Space Dementia

domingo, maio 31, 2009



"Hate is the one for me
It gives me all I need
And helps me coexist
With the chill (...)
Space dementia in your eyes and
Peace will arise
And tear us apart
And make us meaningless again."

Muse - Space Dementia
in Origin of Symmetry (2001)

Fecho a porta da nave, com uma lágrima vagueando, porque sei que não vou voltar. À medida que vou deixando de ver o que fica para trás, volto as costas ao passado.
Caminho para dentro daquela que vai ser a minha nova casa por segundos, ou décadas, quem sabe.
Tem nome, a minha nave. Chamam-lhe Demência.
E lá dentro, consigo odiar e amar, e provocar em mim outros sentimentos opostos, ao mesmo tempo. Sou feliz, enquanto choro por uma tristeza tão profunda como a Terra, que agora não é mais do que um ponto cinzento num túnel de vento.
Aqui no espaço, posso gritar, arranhar todas as paredes que me sobram, ficar sem peso e flutuar, bater contra o tecto, vezes sem conta. Estou só. Às vezes parece que não, mas sei que todas as vozes e pessoas fazem parte da demência a que me subjugo.
Enquanto puder fazer a viagem neste meu âmago, em que voo desde os dedos dos meus pés até à ponta dos cabelos em meio segundo, e me sinto morta algures por entre a cintura e o peito, não vou voltar.
Ressuscito mais acima, ao som de um piano e ao ritmo da perfeição demente, e odeio, por amar tanto, por me atingir tanto, por ser apenas uma música, e por 5 minutos, me roubar a vida.






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