes anos.

Espero que quem tenha feito a vida negra ao gato esteja agora mais descansado. Não bastava ser doente, velho e sem-abrigo - terem-lhe cortado as orelhas e tirado todos os dentes da boca deve ter sido uma delícia para essas cabeças cheias de merda. Assim como lhe terem tirado vezes sem conta as caixas que o protegiam.

Que o bebé e o Luisão descansem em paz, que vocês ardam no inferno e sofram torturas insuportáveis. Quem me disser "eram só gatos" pode arder também.


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5 comentários

  1. Quem diz "são só gatos" ou "são só animais" só pode ser triste, muito triste. E apesar de ser contra a violência no geral, este tipo de situações provoca-me tanta mágoa e revolta, que não sei o que fazia com as supostas "pessoas" que os fazem sofrer...

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    1. Eles não têm voz nem maldade,é por isso que nós, pessoas no verdadeiro sentido da palavra, nos compadecemos tanto. Obrigada pela compreensão <3

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Que cena. Estava habituada a ver o Luisão lá no bairro das vezes que lá ia tomar pequeno-almoço.

    Lamento imenso pelos dois. ** Acho que as pessoas não percebem que um gato não é só um gato...é muitas vezes o espelho da nossa humanidade: na forma como o tratamos. Podemos é não gostar muito do que vemos nesse espelho...mas que espelha que é uma maravilha, ui...

    Uma pessoa nestes momentos só pode é valorizar ainda mais os gordinhos felpudos que tem em casa e ficar triste por tantos não serem igualmente valorizados.

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    1. Já dizia o outro que a evolução da sociedade se vê pela forma como são tratados os animais e os idosos... e estamos a anos-luz de uma sociedade que respeite todos e que veicule respeito e bondade. Agarremo-nos aos bons exemplos para não sufocarmos. Obrigada <3

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