In My Room

domingo, março 29, 2009


"Could I turn on the light
Inpress unknown eyes
Humour absorbs the thoughts
Lift up your sorted heads
Played like dancing fools
Turning the tension round
Building up silent sounds

Just another day
Oh in my room"

The Last Shadow Puppets - "In My Room"
in The Age of the Understatement (2008)


No meu quarto, flutuam barcos sem mar, levados por ventos que não são mais do que pequenos suspiros de luz. No meu quarto, neste meu Universo onde cometas colidem e implodem, passam naves espaciais, junto à minha, em voos rasantes, só para conseguirem ver as borboletas verdes que cá habitam. Raras e belas, batem as asas em câmara lenta, e conseguimos ver todos os seus movimentos ondulantes, bamboleantes, e hipnotizantes, em pormenor, à frente dos nossos olhos. Até mesmo quando os fechamos, o verde permanece.
No meu quarto, as partículas acasalam no ar, numa dança silenciosa, de silêncios de pedra, e ritmos de raios de sol.
No meu quarto aparecem fendas. Quando espreitamos através delas, o sol bate-nos de frente, cegando-nos, e nunca a cegueira teve um sabor tão viciante. A doce de melão com chocolate.

Depressa a fenda se fecha, tímida e arisca, mas o seu sorriso ao partir parece indicar que há-de sempre voltar.

E é isto que acontece no meu quarto, quando as luzes se apagam e só a claridade da nave alumia.

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1 comentários

  1. "The sweet smell of a great sorrow lies over the land
    Plumes of smoke rise and merge into the leaden sky:
    A man lies and dreams of green fields and rivers,
    But awakes to a morning with no reason for waking

    He's haunted by the memory of a lost paradise
    In his youth or a dream, he can't be precise
    He's chained forever to a world that's departed
    It's not enough, it's not enough"

    Sorrow, Pink Floyd

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