Boas ideias #34 - o croissant do Careca do Continente

fevereiro 25, 2026

Os únicos momentos em que eu gostava de estar no escritório em Lisboa eram os de festa, porque havia comes e bebes, especialmente croissants da Pastelaria Careca. Eu não consigo comer nada às secas, nem uma fatia de pão, muito menos um croissant. Se não estiver a nadar em chocolate, ou alternativamente em doce de ovos, prefiro nem comer. Isto até ter comido os croissants do Careca. Eles não precisam de mais nada, são por si só uma delícia totalmente equilibrada entre crocância e fofura, que se desfaz na boca e alimenta os nossos sonhos de gordura mais fabulosos.

Já tentei explicar a quem nunca comeu qual é a sensação, mas não consigo passar convenientemente a ideia do que realmente é. Parece uma frase saída do Big Brother: "só quem passa por isto é que sabe". Parece duro por fora, mas por qualquer magia negra torna-se numa nuvem docinha que se passeia pela boca e ficamos reticentes em engolir só para prolongar a sensação mágica e inenarrável da perfeição por mais um pouco.

Desde que estou em teletrabalho a partir do Alentejo nunca mais comi croissants do Careca. Mas eis que ontem ia ao Continente mimar-me com um bolo de arroz pós-ginásio, quando reparo que têm uma edição especial de croissants do Careca. Não estava com esperança de ser nada de especial.
Mas é.
É.
Não é a mesma coisa do que comer um original acabado de fazer mas está perto. O meu palato fez a festa, eu fiz a festa, a minha celulite fez a festa, e agora o meu maior medo é que seja uma edição especial muito limitada no tempo e que acabe rápido. Assim sendo, o melhor é comer todos os dias enquanto há. Obrigada Careca, obrigada Continente, a vida assim faz sentido.



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