People Are Strange

quinta-feira, outubro 01, 2009


"People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted

Streets are uneven when you're down

When you're strange
Faces come out of the rain"

The Doors - "People Are Strange"
in Strange Days (1967)

Estende-se um nevoeiro à frente dos nossos olhos. Uma neblima afigura-se-nos como cortina teatral, misteriosa, inquietante. O fumo movimenta-se freneticamente, bem perto das nossas pálpebras, ofuscando e deturpando a visão conforme os impulsos nervosos que vamos recebendo.
Não temos controlo sobre nós. Se temos, fazemos vista grossa. O humano gosta de perder o controlo, por vezes. Para prosseguir uma busca, e sentir o leve e doce travo da imperfeição, do ser incompleto, desejoso de aprender novos caminhos para de novo se encontrar.
O prezado desequilíbrio confere-nos toda uma nova projecção sobre a camada de fumo à nossa frente. As cores tornam-se mais cinzentas, as caras que nos fitam ou nos evitam são mais desagradáveis, sentimo-nos à parte, como se só nós percebessemos. Como um holograma, criamos aquela pequena realidade alternativa projectada, efémera, mas com todo o sentido, no momento.
As pessoas são estranhas, e criam complexos mecanismos de defesa.
As ruas parecem tortas, as curvas são a direito, e as rectas, carrosseis.
Complicamos.

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