As coisas que se aprendem #105 - epicédio
janeiro 15, 2026"Disse-lhe que, entre as muitas coisas pelas quais lhe estava grato, estava o facto de ela me ter explicado que uma das formas de expressar a violência era a destruição, mas que a outra, mais importante e por assim dizer virtuosa, era a precisão. Era uma espécie de epicédio."
in O Aniversário, de Andrea Bajani (2025)
Então, epicédio é um elogio fúnebre: as palavras que dedicamos a alguém na hora da sua morte. No caso da citação, o destinatário estava vivo, mas existiu um afastamento tal que era como se estivesse morto, portanto faz sentido. E talvez devesse ser assim - se alguém morreu para nós, mesmo que o corpo ainda cá esteja, ter esse desfecho pode ser relevante. Normalize-se o epicédio dedicado aos vivos (e já agora, a nénia também, palavra aprendida no decorrer deste escrever). Uma coisa é certa: o epicédio não é para quem morreu, ou para quem virou costas, é para quem fica.

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