Os Queen ainda são reis

sábado, maio 21, 2016

Ninguém, neste mundo e no outro, algum dia substituirá Freddy Mercury. E Adam Lambert sabe isso, e disse-o, os restantes elementos dos Queen também o sabem, e cada um de nós também o deveria saber. Partindo deste princípio e depois de Adam ter posto os pontos nos i's sobre isto, parece que o público se soltou.

Foi um enorme prazer ver os colossos Brian May na guitarra e Roger Taylor na bateria. Estes homens levam os Queen às costas mas o peso das décadas não se faz sentir. O talento não morre nem esmorece. Eles sabem o que fazem, são dos melhores do mundo, e o resultado foi um concerto enorme que alimentou a sede de ver os Queen a mais de 70 mil pessoas. Adam Lambert teve consciência, do princípio ao fim, da honra que é partilhar o palco com eles. O rapaz esteve impecável, é um cantor e pêras, é extremamente simpático e espirituoso e um entertainer do caraças. Não consigo imaginar ninguém melhor para estar naquele lugar.

Os momentos em que Freddy apareceu nos ecrãs foram de ir às lágrimas. Todos temos saudades. Todos sabemos que foi um homem determinante para o mundo inteiro e que nunca vai voltar. Mas podemos e devemos celebrá-lo. E foi exactamente isso que se fez. Com a "Under Pressure" a imagem de David Bowie também surgiu e foi aí que fui a autêntica maria madalena. Resumindo, foi uma celebração aos Queen, ao Freddy, que fez o dia valer completamente a pena.

Quanto aos outros artistas do dia de ontem no Rock in Rio, Fergie fez praticamente um concerto de covers, mas pelo menos lá energia (e mamas) a moça tinha. Mika, apesar do óptimo artista que é, não me enche as medidas e passei a maioria do tempo a bocejar. O ponto alto foi mesmo quando tentou cantar o fado e levou Marisa às cavalitas até ao palco. De resto, é o festival que conhecemos, igual a si mesmo. Um mar de gente infinito, filas para tudo e marcas em todo o lado. É ver o povo sem se importar de estar horas numa fila para arranjar um sofá insuflável, uma t-shirt ou outra porcaria qualquer. A restauração cada vez tem mais barracas, e cada vez há menos espaço e lugares para uma pessoa se sentar a comer. Impera a cultura das selfies e do vestir bem, enfim, nada de novo. Faz-me ter saudades do Reverence Valada, o festival no meio da natureza onde não há marcas e humilhações públicas para se ganhar um lenço da Vodafone, onde se privilegia a comida biológica e o contacto com o natural. Mas a vida é mesmo assim, é um festival feito para as massas e tenho de engolir.

Ficam alguns notas para a senhora Medina:

É injusto pagarmos o mesmo preço por um bilhete diário e vermos menos bandas.
Até agora o Rock in Rio teve sempre 4 bandas no palco principal, e agora levamos com 3 e com menos qualidade. Longe vai o tempo em que vi, por exemplo, Metallica, Machine Head, Moonspell e Apocalyptica no mesmo dia. Isso sim, foi um dia coerente e que valeu o dinheiro.

Ninguém quer ver um musical da merda
Abrir o palco principal com um musical merdoso não vale. Metam-nos num palco secundário ou no meio das pessoas. É um insulto um bilhete custar 60 e tal euros e vermos o palco Mundo abrir com uma dúzia de gatos pingados a fazer covers mal amanhadas, ainda por cima todos os dias do festival. Aquele gajo das novelas que "canta" e que é o actor principal desta trapalhada mais valia estar quieto.

Onde está o metal?
Desde os primórdios do Rock in Rio o rock mais pesado esteve sempre presente. Metallica, Machine Head, Slipknot, Moonspell, Rammstein, Sepultura, são exemplos que já me fizeram as delícias, mas parece que são tempos que não vão voltar. É uma tendência dos festivais eliminarem o metal e é uma pena. Este ano temos os Korn, médios representantes do género que nem sequer são cabeças de cartaz. Uma banda de covers são os cabeças de cartaz nesse dia. Ridículo. O Rio de Janeiro o ano passado teve direito aos System of a Down, Metallica, Mötley Crüe, Slipknot, Faith No More, Queens of The Stone Age, Mastodon e Gojira e aqui é isto.

Queremos ver coisas novas!
Ivete Sangalo e Xutos qualquer dia têm casa montada no Parque da Bela Vista. Embora hajam pessoas que queiram levantar poeira todos os dias se for preciso, o bilhete não é propriamente barato para andar sempre a ver as mesmas coisas.

23h45 não é hora para começar concertos
Isto se começasse a horas, o que não aconteceu, longe disso. Portugal é atrasado até aqui. Nos festivais lá fora assisti a concertos desde as 11h00 e com os headliners a começar no máximo às 22h00. Por amor de deus, em Inglaterra (Sonisphere) vi os Metallica começarem às 20h00, ainda de dia! As pessoas podem ficar a conviver no fim, se quiserem, ou ir para casa tranquilamente de transportes públicos. Aqui é sempre a mesma merda. Porque é que o musical do cocó não começou às 17h00 e antecipavam-se os outros concertos em 2 horas? Assim a debandada geral no fim do concerto amezinava-se e as pessoas podiam deixar o carro em casa.

Até hoje nunca falhei uma edição do Rock in Rio, mas com estas tendências daqui a 2 anos logo se vê. Este ano está despachado para mim, e os Queen com o senhor Adam fizeram valer a pena.


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2 comentários

  1. Estou aqui com um bocadinho (grande) de inveja... Queria muito ter ido mas não consegui, snif, snif. Lá consegui ver o concerto na Sic Radical, e mais triste fiquei por ter perdido essa oportunidade :(
    E sim, mesmo pela televisão também fiquei uma autêntica maria madalena no "Love of my life" e "Bohemian rhapsody".

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    1. Foi muito bom :) Esperemos que haja uma próxima oportunidade para poderes ser maria madalena ao vivo :D

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